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Produção

Sobram vagas no mercado de trabalho

Tatiana Moraes


O “crescimento chinês” – conforme é chamado o atual momento econômico vivenciado pelo Brasil – deixa o país em uma situação pouco confortável. De um lado, o mercado consumidor está ávido por novidades, a produção supera os patamares alcançados no período pré-crise e a liquidez é satisfatória. De outro, a escassez de mão-de-obra qualificada atua como gargalo que pode impedir o desenvolvimento da economia nacional.

O embate entre a baixa oferta de pessoal qualificado e a forte demanda por recursos humanos foi apontado em pesquisa realizada pela consultoria internacional de recursos humanos Manpower. Segundo o documento, 44% dos empregadores nacionais afirmam que o número de contratações no terceiro trimestre de 2010 será superior ao registrado no período imediatamente anterior.

Em contrapartida, ainda conforme a consultoria, 64% das empresas brasileiras têm dificuldades em encontrar pessoal capacitado para integrar o quadro operacional. O índice é menor apenas do que o registrado pelo Japão (76%).

Há vagas – O presidente da fabricante nacional de servidores, desktops e notebooks Megaware, Germano Couy, afirma que a empresa, com plantas industriais em Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), já ficou até quatro meses com vagas disponíveis para profissionais especializados. De acordo com ele, cargos de gerência, coordenação de produção, engenharia de processo e os relacionados à tecnologia da informação são os mais difíceis de serem preenchidos.

“Encontrar pessoal qualificado no atual mercado não é tarefa fácil, por isso, investimos em treinamento. O maior problema, entretanto, é que qualificar pessoal demanda tempo e às vezes precisamos do profissional de imediato”, comenta.

Na Polycast – Polyurethane Engineering, localizada em Belo Horizonte e especializada na fabricação e no desenvolvimento de produtos técnicos e revestimentos em poliuretano moldado de alta performance, o problema se repete. De acordo com o diretor-executivo da empresa, José Augusto Athayde Braga, devido à retomada da indústria mineral, principal mercado atendido pela Polycast, o número de vagas abertas é superior à quantidade de profissionais qualificados disponíveis.

“Pretendemos aumentar um turno trabalhado e expandir o quadro operacional em aproximadamente 50% no curto prazo. Encontrar mão-de-obra qualificada, entretanto, será um entrave”, prevê Braga, que é ex-aluno do MBA em Administração de Projetos do Ietec.

Investir na qualificação do pessoal foi uma das medidas adotadas pela Tecnometal – especializada em engenharia, equipamentos de movimentação, manuseio de granéis sólidos, processamento mineral, geração de energia, elevação e transportes, automação bancária, peças e componentes – para vencer no mercado. E a aposta, segundo o diretor Industrial da empresa, que possui unidades industriais em Campinas (SP) e Vespasiano (MG), Fernando de Souza, foi bem-sucedida.

“Vamos iniciar uma nova etapa na história da empresa, com reestruturação de layout de fábrica e de processos, investimento em maquinário de ponta, entre outros. Alcançamos um patamar em que é impossível ficar sem mão-de-obra altamente qualificada. Por isso, investimos no nosso pessoal”, diz.

Salários nas alturas -
O problema enfrentado pelos empregadores brasileiros privilegia os candidatos que apostaram na formação profissional. Com a baixa oferta de pessoal qualificado, os salários pagos aos profissionais inflacionaram.

Conforme explica a diretora-executiva da Catho Consultoria de Recursos Humanos e coaching de carreira, Lizete Araujo, no cenário econômico positivo os profissionais qualificados têm facilidade para negociar a remuneração. “Assim como as empresas, os empregados que investiram na formação sabem o valor do conhecimento”, afirma.

Pesquisa com 175 mil empregados de áreas operacionais, gerenciais e de empresas de 20 diferentes setores econômicos mostra que alguns segmentos específicos, como a mineração, pagam salários aproximadamente 20% acima da média nacional. Já a remuneração para empregados das indústrias automobilística, de autopeças, de computadores e eletricidade é aproximadamente 13% superior.

Na avaliação do coordenador do MBA em Administração de Projetos do Ietec, Ivo Michalick, as últimas “viradas” do cenário econômico confirmam não só a necessidade da qualificação, como da constante atualização do conhecimento. “Uma qualificação concluída há 10 anos, por exemplo, está em boa parte obsoleta e precisa ser constantemente revalidada com estudos e cursos”, diz.

De acordo com ele, que possui mais de 20 anos de experiência em projetos de mineração, energia, logística, saúde e telecomunicações no Brasil e no exterior, os diretores e gerentes buscam profissionais que consigam obter resultados velozes em ambientes sob pressão. E, para Michalick, a capacitação comprovada é um dos elementos mais importantes e valorizados na hora de fechar um contrato.

Riscos - Na avaliação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a velocidade de crescimento da economia nacional não tem sido acompanhada pela formação de profissionais com qualidade, fator que coloca em xeque a produção.

Além disso, ele aponta que a escassez de mão-de-obra qualificada e de profissionais com conhecimentos atualizados criam um cenário de risco: com a economia aquecida e sem opções, os empregadores tendem a “importar” capital intelectual. “É possível comprovar este comportamento da indústria em diversos setores. A qualificação da mão-de-obra é a saída”, conclui.


 

 

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