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:: Gestão e Tecnologia Industrial

Diagnóstico da utilização das FPE em indústria de confecção: a partir da ótica de engenheiros de produção

Yslene Rocha Kachba, Caroline Vaz Rodrigues e Kazuo Hatakeyama

Especialistas em Engenharia de Produção pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Trabalho escolhido para integrar os anais do Seminário Empreendedorismo, Inovação e Engenharia da Produção: Transformando idéias em novos negócios que aconteceu nos dias 30 de abril a 02 de maio de 2009, em Viçosa/Minas Gerais.

O artigo tem como objetivo analisar a utilização de Ferramentas de Produção Enxuta (FPE) nas empresas de confecção do APL de Maringá. A partir de questionários respondidos por Engenheiros de Produção com ênfase de Confecção Industrial, profissão esta que foi desenvolvida a partir da necessidade de mão-de-obra especializada para o APL de confecção de Maringá, que exercem cargo de gerência.

Nos resultados é comprovado estatisticamente que há diferença significativa entre as categorias de meses. Conclui-se que a utilização de FPE pelos engenheiros de produção tem um índice inadequado para a
formação destes. Entretanto, até conceitos básicos como troca de leiaute teve somente 29% de utilização entre a categoria 1 a 3 meses.

Neste sentido a pesquisa apresenta uma necessidade de um maior contato com a realidade das empresas do APL de confecção de Maringá, no processo de formação de Engenheiro de Produção com ênfase na Confecção Industrial. Principalmente nas atividades que sejam monitoradas por professores como projeto de extensão e iniciação científica no setor de confecção.

Palavras-chave: Produção Enxuta; Engenharia de Produção; Confecção.

1. Introdução

A competição nas empresas tem aumentado nos mercados nacionais e internacionais. Essa exasperação impele as organizações a procurar maior produtividade. Para Slack et al. (2007) a estratégia para competir no mercado deve ser focada em cinco objetivos de desempenho básicos: qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custo. O qual se apresenta influência mútua e proporcionam inúmeras vantagens às organizações. Estes objetivos nas pequenas e médias empresas (PMEs) são essenciais para conseguir uma parcela do mercado na concorrência com empresas de grande porte. Entretanto, falta conhecimento, cultura e desempenho para a aplicação deste na maioria das PMEs.

Com esta realidade as empresas organizam-se em forma de Arranjos Produtivos Locais (APL), para uma cultura de
cooperação com os ambientes externos, chegar a uma maior produtividade e qualidade de produtos numa determinada região.
O artigo tem o objetivo de analisar a utilização de FPE nas empresas de confecção do APL de Maringá. São analisadas a partir de questionários respondidos por Engenheiros de Produção com ênfase em Confecção Industrial, profissão está que foi desenvolvida a partir da necessidade de mão-de-obra especializada para o APL de confecção de Maringá, que exercem
cargo de gerência neste ramo. Porém encontram-se grandes dificuldades para a aplicação e manutenção das FPE nas empresas. Dessa maneira traz-se uma incógnita, onde está o problema, na formação dos engenheiros ou na cultura das empresas?

2. Engenharia de Produção e ferramentas de Produção Enxuta

A engenharia de produção é uma das engenharias que tem sofrido um crescimento expressivo nos últimos anos no Brasil. Este fato ocorre porque o Engenheiro de Produção é um profissional com aptidões para integrar questões de ordem técnica e gerencial, como consequência profissional chave no mercado de trabalho (SANTOS et al., 2005). Há várias áreas na engenharia de produção de atuação e de pesquisa, as quais proporcionam um crescimento na produção científica nas distintas temáticas, reforçando a necessidade de um melhor entendimento dos rumos tomados nas pesquisas científicas e uma melhor propagação dos conhecimentos gerados. No entanto, o maior objetivo de um engenheiro de produção é atingir no sistema produtivo um ascendente volume de produtos e com melhor qualidade. Uma das maiores filosofias aplicadas até hoje para atingir o objetivo
da engenharia de produção é a produção enxuta.

Produção enxuta foi visto pela primeira vez por Krafcik (1988), membro do grupo de estudos do IMVP – International Motor Vehicle Program. Este nome foi criado para propagar um sistema de produção qualificado pela eliminação progressiva do desperdício, pelo fluxo contínuo com que os processos produtivos ocorrem, pela produção segundo a demanda do cliente no tempo e na quantidade por estes estabelecidos e, por fim, pela relação próxima de parceria com fornecedores. Também podem ser denominados como os requisitos básicos que configuram um sistema enxuto de produção.

A Produção Enxuta apresenta cinco princípios fundamentais para ser implementada, salientam Womack e Jones (2004), sendo elas:
a) Valor: ser empregado ao produto de acordo com as especificações dos clientes, e não sobre a óptica da empresa;
b) Fluxo de valor: conjunto de etapas necessário a ser produzido a um produto específico;
c) Fluxo: um fluxo de valor contínuo para que as etapas corram adequadamente;
d) Puxar: produzir apenas o que o cliente deseja, para evitar desperdícios;
e) Perfeição: manter sempre uma produção contínua sem que haja perdas e desperdícios.

Para ações especificas a FPE necessita de ferramentas que, para Antunes (2008), são atividades proporcionadas no processo produtivo, no entanto, foram selecionadas apenas sete que se identificam melhor a realidade das PMEs, cujas atividades são mostradas na figura 1.

As sete ferramentas optadas para analise a primeira não é uma ferramenta e sim uma filosofia Just-in-Time (JIT). Essa tem como objetivo um sistema de manufatura simples e eficiente apto de aprimorar o uso de equipamentos, mão-de-obra e recursos de capital. Combater o desperdício com estoque zero, colocando o componente certo, no lugar certo e na hora certa. Busca aproveitar a habilidade multifuncional dos trabalhadores produz somente o necessário (ANTUNES, 2008).

Em conjunto com a filosofia JIT tem-se a ferramenta kaizen um sistema japonês de melhoria contínua que visa garantir que os processos da empresa atendam as necessidades e expectativas de seus clientes. Não apenas no momento presente, mas de forma contínua e melhor ao longo do tempo. É imprescindível desenvolver sistemas que sejam capazes de aprender, adequar e inovar, não somente resolver problemas. A execução deste se desenvolve em seis estágios: identificação e escolha das oportunidades de melhoria, consignação de metas de melhoria, análise do processo atual, geração e seleção de alternativas de aprimoramento, implementação de melhorias, avaliação contínua do processo (ANTUNES, 2008).

A terceira ferramenta é um componente da filosofia JIT é a redução de lotes de fabricação. A meta da filosofia JIT é produzir em lotes ideais de uma unidade, na maioria dos casos, isto é economicamente inviável, devido aos custos de preparação das máquinas, comparados com os custos de manutenção dos estoques. Procura-se reduzir os tempos de preparação das máquinas, comparados com os custos de manutenção dos estoques. O que se procura é reduzir ao mínimo os tempos de preparação (set up). Tempos reduzidos de preparação propiciam ciclos mais rápidos, menores lotes de produção e resultam em menores estoques. A redução dos tempos de preparação é um dos pontos-chaves do sistema JIT.

Com tempos de preparação reduzidos e um menor número de peças em processo, o sistema torna-se muito mais flexível às mudanças, na demanda do produto final. (MARTINS, 1998). A ordem visual 5S, quarta ferramenta, tem origem no sistema japonês de organização de produção, no qual, em cada dia da semana correspondem a uma ação para o benefício da
empresa, estes são: senso de Utilização, para SEIRI; Senso de Organização, para SEITON; Senso de Limpeza, para SEISOO; Senso de Saúde, para SEIKETSU e Senso de Autodisciplina para SHITSUKE (MARTINS, 1998).

A Qualidade Total (QT) procura o aperfeiçoamento em todos os parâmetros de uma organização, seja ele a qualidade dos produtos exigida pelo cliente, a qualidade exigida para os fornecedores, qualidades de gerenciamento. A gestão da do QT visa melhorar a competitividade, a eficácia e a flexibilidade de uma organização por meio de planejamento, organização e compreensão de cada atividade, envolvendo cada indivíduo em cada nível (SLACK et al.,1997).

O treinamento pessoal (TP) é a sexta ferramenta, o objetivo desta é qualificar o colaborador para melhor executar uma determinada função. Este busca desenvolver o conhecimento, aperfeiçoamento de desempenho, maior produtividade e desenvolvimento pessoal. Para Boog (2001) a execução de um determinado treinamento deve levar em consideração os seguintes fatores: adequação do programa às necessidades da organização; qualidade do material didático; cooperação do pessoal de chefia; qualidade e preparo dos instrutores e a qualidade do pessoal a ser treinado. Por ultimo o Trabalho em equipe (TE) se define trabalho em equipe o momento em que pessoas com funções e conhecimentos dentro de uma organização têm um mesmo objetivo. Para direção de equipes é necessária a figura de um líder este deve transpor aos seus liderados: carisma, simplicidade, confiança e acima de tudo saber motivar a sua equipe. Na competitividade o fator humano é um dos mais importantes para a procura de maior produtividade e qualidade nas organizações atuais (BOOG, 2001).

Antunes (2008) afirma que as FPE não é o fim da história em termo de Engenharia de Produção, mas este é um conceito do início da história de melhoria contínua de produtividade. O alto desempenho da manufatura, em muitos casos não é condição suficiente para a sustentação competitiva das firmas. Contudo, é claramente um pré-requisito. Primeiramente porque o ambiente de diversificação nas empresas é levado a trabalhar com séries muito menores de produção, além de atender novos requisitos de desempenho. Segundo porque a lucro vem pela redução do custo, o qual está diretamente perpetuado ao processo produtivo.

Para realização de um melhor fluxo de processo produtivo é necessário, em conjunto com as FPE, o conceito de leiaute de processo. Este se constitui em organizar uma eficiênte maneira de organizar equipamentos, colaboradores, de forma que as atividades sejam independentes umas das outras, sendo executadas em paralelo até uma etapa final de montagem, onde são agrupados de maneira a formar o produto final (SLACK et al., 1997).

Este conceito é essencial para a indústria de confecção, pois esta tem a necessidade de reformular seu leiaute a cada troca de coleção, ou seja, desenvolvimentos de novas peças de roupa para cada estação do ano. O maior desafio é aplicar estas FPE nas MPEs, e principalmente manter estas, em contínuo processo de melhoria. Especialmente em realidades de trabalhadores mal remunerados e com baixa escolaridade, e culturas resistentes a mudanças características do
mercado têxtil brasileiro.

3. Caracterização do APL de confecção em Maringá e a Engenharia de Produção

Dentro da busca pela competitividade as MPEs organizam-se em forma de arranjos produtivos locais. Amato (2000) define APLs como um fenômeno vinculado às economias de aglomeração, associadas à aproximação física das empresas fortemente ligada entre si por fluxos de bens e serviços.

Os APLs são diversos fatores organizacionais internos e externos, realizados por um conjunto de empresas e entidades. Com o desígnio de ampliar um setor em um determinado território, com o mesmo tipo de produto e afinidades, no qual este se torne mais competitivo.

Os APLs giram em uma política de produção de novas técnicas de inserção de inovação, novos conhecimentos, cooperação e com a finalidade de elevarem-se na posição competitiva de empresas, regiões e países (CASSIOLATO E LASTRES, 2003).
O APL de confecção em Maringá iniciou-se no ano de 2004, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) afirma que o APL é o segundo maior pólo confeccionista do país. A região de Maringá produz aproximadamente 7 milhões de peças mês, com vendas anuais entre R$ 100 milhões e R$130 milhões. Em Maringá estão instalados 06 shoppings de pronta-entrega com 540 lojas, sendo que, 90% delas com produção própria de acordo com o Sindicato da Indústria do Vestuário de Maringá (SINDVEST, 2008).

No ambiente de conhecimento do APL de confecção de Maringá existem três instituições que oferecem mão-de-obra qualificada para este setor: cursos de capacitação e profissionalizantes do Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), á o curso de Moda no Centro de Ensino Superior de Maringá (CESUMAR) e Engenharia de Produção com ênfase em confecção industrial na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

De acordo com UEM (2008) no final dos anos noventa, a demanda por profissionais que possuíssem habilidades para coordenar a integração entre pessoas, materiais, equipamentos e processos em áreas distintas, motivou a criação de quatro novos cursos de Engenharia de Produção na UEM, entre eles está a Engenharia de Produção com ênfase em Confecção Industrial. O surgimento da ênfase atendeu aos anseios para a necessidade de melhorar os processos e os produtos acabados das indústrias de confecção da região norte e noroeste do Paraná. Este se iniciou no ano de 2000 e obteve os seus primeiros graduados no ano de 2005, com os seguintes objetivos:

a) Formar profissionais em tecnologias de gestão de produção confecção industrial;
b) Formar profissionais capazes de aperfeiçoar a produção de seus resíduos, transformando-os através de processos diversos a fim de se obter produtos de qualidade, confiabilidade e custos viáveis;
c) Formar profissionais capazes de projetar, programar e aperfeiçoar sistemas, produtos e processos. Em particular, para dar atendimento à demanda social, devido às características do perfil econômico regional onde a UEM está inserida;
d) Formar um profissional capaz de propor soluções para o aumento da qualidade e da produtividade das unidades produtivas regionais e nacionais.

4. Metodologia

Para Gil (2002) a pesquisa tem um caráter pragmático, é um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos. Neste pensamento formulou-se uma pesquisa exploratória de ordem predominantemente quantitativa. Em forma de questionário com 8 questões abertas e 12 fechadas, realizada entre os meses de Março e Abril no ano de 2008.

A população foi constituída por 80% dos Engenheiros de Produção com ênfase em confecção industrial, formados pela UEM, no ano de 2007. Estes exercem cargo de gerência nas empresas e operaram neste segmento de confecção em média á três anos. Com o objetivo se analisar a utilização de FPE, nas indústrias de confecção. Para a análise dos dados foi realizado o teste estatístico de experimentos multinomiais, que tem como objetivo, segundo Triola (1999), verificar as seguintes condições: o número de provas é fixo, as provas são independentes, todos os resultados de cada prova devem ser classificados em exatamente uma dentre várias categorias, a probabilidade para as diferentes categorias permanece constante em cada prova.

O teste de aderência, segundo o mesmo autor, é utilizado para testar a hipótese de que uma distribuição de frequência observada se ajusta a determinada distribuição teórica, em relação às categorias das horas paradas no processo.

5. Resultados e discussões

A maioria das empresas n as quais os Engenheiros de Produção, com enfase em confecção industrial, atuam são classificadas como média empresas (72%) e pequenas empresas (25%),, e outros (3%) (SEBRAE, 2007). A figura 2 apresenta a frequência que é modificado o leiaute nas confecção pesquisadas atravês da experiência dos engenherios.
 

Em relação à aplicação de melhoria de leiaute, é extremamente necessária na indústria de confecção. Entre os entrevistados 29% afirmam que na empresa onde atuam há melhoria de leiaute no período de 1 a 3 meses, fator esperado, pois é entre esta ocasião que se troca as coleções de produtos do vestuário e como consequência o processo para produzi-los. Contudo 43% optaram pela alternativa de 3 a 6 meses, este fato pode ocorrer, por duas vertentes.

Primeiramente, o tipo de produto não alterar muito de uma coleção a outra, como coleção de primavera e verão. Segundo não haver na indústria uma cultura de cada troca de coleção fazer estudo de leiaute, sem estudo de tempos. Os últimos dados são preocupantes, pois 14% das indústrias fazem estudos de leiaute entre os intervalos de 12 a 15 meses, o que é mais de quatro coleções sem análise de processo produtivo e estudo de tempos.

O restante, no caso 14%, não se executa esta prática no seu processo produtivo, porém a dificuldade que se encontra é como produzir peças de inverno. Como casacos por exemplo, cuja dificuldade de produção é maior, do que camisetas que tem menos operações de produção.

A ferramenta mais utilizada nas indústrias nas quais os Engenheiros atuam é o trabalho em equipe, com 86%, em segundo lugar vem o treinamento pessoal com 71%. Estas ferramentas que trabalham o fator humano no processo produtivo e em outras dimensões da empresa. Entretanto, a relação de utilização de ferramentas ligadas efetivamente na melhoria de processos produtivos os índices reduziram de uma forma excessiva.

Entre os engenheiros, 50% afirma que as empresas utilizam a ferramenta QT, o que é um número apropriado para a produção de PMEs. Para demonstrar a utilização da ferramenta QT, segue a verbalização de um dos pesquisados. “Utilizamos o conceito de defeito zero, pois peças que apresentam qualidade são aquelas que não tem nenhuma existência de defeito e tenha conforto e boa aparência.”O que afirma somente a qualidade do produto e não como o processo no todo.

Os índices de utilização de Set up e Kaizen é somente 14,3%, números extremamente baixos para ferramentas muito importantes em um processo produtivo eficaz. O percentual para Just in Time e 5 s são de 28,5%, no entanto, nas questões abertas são encontradas várias afirmações sobre a dificuldade da implementação destas, principalmente a filosofia JIT. “A
falta de compromisso com os fornecedores. E a dificuldade dos mesmos conseguirem atender a demanda da empresa no tempo adequado.” Situação a qual compromete todo o processo produtivo dentro das empresas e não efetua um princípio base do JIT que é trabalhar com parcerias com fornecedores e estoque mínimo.

Não há como dizer que estes dados da Figura 1 e 2, são consequências da falta de conhecimento para aplica-las. Entretanto nas questões abertas foram apontadas várias dificuldades para fazer um elo entre a teoria e a prática em diversos fatores, entre eles: a cultura da empresa, a falta de comprometimento dos colaboradores e da gerência executiva, colaboradores mal treinados e baixa remuneração o que contrapõem o índice de 71% de TP.

Aplicado o teste de experimentos multinomiais de aderência, foi confirmado estatisticamente que há diferença significativa entre todas as categorias de meses, encontrado a proporção de 151,41% com um grau de confiança de 95%, sendo estabelecido na tabela do qui-quadrado 11,071%.

Estabelecido para as categorias um valor esperado em literatura, de acordo com Teixeira, Tavaro Júnior e Limas (2004), para 1 a 3 meses, o valor esperado é de 80%, encontrado apenas 29%, um valor inadequado para a realidade de troca de mix de produtos de vestuário. Para a categoria de 3 a 6 meses, o valor esperado é de 10%, no entanto o valor real foi de 43%, e para todos as outras categorias de meses, o valor esperado é de 0%, mas apresentou-se nos 12 a 15 meses 14%, valor inesperado em um processo produtivo ideal na indústria de confecção.

5. Conclusão

A formação do Engenheiro de Produção dentro do APL de Maringá é somente uma formação prática a partir do momento em que o acadêmico vai para empresa. Não há projetos de iniciação científica entre empresas e academia e laboratórios suficientes para um aprendizado prático. Há pouca formação humana no curso da universidade, pelo fato que após formados os engenheiros exercem cargos de gestão de pessoas e processos.

Porém, a cultura da MPEs do APL de Maringá é caracterizada por meios de adaptação do momento e da situação sem planejamento. Os proprietários das confecções geralmente vêm de culturas de empresa familiar, sem muita aceitação de mudanças e treinamento empresarial.

Enfim, o problema não está somente na formação ou na cultura da empresa, mas na aceitação de novas práticas de processos como as FPE. Trata-se de um processo contínuo de erros, um decorrente do outro. Para solucionar tais erros é necessária uma maior comunicação e ação entre universidade e empresa, proposta a qual deve ser realizada pela governança coorporativa do próprio APL de confecção de Maringá. Através de um programa de capacitação e consultoria empresarial fornecida pela universidade e projetos de iniciação científica e extensão com parceira com as empresas por meio de pesquisa aplicada, para conhecimento dos acadêmicos da realidade empresarial.

Referências
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BOOG, G. G. Manual de Treinamento e Desenvolvimento: um guia de operações - manual oficial da ABTD. São
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locais de micro e pequenas empresas. In: “Pequena empresa: cooperação e desenvolvimento local”. Rio de
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DENNIS, P. Produção Lean simplificada. Porto Alegre: Bookman, 2008.
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KRAFCIK, J. F. Triumph of the lean production system. Sloan Management Review, Vol. 30, n. 1, 1988.
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TRIOLA, M. F., Introdução à estatística, 7ª ed., Rio de Janeiro: JC, 1999, 410p.
WOMACK, J. P.; JONES, D. T.A mentalidade enxuta nas empresas. Rio de Janeiro: Campus, 2004.
CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. M.; MACIEL, M. L. (orgs.) O foco em arranjos produtivos e inovativos

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