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:: Gestão de Projetos

O que é ser bom em Gerenciamento de Projetos?

Ricardo Vargas

Especialista e consultor em gerenciamento de projetos, riscos e portfolio. Autor de diversas obras sobre o tema, com mais de 200 mil exemplares vendidos mundialmente. Responsável por mais de 80 projetos de grande porte em diversos países. Junto com o Ietec e outras instituições, deu suporte para a criação do capítulo PMI (Project Management Institute) em Minas Gerais. Recebeu em 2005 o prêmio PMI Distinguished Award pela sua contribuição para o desenvolvimento do gerenciamento de projetos. É hoje o primeiro voluntário latino-americano a exercer a função de presidente do conselho diretor (Chairman) do PMI.


Eu posso afirmar, com toda a certeza: temos no Brasil profissionais de gerenciamento de projetos muito bons. Esta foi a minha conclusão depois de participar, pela primeira vez, de um congresso do PMI, em 1998, em Long Beach, nos Estados Unidos. E sabe por que nós somos bons? Porque temos características culturais que tornam o nosso povo um grande diferencial.

Temos alegria para fazer as coisas. Isto diminui obstáculos e aumenta a efetividade do que fazemos. Uma outra característica dos brasileiros que merece ser ressaltada é que sabemos improvisar como ninguém e, por isto, desenvolvemos uma importante habilidade em lidar com os problemas. O que posso dizer é que os profissionais de outros países ficam impressionados com a nossa capacidade de adaptação.

Somos muito bons profissionais inseridos em um contexto excepcional para o Brasil. Nosso país mudou muito, sem aqui fazer nenhum julgamento político. Somos vistos como um país promissor e repleto de oportunidades. Nossos profissionais são respeitados no mundo todo.

Mas é importante destacar aqui que os profissionais de gerenciamento de projetos têm um longo caminho pela frente na busca de um status ainda melhor do que conseguimos hoje. O que quero dizer é que nós ainda não podemos comparar o gerenciamento de projetos executado aqui com o que é executado nos Estados Unidos, por exemplo. Nossas dificuldades são ainda latentes: qualificação da mão de obra, a criticidade e a falta de recursos. Nós somos muito melhores do que éramos antes, porém, temos ainda um espaço enorme para crescer, sem dúvida.

O que temos que ter em mente é que o que vai fazer o Brasil ser um país de futuro está relacionado diretamente com a nossa capacidade de empreender muito bem os nossos projetos. E para isto acontecer, precisamos ter gerentes de projetos muito bons. É justamente neste aspecto que afirmo com certeza: não existe nenhum tipo de crise para quem é bom. O que ocorre é que falta gente boa no mundo. Sobra qualificação, mas ainda falta talento para atender a demanda de crescimento do país.

Só para esclarecer: talento em gerenciamento de projetos não é única e exclusivamente conhecimento técnico. Talento não se conquista fazendo cursos, conhecendo o modelo do PMI, participando de eventos, conhecendo outras metodologias. Talento em gerenciamento de projetos é liderança, é possuir habilidades humanas que não são tão simples de serem adquiridas.

É interessante observar que a maior parte das pessoas que seguiu a carreira de Gestão de Projetos são graduadas na área de Exatas. Isto acontece porque esses profissionais ganharam, ao longo dos anos, um volume considerável de conhecimento técnico, mas que, ao aplicá-los, perceberam que possuem grandes dificuldades em lidar e gerir pessoas. Então, começamos a ver inúmeros profissionais competentes no que fazem, mas totalmente despreparados no trato humano.

O que é importante para todo o gerente de projetos saber é que é possível para ele conseguir êxito se apoiando mais na habilidade humana do que na técnica. A técnica está sobrando, a habilidade humana está faltando. Se você sabe, de forma humana, fazer as coisas acontecerem, você atinge o sucesso.

Talento em Gestão de Projetos também está ligado à atitude profissional. Digo isto porque é muito comum ouvir de alguns profissionais: “Eu fiz um MBA em Gestão de Projetos, tenho agora a certificação PMP e, por isto, vou construir o novo aeroporto de Dubai”. Gente, isto não existe! O que quero dizer para estes profissionais que insistem que técnica é tudo é: sorte só aparece para quem trabalha muito para fazer a sorte acontecer. Cave as suas oportunidades, corra atrás.

Existe muito espaço no mercado para quem quer crescer. Mas não se acomode com títulos. Busque novos diferenciais porque se você for igual a todo mundo e oferecer sempre a mesma coisa, você corre o risco de não mostrar resultados importantes e, com isto, não agregar valor ao seu trabalho.

A mudança no perfil de trabalho nos últimos anos foi tão grande que hoje podemos perceber que as pessoas trabalham muito mais com projetos. A própria administração geral das empresas mudou. A gente tem que abrir a nossa cabeça. O nosso mercado não pode se restringir à Belo Horizonte, Minas Gerais, ao Brasil, à América Latina. O nosso mercado é o mundo. O cliente está no mundo. Quando você adquire esta percepção, você amplia o seu mercado e cria oportunidades. Mas volto a dizer: oportunidade somente para quem é bom.

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