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:: Meio Ambiente

A Gestão Ambiental nas Organizações

João Batista dos Santos

Pós-Graduado em Gestão Ambiental Empresarial pelo IETEC
 

RESUMO

Diante da perplexidade mundial frente aos efeitos ambientais resultantes da atuação do homem sobre a natureza, percebe-se finalmente que o crescimento econômico da maneira como tem sido conduzido só pode levar a um resultado: caos. A análise das práticas de controle de qualidade mostra que não basta somente qualidade de produto e de processo, precisa-se de qualidade ambiental. E esta só pode ser alcançada com o comprometimento não só do governo e dos indivíduos, mas também do meio empresarial.

Entre as tecnologias disponíveis, as normas e regulamentos para sistemas de gestão ambiental são um esforço no sentido de as organizações assumirem suas responsabilidades frente ao futuro do planeta. A compreensão do processo de gestão ambiental faz a grande diferença quando da constatação dos resultados empresariais.

Este trabalho é fruto de intensa pesquisa teórica na área de gestão ambiental, traçando-se paralelos com o potencial de contribuir para o desenvolvimento sustentável das organizações.

Palavras-chave: gestão ambiental, desenvolvimento sustentável, qualidade.

ABSTRACT

Amid a stunned world about the environmental effects, that is the outcome of the man action over the nature, it is notable that the current economic growth will wind up nowhere but the chaos. Analysis of quality control practices leads to a need of environmental quality, not just product or process. Besides the State and society support, it can only be reached if the organizations stick for it as well.

Among available technologies, the norms and rules for systems of environmental management are an effort so that companies are pushed to take their comittment upon the future of the planet. The understanding of the technological innovation process, is what makes the difference off organizations results.

This work results from an intense theoretical research on the area of environmental management, tracing parallels were with the potencial to contribute in the sustentable implementation in the organizations.

Word-keys: environmental management, sustentable implementation, quality.

Introdução

Temas ambientais transformaram-se em um ponto crítico para os negócios nos últimos anos. Para as organizações, conformidade com regulamentos, decisões legais de responsabilidade financeira por danos ambientais e aumento da importância dada por parte dos clientes e grupos interessados, aos efeitos ambientais relatados na manufatura do produto, têm feito do fator ambiental uma variável estratégica, com implicações em produtos, processos e procedimentos de operação, controle e gerenciamento.
 
Para a boa imagem da organização e a manutenção e ampliação dos seus mercados tornou-se fundamental agregar ao sistema de gerenciamento a gestão do meio ambiente.

Tomados juntos o crescimento econômico, a deterioração ambiental, o aumento das tendências em direção à transparência dos processos industriais e o crescimento dos custos de desobediência às regulamentações ambientais, implica-se uma necessidade de minimizar o impacto ambiental das atividades organizacionais e, simultaneamente, manter ou aumentar os níveis de produtividade em um mercado competitivo global. Assim, o grande desafio das organizações é conciliar o crescimento econômico com a preservação dos recursos naturais.

No sentido de mudar o paradigma do crescimento econômico ilimitado e para atender às pressões por uma maior qualidade ambiental, a gestão ambiental propõe um sistema onde há a possibilidade de desenvolvimento de uma produção ecologicamente correta, de construção de uma cultura baseada em valores ambientais e, além disso, de que tudo isso seja adaptado à realidade de cada organização.


 
Objetivos

Objetivo geral

Demonstrar a importância da implantação e manutenção de um sistema de gestão ambiental e, além disso, que este sistema possa ser visto como inovação tecnológica na organização.


Objetivos específicos

1. Destacar a evolução da preocupação com qualidade, desde a ênfase na qualidade do produto e do processo até a ênfase no meio ambiente;
2. Dissertar sobre o processo de mudança organizacional e, mais especificamente, sobre o processo de inovação tecnológica;
3. Comprovar que o sistema de gestão ambiental é requisito fundamental para as organizações manterem-se competitivas no atual cenário mundial.


Metodologia

O desenvolvimento do tema proposto foi realizado através de pesquisa bibliográfica. No entanto, a principal limitação é a falta de disponibilidade de estudos direcionados especificamente para o sistema de gestão ambiental.

Levando em consideração a inexistente bibliografia específica, a grande contribuição deste trabalho é exatamente o seu pioneirismo em explorar o sistema de gestão ambiental, com fator de sobrevivência das organizações no século XXI.

Acredita-se que a abordagem proposta para estudo é válida na medida em que apresenta-se como um instrumento que permite a análise da introdução de um sistema de gestão ambiental e o inerente processo de mudança, traçando-se uma visão geral do impacto dos fatores ambientais na organização até o ponto de início da operacionalização do sistema.

Resultados e Discussão

Diante da evolução das respostas do setor produtivo à questão do meio ambiente, surgiu a idéia de gestão ambiental que versava sobre uma gerência global nesta área.

Segundo D’Avignon (1995), gestão ambiental é a "parte da função gerencial que trata, determina e implementa a política de meio ambiente estabelecida para a empresa". No dicionário básico de meio ambiente encontra-se a seguinte definição para gestão ambiental: "tentativa de avaliar valores e limites das perturbações e alterações que, uma vez excedidos, resultam em recuperação demorada do meio ambiente, e de manter os ecossistemas em condições de absorver transformações ou impactos, de modo a maximizar a recuperação dos recursos do ecossistema natural para o homem, assegurando sua produtividade prolongada a longo prazo". Desta maneira, implementar um sistema de gestão ambiental em uma organização implica em alterações em políticas, estratégias, reavaliação de processos produtivos e principalmente, no modo de agir.

A mudança de comportamento não se refere somente à introdução da filosofia de proteção ao meio ambiente nas atividades organizacionais, na verdade, implica em uma revisão de valores também das pessoas que trabalham na organização. E assim alcançar uma administração realmente ecológica.

Nas organizações, nem sempre gestão ambiental significa um cuidado verdadeiro com o meio ambiente. Em Callenbach et al. (1993) encontra-se uma distinção entre administração ambiental e administração ecológica (ou gerenciamento ecológico). A primeira significa abordagem defensiva e reativa, exemplificada pelos esforços ambientais reativos e pela auditoria de cumprimento; o segundo termo implica na abordagem ativa e criativa com o objetivo de minimizar o impacto ambiental e social das empresas, e tomar todas as suas operações tão ecologicamente corretas quanto possível".

O novo paradigma parte, então, do reconhecimento de que os problemas ecológicos do mundo não podem ser entendidos isoladamente, mas sim de forma sistêmica - interligados e interdependentes" (Callenbach et al., 1993). Reforça esta visão sistêmica Kinlaw (1997): "um sistema ecológico é o fluxo de matérias ou informações que partem dos elementos inorgânicos para os elementos vivos e de volta para os primeiros, e assim por diante". Este novo modo de pensar exige uma mudança de valores, passando da expansão para a conservação, da quantidade para a qualidade, da dominação para a parceria.

Assim, para que uma organização passe a realmente trabalhar com "gestão ambiental" ou com "gerenciamento ecológico" deve, inevitavelmente, passar por uma mudança em sua cultura empresarial, por uma revisão de seus paradigmas.

Na visão do gerenciamento ecológico, as preocupações sociais e ambientais não devem competir. Se as questões sociais, trabalhistas ou culturais parecerem conflitar com a pauta ambiental, a empresa pode estar no caminho errado. A gestão ambiental inclui não só a preocupação com o meio ambiente enquanto recursos naturais, mas também uma relação de respeito com a sociedade. Sociedade esta que, cada vez mais, se mostra mais consciente quanto à questão ambiental.

A pressão da sociedade também é um dos fatores que leva as empresas à mudança de comportamento. Cresce então a responsabilidade social das organizações neste contexto de mudança de valores na sociedade. Mudanças essas que incluem a responsabilidade de ajudar a sociedade a resolver alguns de seus problemas sociais, muitos dos quais as próprias organizações ajudaram a criar.

Menciona Donaire (1995) o contrato social entre empresa e sociedade, ou seja, a sociedade dá à organização a liberdade de existir e trabalhar por um objetivo legítimo. O pagamento dessa liberdade é a contribuição da empresa com a sociedade. Os termos deste contrato estão permanentemente sendo reavaliados de acordo com as modificações que ocorrem no sistema de valores da sociedade. E entre as mudanças mais evidentes atualmente, no que se refere à questão ambiental, é a percepção de que crescimento econômico não está necessariamente relacionado ao progresso social. Muitas vezes, está associado à deterioração física do ambiente, condições insalubres de trabalho, exposição a substâncias tóxicas, discriminação de certos grupos sociais e outros problemas sociais.

As pressões sociais que impõe à alta administração a obrigatoriedade de direcionar suas ações de modo a ter um comportamento ecologicamente correto, contam com a contribuição de diversos agentes de mudança. Os agentes são o governo, a sociedade, as empresas e as organizações internacionais e nacionais de administração ambiental, os quais exercem pressões em direção à mudança.

As empresas estão sob uma crescente pressão para mudar. De acordo com Kinlaw (1997), as pressões sobre as empresas para que respondam às questões ambientais incluem:
1. Observância da lei. A quantidade e o rigor cada vez maiores das leis e regulamentos.
2. Multas e custos punitivos. As multas por não-cumprimento da lei e custos incorridos com respostas a acidentes estão crescendo em freqüência e número.
3. Organizações ativistas ambientais. Tem havido uma proliferação desses grupos em níveis internacionais, nacional, estadual e local.
4. Cidadania despertada. Os cidadãos estão ficando informados e estão buscando uma série de canais pelos quais possam expressar seus desejos ao mundo empresarial.
5. Sociedades e associações. Associações de classe, de comércio e várias coalizões estão dando início a programas que possam influenciar um comportamento empresarial voltado ao meio ambiente.
6. Códigos internacionais de desempenho ambiental. Os "Princípios Valdez", publicados pela Coalization for Environmentally ResponsibleEconomies, e a "Carta do Meio Empresarial pelo Desenvolvimento Sustentável", desenvolvida pela International Chamber of Commerce, estão criando pressões globais para o desempenho ambiental responsável.
7. Investidores. O desempenho ambiental das empresas e o potencial risco financeiro do desempenho fraco (multas, custos de despoluição e custas de processos) ajudarão a determinar o quão atraente serão suas ações para os investidores.
8. Consumidores. Os consumidores estão em busca de produtos e serviços que preservem o meio ambiente e se tornando informados o bastante para questionar as campanhas maciças de propaganda ambiental.
9. Mercados globais. A concorrência internacional existe hoje no contexto de uma enorme gama de leis ambientais que não mais permitirão que empresas de países desenvolvidos exportem sua poluição para países em desenvolvimento.
10. Política global e organizações internacionais. Uma variedade de organizações e fóruns internacionais exercem uma pressão direta sobre as nações, o que afeta o mundo empresarial.
11. Concorrência. A pressão que se coloca na interseção de todas as outras provém da concorrência e daquelas empresas que estão adotando o desempenho sustentável, reduzindo seus resíduos e custos e descobrindo novos segmentos de mercado.

Importante observar que nenhuma pressão existe independente de outras, e todas elas têm um impacto na capacidade de competir.

A ampliação do conceito da qualidade a ponto de incluir a qualidade ambiental, a mudança de paradigma representada pela gestão ambiental e as pressões para mudança levaram ao questionamento do atual paradigma de crescimento econômico. Surge então o conceito de desenvolvimento sustentável, conforme discutido a seguir.

A gestão ambiental tem sido tradicionalmente vista como um dispendioso impedimento à produtividade. De acordo com Porter (1995), a visão que prevalece ainda é: ecologia versus economia, ou seja, de um lado estão os benefícios sociais que se originam de rigorosos padrões ambientais, e de outro lado, os custos que, neste enfoque, conduzem a altos preços e baixa competitividade. No entanto, Porter reconhece que os padrões ambientais podem desencadear inovações que venham a diminuir o custo total de um produto ou mesmo aumentar o seu valor. Tais inovações permitem às empresas utilizar suas entradas de forma mais produtiva, compensando os custos de diminuição dos impactos ambientais e acabando com o impasse entre economia e proteção ambiental.

O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu em 1987, no relatório da Comissão Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (World Commission on Environment and Development). Os termos de requisição para o desenvolvimento do relatório eram:
1. Propor uma estratégia ambiental de longo prazo para o alcance do desenvolvimento sustentável por volta do ano 2000 e além; e
2. Identificar como as relações entre as pessoas, recursos, ambiente e desenvolvimento poderiam ser incorporadas em políticas nacionais e internacionais.

A Comissão se concentrou no desenvolvimento sustentável como uma abordagem que utiliza os recursos naturais sem comprometer a capacidade de futuras gerações atenderem às suas necessidades. Significa o equilíbrio do crescimento econômico com a proteção ambiental.

De acordo com Maimon (1996), o desenvolvimento sustentável é mais do que um novo conceito, é um processo de mudança, onde a exploração de recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento ecológico e a mudança institucional devem levar em conta as necessidades das gerações futuras. A ênfase na ecologia está na origem do termo sustentável, quando da procura do equilíbrio entre os ritmos de extração que assegurem um mínimo de renovabilidade para o recurso. A ênfase no econômico acarreta a busca de estratégias que visem à sustentabilidade do sistema econômico. A ênfase no social visa criar as condições sócio-econômicas da sustentabilidade, ou seja, o atendimento às necessidades básicas, melhoria do nível de instrução, etc.

Além disso, o desenvolvimento sustentável não questiona a ideologia do crescimento econômico, que é a principal força motriz das atuais políticas econômicas e, tragicamente, da destruição do ambiente global. O que se rejeita é a busca do crescimento econômico irrestrito, entendido em termos puramente quantitativos, como maximização dos lucros.

A nova maneira de fazer negócios para a qual as empresas estão convergindo é o "desempenho sustentável" (Kinlaw, 1997). Este movimento está ocorrendo devido às pressões que estão criando a necessidade de mudança para um desempenho coerente com o desenvolvimento sustentável. Assim, a variável ecológica se faz presente nas organizações empresariais modernas.

A partir da década de 80 houve uma mudança na postura das empresas, ou seja, começaram a ser descartadas algumas das práticas reativas ao meio ambiente. A responsabilidade ambiental passa, gradativamente, a ser encarada como uma necessidade de sobrevivência. A estrutura empresarial voltada para os velhos padrões capitalistas já não serve para um mundo em ritmo de globalização, onde a consciência ecológica está em franco desenvolvimento.

As organizações encontram-se frente a uma nova situação. Na visão da empresa apenas como uma instituição econômica, suas preocupações são voltadas quase que exclusivamente para a maximização dos lucros e minimização dos custos. Baumol & Oates (1979, in Maimon, 1996) denominam este comportamento como reativo, onde a empresa responde à sinalização do mercado e à regulamentação dos órgãos de controle ambiental. A empresa vivencia uma contradição entre a responsabilidade ambiental e o lucro.

Na visão moderna da empresa, o contexto é muito mais complexo e amplo. Muitas das decisões internas da organização requerem considerações explícitas das influências do ambiente externo, incluindo considerações de caráter social e político que se somam às tradicionais considerações econômicas. Callenbach et al. (1993) comenta que é possível que os investidores e acionistas usem cada vez mais a sustentabilidade ecológica, no lugar da estrita rentabilidade, como critério para avaliar o posicionamento estratégico de longo prazo das empresas.

As preocupações relativas às questões de proteção ambiental vem dando resultados, mudando o comportamento das empresas e promovendo um novo modelo de comportamento em âmbito mundial. A empresa que aceita e bem conduz suas responsabilidades ambientais preservando seu lucro tem um desempenho sustentável, ou seja, traduz o conceito de desenvolvimento sustentável em práticas empresariais.

O desempenho sustentável representa uma nova forma de percepção da empresa como um sistema, redefine as relações tradicionais entre os elementos de insumo, processo de trabalho e produto final.

Portanto, as empresas do século XXI têm pela frente novos desafios a serem enfrentados. As tendências que provavelmente farão parte do cenário futuro incluem em sua maioria a questão ambiental.

Conclusão

Neste sentido, a gestão ambiental tende a significar uma mudança de comportamento frente ao meio ambiente, em termos de responsabilidade e consciência, que vai além do ambiente da empresa, apresentando-se como uma ferramenta de inovação tecnológica. O sistema de gestão ambiental adotado por cada organização pode impulsionar uma mudança cultural como também aumentar competitividade da empresa no mercado, dando início a uma série de mudanças na maneira como as coisas são feitas na organização e, na grande maioria dos casos, levando a uma maior participação e efetividade frente a concorrência.

Referências Bibliográficas

 
CALLENBACH, Ernest, et al. Gerenciamento ecológico. São Paulo : Cultrix/Amana, 1993.

D’AVIGNON, Alexandre L. de Almeida. "Sistemas de gestão ambiental e normalização ambiental". Segmento da apostila utilizada no curso sobre "Auditorias Ambientais" da Universidade Livre do Meio Ambiente. Curitiba, 1996.
 
DONAIRE, Denis. Gestão ambiental na empresa. São Paulo : Atlas, 1995.

KINLAW, Dennis C. Empresa competitiva e ecológica. São Paulo : Makron Books, 1997.

MAIMON, Dalia. Passaporte Verde: gerência ambiental e competitividade. Rio de Janeiro : Qualitymark, 1996.

PORTER, Michael e LINDE, Class van der. "Green and competitive: ending the stalemate". HBR - Harvard Business Review. Set./out., pgs. 120-134, 1995.

 

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