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:: Inovação e Criatividade

Inovação é a prioridade do Brasil para 2010

Cínthia Nascimento Coelho

A performance de sua empresa no novo cenário econômico está diretamente relacionada com a sua capacidade de inovar. Mais do que uma simples constatação, a afirmação representa um importante pré-requisito para organizações que buscam se destacar frente a um mercado cada vez mais competitivo.

A regra é válida para nações desenvolvidas e emergentes que já consideram a inovação um pré-requisito para o busca da qualidade de produtos e serviços, para a redução de custos e para a conquista de novos mercados. Não é difícil concluir que ser inovador é a meta da indústria nacional. Em agosto deste ano, a Confederação Nacional da Indústria - CNI e um grupo formado por executivos e empresários de 200 companhias brasileiras e multinacionais que atuam no país, entre elas Gerdau, Natura, Embraer, Coteminas, Ford e Fiat, lançaram um manifesto onde se comprometem a duplicar as ações de inovação em seus negócios até 2014. De acordo com a CNI, 30 mil empresas usam algum tipo de inovação nas suas produções e cerca de 6 mil investem na área de P&D. A meta também é duplicar o número de empresas inovadoras no país.

Apesar de toda a importância do tema, a inovação ainda não decolou por aqui. O país é responsável por 2,2% da produção científica mundial, ocupa o incômodo 24ª lugar no ranking dos países mais inovadores do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi). Em 2008, fomos responsáveis por 451 patentes, contra 53.521 dos Estados Unidos, que ocupam o primeiro lugar. Números incoerentes com a imagem que o país pretende vender ao mundo.

Por trás destes números, está a precaução das empresas em apostar em novas estratégias no pós-crise. Mas, para o mestre em Engenharia da Produção e coordenador do curso de pós-graduação Gestão da Inovação em Empresas do Ietec, Luiz Polignano , inovar é assumir riscos: “Este é o  momento ideal para se investir, desenhar e implantar projetos, desde que as empresas tenham planejamentos bem definidos, priorizados e riscos mitigados. Isto implica em entender bem duas disciplinas: Gerenciamento de Portfólio e Gestão de Riscos”, afirma.

Após a forte a recessão econômica mundial, um conselho se tornou unanimidade no mundo dos negócios: reveja a sua estratégia e aposte na inovação. Dois segmentos da econômica incorporaram bem essa sugestão, o automobilístico e a siderurgia.

Um bom exemplo vem do Centro de Desenvolvimento de Produto – CPD da Iveco Latin America, em Sete Lagoas que há um ano atua diretamente no projeto e aperfeiçoamento de vários lançamentos da empresa e no desenvolvimento e testes de novas tecnologias ecologicamente sustentáveis para motorização de caminhões.

“Hoje, já possuímos veículos de baixo consumo com bom desempenho e continuamos aprimorando essa tecnologia. Além disso, temos projetos em andamento e parcerias que, em breve, serão apresentados para o mercado trazendo benefícios com significativa redução nas emissões de poluentes e significativa redução do consumo de combustível”, explica Marcello Mota, gerente de plataforma de veículos leves da Iveco.

Um dos projetos da Iveco em andamento hoje é a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - VBTP, feito em conjunto com o Exército Brasileiro, para oferecer uma viatura militar de 18 toneladas capaz de carregar 11 soldados. O primeiro protótipo será construído na fábrica de Sete Lagoas e deve estar pronto em 2010 para o início da fase de testes. Uma das metas do programa é que mais de 60% dos componentes do VBTP sejam fabricados no Brasil, reduzindo custos de produção e manutenção.

O que é importante ser levado em consideração é que a inovação não é apenas de produtos, mas também de processos e de estratégia de comercialização. Não é apenas de pesquisa e desenvolvimento, mas também sobre como usar o conhecimento que, nas palavras do diretor da CNI, José Augusto Fernandes, é o grande desafio das organizações hoje. Atualmente, o CPD da Iveco conta com 210 – 10% a mais do que na época da inauguração.

A Usiminas também é exemplo de inovação eficiente. Entre 1992 e 2008, a Usiminas apresentou 600 pedidos de patentes junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI, o que posiciona a empresa como a segunda do Brasil e a primeira no ramo de siderurgia e mineração a se destacar no quesito inovação. Estes dados integram o estudo realizado pela Prospectiva Consultoria, que catalogou as solicitações de patentes de um grupo de dez empresas nacionais.

O primeiro lugar é ocupado pela Petrobras, com 1.113 registros, seguida pela Usiminas, Vale, com 365 patentes, e a CSN, com 344. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas – CPD, localizado em Ipatinga, MG, é referência na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de produção e aplicação de aços em âmbito latino-americano.

"O CPD da Usiminas é o mais bem equipado do País e o que tem mais profissionais dedicados em tempo integral à pesquisa", ressalta o diretor de Pesquisa e Inovação da siderúrgica, Darcton Damião. O centro é o único do Brasil a simular, por meio de linhas-pilotos, as fases dos processos produtivos de aço, desde a coqueria até o laminador. As equipes também atuam em estudos sobre novas aplicações e tipos de aço, melhorias nos processos produtivos da usina, seleção e implementação de novas tecnologias e em avaliações laboratoriais.

Atenta às futuras demandas, a Usiminas pretende ampliar seus investimentos no setor, com foco nos mercados de energia eólica, óleo e gás e construção civil. Também irá reforçar os estudos para promover a eficiência energética do aço. Desde a sua implantação, incluindo equipamentos e instalações, mais de US$ 100 milhões foram aplicados nas atividades de pesquisa e desenvolvimento.
 

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