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Gestão e Tecnologia Industrial

Ferramentas de Custos para Tomada de Decisões

Marcio Vieira de Carvalho Júnior e Marialice Guedes Torres

  

Marcio Vieira de Carvalho Júnior
Gerente de Custos da Cia de Tecidos Santanense BH

Marialice Guedes Torres
Contadora da Locamérica

Alunos da pós-graduação em Gestão de Custo do Ietec

Resumo

No atual mercado competitivo, não há margem para erros em tomadas de decisões e dentro deste cenário busca-se neste trabalho mostrar a importância de um sistema de custeio que auxilie as tomadas de decisões de forma eficiente e confiável para uma boa gestão empresarial. Trata-se neste trabalho as várias ferramentas de custeio que podem ser utilizadas e pondera-se a respeito dos riscos que o uso indevido dessas informações pode trazer para as organizações. Nas metodologias utilizadas analisa-se o sistema de custeio tradicional e a teoria das restrições, Custo-Meta ou Target Cost como ferramentas de tomada de decisões.
 Palavras chave: Gestão de custos. Planejamento. Competitividade.

Introdução

Atualmente busca-se dentro das empresas entre outras metas otimização de resultados, remunerar o capital dos sócios e o principal ganhar dinheiro. Para alcançar estes objetivos as informações relacionadas a custos possuem grande importância, porém com a variedade de nomenclaturas e opções de sistemas de custeios essas questões não ganham respostas obvias como as metas estabelecidas. Essa diversidade de sistemas de custeio tem gerado muitas dúvidas se o modelo adotado atualmente é o mais apropriado para a empresa e se tratando do item planejamento confiabilidade é a base para um bom planejamento e execução do mesmo.

Quando o assunto é custos a maioria dos gestores ou empresários possuem uma opinião a respeito, mesmo sendo essa errada ou não para direcionar horizontes do seu negócio, mas o grande problema é saber se estes custos são os corretos para a necessidade da empresa.

Somente para o fisco, que podemos dizer que o modelo de custos das empresas é o mais apropriado e esta correto, pois existem alguns parâmetros, leis e regras estabelecidos que devem ser obedecidos para apuração do resultado da empresa e assim obter lucro para cálculo do imposto de renda.

Com exceção do exemplo acima, não existe um modelo de custos universal que possa ser aplicado em qualquer empresa do Brasil e assim espelhar a verdadeira e fiel estrutura para obtenção de um resultado específico e assim balizar tomada de decisões. Mesmo entre os grandes estudiosos da área de custos existem muitas discussões e controvérsias a respeito dos diversos modelos que podem ser seguidos pelas empresas.

A palavra custos atualmente se tornou muito comum em diversas discussões nos mais variados setores e assuntos dentro das organizações, custo da qualidade, custo de compra de materiais, custo de revenda, custo de produção, custo operacional elevado, redução de custos, eficiência de custos, custo de capital, etc.

Assim como são muitos os termos relacionados a custos são também as definições que ele pode ter dentro das organizações e justamente neste ponto que esta o risco da informação chamada custo, pois nem sempre existe o mesmo critério na montagem das informações e dentro de uma única empresa a informação pode ter valores diferentes.

Gestão de Custos para Tomada de Decisões

A Contabilidade como ciência que estuda os fenômenos do patrimônio das empresas, é a parte que deriva toda a estrutura de uma entidade. A Contabilidade gerencial e de custos cuida de toda a estrutura estratégica e de desenvolvimento da empresa.

Segundo Hansen & Mowen (2001), o sistema de informação contábil dentro de uma organização tem dois sub-sistemas principais: um sistema de contabilidade financeira e um sistema de contabilidade gerencial. A contabilidade financeira é dedicada a fornecer informações para os usuários externos incluindo investidores, bancos, entre outros. Esses usuários externos julgam as informações importantes nas tomadas de decisões para comprar ou vender ações, emitir empréstimos e outras decisões financeiras. A gestão de custos produz informação para os usuários internos, especificamente a gestão de custos, identifica, coleta, classifica e relata informações úteis aos gestores para custeio, planejamento e controle.
   
Contabilidade de Custos

A contabilidade de custos, conforme descrito por Leone (2000), é o ramo da contabilidade que produz informações para diversos níveis gerenciais de uma entidade, auxilia as funções de determinação de desempenho, de planejamento, de controle das operações.

Ainda segundo Martins (2003), a contabilidade de custos coleta, classifica e registra os dados da empresa, denominados também de dados interno. Os dados coletados podem ser monetários ou físicos, como por exemplo, as unidades produzidas, as horas de trabalho, as horas de produção, a quantidade de material requisitado. A combinação dos dados monetários e físicos resulta em indicadores gerenciais de grande poder informativo. Logo após a coleta, a contabilidade acumula, organiza, analisa e interpreta os dados, com o intuito de produzir relatórios com as informações solicitadas.

A gestão de custos oferece algumas funções relevantes: o auxilio ao controle e a ajuda nas tomadas de decisões. No que diz respeito ao controle, sua função é fornecer dados para estabelecer padrões, e no tocante à tomada de decisão, seu papel é embasar os gestores em questões de investimentos de curto e longo prazo, opção de compra e administração de preços de venda.

De acordo com Leone (2000), a contabilidade de custos também pode fornecer informações para diversas necessidades, que servem para a determinação da rentabilidade e do desempenho da entidade, que auxiliam a gerencia a planejar, a controlar e administrar o bom desempenho das operações ligadas à produção e informações para tomada de decisões.

Segundo Leone (2000), os objetivos a serem alcançados pela contabilidade de custos são fixados de acordo com a necessidade de cada setor da empresa. O contador não estabelece quais são os objetivos de sua atividade, a grande maioria estabelece apenas para satisfazer algumas exigências burocráticas, que, por sua vez, são classificadas em três grandes grupos, são eles:

(a) o objetivo da determinação da rentabilidade;

(b) o objetivo que controla os custos das operações de cada atividade no intuito de minimizá-los pela comparação entre os dados estabelecidos, como por exemplo, orçamentos, estimativas, padrões e os dados coletados, tais alteração nos valores são decorrentes de disfunções operacionais;

(c) o objetivo de fornecer informações gerenciais que sejam solicitadas em função do planejamento e de tomada de decisão (Leone, 2000, p. 128).

O método para formar o custo do produto, mercadoria ou serviço prestado é variado, tendo vários processos e formas de fazê-lo. Dentre eles, estão o Sistema de Custeio por Absorção e o Custeio Variável como sistemas de custeios mais conhecidos, mas outros também como o Sistema de Custeio ABC podem ser ferramentas importantíssimas para utilização na tomada de decisões.

Teoria das Restrições

A Teoria da Restrição é uma ferramenta gerencial, que parte da premissa de identificar as restrições das empresas e ensina-las a conviver com essas restrições, fazendo o melhor uso dos fatores que limitam a capacidade produtiva, buscando o alcance da meta da empresa.

Entende-se que a Teoria das Restrições resume-se em um instrumento de gestão adequado para o processo de tomada de decisões nas empresas. 

Um ponto importante relativo a teoria das restrições é o termo gargalo, que foi traduzido pelo estudioso Goldratt como sendo as restrições existentes na empresa e também o termo não-gargalo, que são quaisquer outros recursos cuja capacidade seja maior do que a demanda colocada nele.

Referente as Medidas de Desempenho na Teoria das Restrições as empresas precisam estabelecer metas e acompanha-las e para isso é necessário a observação de três medidas que foram direcionadas segundo Godratt, são elas:

(a) o ganho, é o índice pelo qual o sistema gera dinheiro através de vendas;

(b) o inventário, como sendo o capital investido em bens a que se pretende vender, por exemplo, matéria-prima, embalagem, todos os materiais consumidos no processo produtivo;

(c) despesa operacional, que são os recursos gastos para transformar o inventário em ganho.

Cardoso at el. 2007, diz que como parâmetro a avaliação de desempenho e alcance da meta, a Teoria das Restrições estabelece as seguintes denominações:

(a) lucro líquido, é todo o dinheiro auferido nas vendas, menos os custos variáveis e menos as despesas operacionais;

(b) Retorno sobre o investimento, é o calculo do esforço necessário para adquirir determinado lucro;

(c) Fluxo de Caixa, é a situação necessária para sobrevivência da empresa.

Assim como os autores citados acima no que diz respeito a teoria das restrições Hansen & Mowen (2001) também citam as três medidas de desempenho de sistema: processamento, estoques e despesas operacionais. O Processamento como sendo a taxa a qual gera dinheiro por meio de vendas para a organização, os Estoques que são caracterizados como sendo todo o dinheiro que a empresa despende transformando matéria-prima em processamento e a Despesa Operacional são definidas como o dinheiro gasto pela empresa para transformar estoque em processamento.

Assim Hansen & Mowen (2001) concluem que ao aumentar o processamento, minimizar os estoques e diminuir as despesas operacionais, conseqüentemente melhoraria os índices financeiros: resultado liquido, o retorno sobre o investimento e o fluxo de caixa.

De acordo com Perez at el (2005), Godratt desenvolveu na TOC (Teoria das Restrições), etapas para alcançar as metas de melhora de desempenho organizacional, são elas:

1º etapa: Identificar a restrição

Em primeiro lugar deve-se identificar quais dos recursos são escassos e em que constitui a restrição, ou seja, qual o elo mais fraco da corrente.

2º etapa: Explorar a restrição

Significa aplicar os recursos na produção do produto que melhor ganho apresenta na utilização dos recursos da restrição.

3º etapa: Subordinar o nível de atividades a capacidade da restrição

Todos os departamentos remanescentes devem estar subordinados as necessidades da restrição.

4º etapa: Elevar a restrição

Uma vez que todo nível de produção está limitado a utilização máxima da restrição, todo esforço deve ser aplicado no sentido de evitar qualquer perda de recursos da restrição.

Na definição por Cardoso at el (2007), a TOC conclui que os recursos restritivos ou gargalos determinam o ritmo do sistema e o volume de ganho e o nível de estoque, pois estes são dimensionados em pontos específicos, de maneira que é possível isolar os gargalos provocados pelos recursos não gargalos que os alimentam. Neste sentido o gargalo é chamado de Tambor, pois é ele quem dita o ritmo de toda a produção.

Custo-Meta ou Target Cost

Define-se custo meta como sendo o valor de custo que se deseja alcançar de um determinado produto em relação ao preço que o mercado está disposto a pagar.

Na percepção de Perez al et (2005), custo-meta é o custo obtido pela subtração de um preço estimado da margem de lucratividade desejada, com o objetivo de atingir um custo de produção igualmente desejado.

O processo do custo-meta inicia com a estimativa, realizada pelo setor de marketing, verificando o preço que um novo produto terá para ser vendido e atingir uma posição no mercado. Depois desta definição é necessário definir o custo-alvo do produto, que é a soma do custo de materiais, mão-de-obra e custos com as demais atividades.

O custeio Meta é uma ferramenta de gerenciamento estratégico que busca reduzir o custo do produto durante seu ciclo de vida. O custeio meta propõe uma interação entre a Contabilidade de Custos e o restante da empresa (Cogan S; 2002).

De acordo com Cardoso ate l (2007), a adoção deste método é indicada na fase de pesquisa e desenvolvimento do produto. Pelas dificuldades de se alcançar o valor de custo-meta, muitas empresas costumam utilizar com um intervalo de custo aceitável para o maior valor de custo possível e este intervalo é denominado de custo-alvo.

O custo-meta pode ser mostrado aritmeticamente como:

Custo-meta = Preço de venda – lucro desejado

Conclusão

Tentou-se mostrar no artigo a diferença entre métodos de apuração de informações que subsidiem a tomada de decisões, onde o foco destas informações foi o que chamamos de custos.

A informação trabalhada foi a mesma e se aplica em todos os exemplo e métodos citados no artigo, porém o uso que irá determinar a eficiência da metodologia aplicada.

A contabilidade de custos se mostra eficiente para avaliação de mudanças e impactos em estruturas de custos fixos e despesas. Mas dependendo da forma de apuração estas informações podem variar no resultado unitário do produto e é neste ponto que se requer uma atenção especial na utilização deste método.

A teoria das restrições trabalha com informações ligadas a gargalos sendo que estes gargalos que determinam o ganho global da empresa por limitarem todos os outros recursos existentes. Se aplicada para gerar ganho a teoria das restrições proporciona aumento do processamento, redução de estoques e como conseqüência diminuição as despesas operacionais trazendo melhoraria dos índices financeiros.

O terceiro e ultimo método citado foi o Custo-Meta ou Target Cost, que trabalha com a idéia uma meta de custo para um produto e parti-se de um preço estimado e busca-se uma margem conforme objetivos ou metas da organização.

O custeio Meta é bastante apropriado para uso em gerenciamento estratégico e assim melhorar a eficiência de ganho deste produto durante seu ciclo de vida.

Nenhum dos três métodos é indicado para uso em todas as situações que uma organização possa vivenciar no seu cotidiano, buscou-se mostrar os riscos e divergências que uma única informação pode apresentar dependendo de como se usa e apura os resultados.

Bibliografia

CARDOSO, Ricardo, Lopes. MÁRIO. Poueri do Carmo. AQUINO, André Carlos Busanelli. Contabilidade Gerencial. 1.ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2007.

COGAN, Samuel. Custos e Preços: Formação e Análise. 1.ed. São Paulo: Editora Pioneira, 2002.

HANSEN, R. Don, MOWEN, M. Maryanne. Gestão de Custos: Contabilidade e Controle. 3.ed. Editora Pioneira, 2001.

LEONE; George S. Guerra. Curso de Contabilidade de Custos. Editora Atlas S.A. 2000 São Paulo, 2ª Edição

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. Editora Atlas S.A. 2003 São Paulo, 9ª Edição.

PEREZ, José. Hernadez. OLIVEIRA. Luis. Matins. COSTA. Rogério Guedes. Gestão Estratégica de Custos. 4.ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2005.

 

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