Inovação na era do conhecimento

Luiz Fernando Costa Nonato

Pós-Graduado em Gestão de Projetos com MBA em Gestão de Negócios pelo Ietec.

Introdução

O contexto atual se caracteriza por mudanças aceleradas nos mercados, nas tecnologias e nas formas organizacionais e a capacidade de gerar e absorver inovações vêm sendo considerada, mais do que nunca, crucial para que um agente econômico se torne competitivo. Por esse motivo, vem-se denominando esta fase como a da Economia baseada no conhecimento ou, mais especificamente, baseada no aprendizado.

Reconhece-se, portanto, no contexto atual de intensa competição, que o conhecimento é a base fundamental e o aprendizado interativo é a melhor forma para indivíduos, empresas, regiões e países estarem aptos a enfrentar as mudanças em curso, intensificarem a geração de inovações e se capacitarem. Este artigo objetiva identificar as principais alterações no entendimento do processo inovativo, e as formas de inovação características da atual fase. Para tal serão apresentados os tópicos sobre novos elementos no processo inovativo, economia baseada no conhecimento e no aprendizado, mudanças na dinâmica do conhecimento, o processo de aprendizado inovativo, novos formatos organizacionais, a dimensão local da inovação, novas abordagens para políticas de inovações e por fim a conclusão a respeito dos itens apresentados.

Novos elementos no processo de inovação Joseph Schumpeter, já na primeira metade deste século, enfocou a importância das inovações e dos avanços tecnológicos no desenvolvimento de empresas e da economia. De forma genérica, existem dois tipos de inovação: a radical e a incremental. Pode-se entender a inovação radical como o desenvolvimento e introdução de um novo produto, processo ou forma de organização da produção inteiramente nova, que representa uma ruptura estrutural com o padrão tecnológico anterior, já as inovações incrementais, referem-se à introdução de qualquer tipo de melhoria em um produto, processo ou organização da produção dentro de uma empresa, sem, no entanto, alteração na estrutura.

Até pouco tempo, era grande a rigidez para caracterizar o processo de inovação, suas fontes de geração e formas como se realiza e difunde. À medida que melhor se conhecem as especificidades da geração e difusão de inovação, mais se sabe sobre sua importância para que empresas e países reforcem sua competitividade na economia mundial. Entretanto, reconhece-se que o entendimento existente sobre a natureza das inovações e seus efeitos sobre o crescimento econômico são ainda limitados.

Começa-se a compreender que inovação não é linear, processo vindo da ciência ou de uma demanda de mercado, mas sim uma interação complexa entre os dois processos, resultando em inovação incremental ou radical. O processo inovativo além de ser descontínuo e irregular, possui também um considerável grau de incerteza, posto que a solução dos problemas existentes e as conseqüências das resoluções são desconhecidas a priori. Com a maior compreensão sobre a natureza e as fontes de geração de inovações, flexibilizou-se a abrangência de sua definição e ampliou-se o leque de atividades consideradas de inovação.

A definição de inovação que vem sendo mais comumente utilizada caracteriza-a, portanto, como a busca, descoberta, experimentação, desenvolvimento, imitação e adoção de novos produtos, processos e novas técnicas organizacionais. Assim, considera inovação o processo pelo qual produtores dominam e implementam o projeto e produção de bens e serviços que são novos para os mesmos, a despeito de serem ou não novos para seus concorrentes. A economia baseada no conhecimento e no aprendizado
A produtividade e a competitividade dos agentes econômicos dependem cada vez mais da capacidade de lidar eficazmente com a informação para transformá-la em conhecimento.

Dessa forma, apontou-se para uma tendência de aumento da importância dos recursos intangíveis na economia, particularmente nas formas de educação e treinamento da força de trabalho e do conhecimento adquirido com investimento em pesquisa e desenvolvimento. As tecnologias de informação e comunicação propiciam o desenvolvimento de novas formas de geração, tratamento e distribuição de informações. São três os aspectos que devem ser destacados no que se refere a essas novas tecnologias.

O primeiro são os avanços observados na microeletrônica, o segundo se refere aos avanços nas telecomunicações. Por fim, a convergência entre essas duas bases tecnológicas permitiu o acelerado desenvolvimento dos sistemas e redes de comunicação eletrônicos mundiais. A difusão dessas novas tecnologias permitiu a expansão das relações e da troca de informações, possibilitando a interação entre diferentes unidades dentro de uma empresa — como a pesquisa, engenharia, design e produção — e fora dela, com outras empresas ou outros agentes que detenham distintos tipos de conhecimentos.

Essas tecnologias alteraram radicalmente os padrões até então estabelecidos e vêm exercendo uma influência decisiva em inúmeros aspectos das esferas sócioeconômico-político-cultural. Assim, considera-se que as mesmas são a base técnica do que vem sendo chamado por alguns autores de a Era do Conhecimento ou do
Aprendizado. A ênfase no conhecimento requer uma forte demanda por capacitação, exigindo novos e cada vez maiores investimentos em pesquisa, desenvolvimento,
educação e treinamento. Toda esta informação pode ser inútil se não existir uma base capacitada para utilizá-la, reconhecendo que o conhecimento e o aprendizado
possuem papel-chave e afetam a economia e a sociedade como um todo.

Mudanças na dinâmica do conhecimento

As mudanças imprimiram uma nova dinâmica nas formas de geração e aquisição de conhecimento e mudanças nas relações entre conhecimento tácito e codificado. Ambos os conhecimentos, tácito e codificado, devem ser tratados como complementares, pois sempre haverá alguma forma de conhecimento tácito
específico implícito nas práticas comuns a cada firma. Atualmente existem possibilidades concretas de acesso e transferência de informações/conhecimento codificado.

Por outro lado, o acesso a informações/conhecimento codificado não é suficiente para que um setor ou empresa se adapte às condições técnicas e de evolução do mercado. Somente com a interação entre os agentes tem-se acesso ao conhecimento tácito. As mudanças são muito rápidas e somente aqueles que estão envolvidos na criação do conhecimento dispõem de possibilidades reais de acesso aos seus resultados.

O processo de aprendizado interativo


O processo de geração de conhecimentos e de inovação vai implicar, portanto, o desenvolvimento de capacitações científicas, tecnológicas e organizacionais e esforços substanciais de aprendizado com experiência própria. Vai implicar ainda, na interação com fontes externas, como fornecedores de insumos, componentes e equipamentos, licenciados, clientes, usuários, consultores, sócios, universidades, institutos de pesquisa, agências e laboratórios governamentais, entre outros.

No momento atual, caracterizado por uma competição que não se dá somente via preços, o mais importante não é apenas ter acesso a informação ou possuir um conjunto de habilidades na capacidade de aprender e de transformar o aprendizado em fator competitivo. O aprendizado é importante tanto para se adaptar às rápidas mudanças nos mercados e nas condições técnicas, como para gerar inovações em produtos, processos e formas organizacionais.

Novos formatos organizacionais


Da mesma forma que se identificam os principais recursos e processos, vem se considerando a formação de redes como o formato organizacional mais adequado para promover o aprendizado intensivo para a geração de conhecimento e inovações, tais como alianças estratégicas, arranjos locais de empresas e distritos industriais, e também o ambiente onde estes se estabelecem. Tais formas de interação vêm interligando as diversas unidades dentro de uma empresa, bem como articulam diferentes empresas e outros agentes, visando promover uma fertilização cruzada de idéias, e responder e se adaptar às rápidas alterações, com a promoção de mudanças e aperfeiçoamentos nas estruturas de pesquisa, produção e comercialização.

As tecnologias estão crescentemente baseadas em diferentes disciplinas e a maioria das empresas não possui capacitação ou recursos para dominar toda essa variedade. Além disso, as redes permitem às empresas a possibilidade de identificar oportunidades tecnológicas e impulsionar o processo inovativo. A dimensão local da inovação Conforme salientado, o processo de inovação é atualmente entendido como interativo. Nessa direção, enfatiza-se a noção de que o processo inovativo e o conhecimento tecnológico são altamente localizados. A interação criada entre agentes econômicos e sociais localizados em um mesmo espaço propicia o estabelecimento de significativa parcela de atividades inovativas.

Novas abordagens para políticas de inovações


Observa-se que políticas de promoção tenderam tradicionalmente a focar em padrões de promoção do desenvolvimento tecnológico de firmas ou projetos pontuais e individuais. Atualmente, surge uma necessidade de se repensarem políticas que visem o desenvolvimento individual de firmas, bem como de repensar as organizações e instituições envolvidas no processo de formulação de tais políticas, à luz das rápidas mudanças trazidas com o paradigma das tecnologias de informação e comunicação e refletidas no próprio processo de inovação.

A introdução do novo paradigma tecno-econômico, com altas e velozes taxas de mudanças, aliada ao processo de globalização, inclui novos elementos à questão da promoção de inovação. Como destacam alguns autores, mudanças vêm ocorrendo rapidamente, e para melhor inserção na Economia Baseada no Aprendizado importa que se estimule este processo. Nesse sentido, é importante reconhecer que também a formulação de políticas deve ser tratada como um
processo de aprendizado, pois é necessário que se compreenda e se adapte as políticas a tais mudanças, para estabelecer diretrizes consonantes com os contextos específicos.

Conclusão


O processo de inovação é um processo de aprendizado interativo, que envolve intensas articulações entre diferentes agentes, requerendo novos formatos organizacionais em redes. Para se estar apto a entrar nessas redes e nesse novo contexto, é fundamental o investimento na capacitação de recursos humanos, responsáveis pela geração de conhecimentos. O processo de aquisição de conhecimentos que possibilitem a utilização eficiente de tecnologias é longo e difícil, mas imprescindível.

Cabe destacar, ainda para países em desenvolvimento como o Brasil, que é necessário que se reconheça, primeiramente, a importância da inovação para capacitar o país a acompanhar as mudanças em curso, possibilitar a maior participação destes no crescimento econômico mundial e contribuir para o seu desenvolvimento econômico e social. Os desafios que se colocam são muitos e acima de tudo critica-se o argumento de que o processo de globalização promoverá a distribuição automática e igual do conhecimento.

Este certamente ficará restrito à esfera de empresas, setores, países e regiões que invistam pesadamente na capacitação de seus recursos humanos para promover um processo de constante aprendizado interativo entre seus agentes econômicos e sociais e a formação de um ambiente local capacitado para se adaptar às mudanças freqüentes e aumentar a sua capacidade inovativa.

Bibliografia

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CD do Aluno, V – Gestão da Inovação, textos 1, 2 e 17.
Sites
http://pt-br.wordpress.com/tag/modelos-organizacionais-e-inovacao-tecnologica/
http://www.institutoinovacao.com.br/resultado_busca.php?busca=ARTIGOS