A década de ouro da Gestão de Projetos

Tatiana Moraes

As empresas finalmente se renderam às melhores práticas da gestão de projetos. Inseridas em um cenário econômico altamente competitivo, marcado pela retomada dos investimentos e pelo aumento da confiança do consumidor, as organizações apostam nas técnicas que auxiliam no cumprimento dos objetivos propostos.

A afirmação pode ser confirmada por pesquisa realizada com 85 organizações de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná durante o 13º Seminário Nacional de Gestão de Projetos, em 22 e 23 de junho, em Belo Horizonte. Segundo o documento, que mede o comprometimento das empresas com a GP, 35% já implementaram completamente uma gestão de programas.

A retomada da produção brasileira no pós-crise, que puxa para cima o nível de investimentos no país – inclusive estrangeiros – e aumenta a responsabilidade das empresas é um dos motivos da alta. “Para desenvolver os projetos e alcançar os índices esperados para o Brasil, o planejamento deve ser bem estruturado e sedimentado em números reais. A GP é base para todo o segmento empresarial”, afirma o gestor Nacional de Logística da Minerconsult, Ricardo Nolasco.

Como já era de se esperar, o desenvolvimento do setor de gestão de projetos refletiu positivamente no aumento de cargos ocupados pelos profissionais da área. De acordo com a pesquisa realizada no 13º Seminário, 56% das empresas possuem o cargo de gerente de projetos e 47% de coordenador de projetos, incrementos de 15 e 16 pontos percentuais, respectivamente, na comparação com os índices levantados no ano anterior.

Se por um lado a informação anima quem já está no mercado, por outro, dá dicas de que as empresas terão dificuldades em preencher as vagas ainda no curto prazo. Segundo a presidente do Project Management Institute em Minas Gerais (PMI-MG), Myrza Chiavegatto, a previsão é de que em seis anos o déficit de mão de obra qualificada para ocupar os postos no Brasil seja de, aproximadamente, 50 mil pessoas qualificadas. 

“O PMI está considerando que esta é a década de ouro do gerenciamento de projetos, sobretudo no Brasil”, afirma referindo-se às previsões de investimentos para o país que, segundo o BNDES, devem somar mais de R$ 1,3 trilhão até 2013, além da verba que será aplicada ao pré-sal, à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, entre outros.

Conforme o diretor comercial da Myssior, Leon Cláudio Myssior, o mercado já sofre com o apagão de pessoal qualificado. “O reaquecimento da economia apenas intensifica o cenário”, analisa.

A escassez de mão de obra no setor é uma preocupação recorrente entre as empresas, conforme apontou a pesquisa realizada no 13º Seminário Nacional de GP. Embora apenas 5% das empresas afirmarem que exigem o PMP para os profissionais que irão gerenciar projetos, 55% possuem um programa formal de preparação para o certificado ou pretendem implantá-lo.

Na avaliação do diretor de TI da Localiza Rent a Car, Alberto Campos, o mercado enxerga a certificação como um diploma altamente valorizado. “Não dispensamos o profissional que não possua PMP. Entretanto, incentivamos a obtenção do certificado”, comenta. Segundo ele, o ideal é que haja um equilíbrio entre teoria e prática.

Para o coordenador do escritório de Planejamento e Projetos da Unimed-BH, Carlos Eduardo de Souza, a qualificação na área é primordial para que a gestão de projetos possa atuar como link entre o planejamento estratégico e os resultados que a empresa deseja alcançar, seja participação de mercado, aumento do lucro, entre outros.

“O investimento na qualificação é um passo importante e deve ser feito de forma estruturada para aumentar o valor agregado da formação profissional. É necessário traçar um plano coerente para que o profissional absorva o conhecimento da maneira mais eficaz. Vincular este planejamento em capacitação a uma boa instituição é criar bases para um gerenciamento mais competente”, conclui.