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:: Gestão de Projetos

Adequando as melhores técnicas de gerência de projetos de TI à realidade do Banco Mirassol.

Fábio Vinicius Fonseca Roseira

Pós-graduando em Gestão de Projetos - IETEC
Bacharel em Tecnologia da Informação  - Newton Paiva

O Banco Mirassol (BM) é um banco de médio porte, mineiro, que investe muito em tecnologia e segurança da informação. Ele conta com mais de 200 funcionários exclusivos da área de TI para dar apoio ao negócio. Além deles, parceiros prestam serviços de desenvolvimento, outsourcing, entre outros.

Tecnologicamente falando, o banco conta com as mais diversas plataformas de desenvolvimento, desde ambiente de grande porte, no qual se concentram as operações financeiras do banco, a sistemas menores de apóio a decisão e suporte ao negócio.

Já existe uma tímida disseminação das melhores técnicas de gerência de projetos na empresa, porém devido ao porte da maioria dos projetos ser de pequeno a médio, ainda não houve um investimento significativo nessa área.
Esse artigo visa definir quais práticas são as mais adequadas à realidade do BM, levando-se em consideração os procedimentos e ferramentas já existentes.

Palavras-chave: Gestão de projetos; tecnologia da informação; melhores práticas; PMI

Introdução

A área de TI do Banco Mirassol, junto com parceiros externos, suprem todas as soluções tecnológicas demandadas pelas áreas de negócio do banco.
Essas solicitações, variam desde desenvolvimento de um novo produto financeiro como empréstimos, aplicações, etc., a atender uma determinação do Banco Central, órgão regulador do setor. Diversas solicitações departamentais também estão inseridas nesse contexto.

Devido ao fato do BM já atuar no mercado há mais de meio século, possuindo um portfólio amplo para atender seus clientes, e contando também com a situação de estabilidade da economia nos últimos anos, a maioria dos projetos encomendados a TI é de porte pequeno a médio, não excedendo mil horas de trabalho.

A metodologia sugerida nesse artigo é baseada no cenário explicitado, onde o número de projetos para a área de TI é alto, com foco de atuação financeiro, contábil e / ou administrativo, podendo ou não necessitar de terceiros, e na sua maioria de porte pequeno a médio.

Adequando a metodologia a realidade do Banco Mirassol

De acordo com Prado (1999), os processos de TI são diferentes de outros projetos tanto pela complexidade e ausência de produtos intermediários às entregas, quanto pela dificuldade de comunicação entre executor e cliente.

No BM, a cada novo atraso nos projetos ficava evidente a necessidade de adoção de uma metodologia atual para a gestão de projetos. Essa ausência impacta diretamente em prazo, custo e qualidade das entregas.

Baseado no PMBOK que cita que cada empresa deve adequar as melhores técnicas de gerenciamento de projetos a sua realidade, será proposta uma metodologia que atenda o perfil do banco.

O BM possui uma ferramenta eletrônica chamada Solicitação de Atendimento (SA), que integra diversas áreas do banco a TI. Ela funciona como um workflow de processos, no qual uma solicitação de serviço, seja ela de desenvolvimento de sistemas ou manutenção, é criada, redirecionada a um executor e futuramente esse a atenderá, finalizando o processo. Essa ferramenta será alterada para prever entregas das melhores práticas de gestão de projetos adotadas para o BM.

A primeira definição essencial é a necessidade de um documento de escopo de alto nível, no qual será descrito todo trabalho necessário para atender ao que foi solicitado. Esse documento deverá ser submetido para aprovação do solicitante.

Visando garantir e não ultrapassar os limites do projeto, existe a possibilidade de alteração do escopo previamente aprovado, porém um documento complementar deve ser registrado e aprovado.

Outro documento importante no processo de gerenciamento proposto para o BM é a EAP. Segundo o PMBOK (2003), o processo de criar a EAP consiste em subdividir as principais entregas do projeto e do trabalho do projeto em componentes menores e mais facilmente gerenciáveis.

A confecção da EAP para o BM tem o objetivo maior de, pela decomposição dos pacotes, facilitar o dimensionamento do trabalho a ser realizado, logo facilitando além do gerenciamento, também o cálculo do esforço necessário para atendimento da solicitação.

A abordagem dos riscos de projetos será garantida inicialmente inserindo as atividades necessárias ao planejamento do risco na EAP e no cronograma.

Após o processo inicial de identificação dos riscos de projeto, será utilizada análise qualitativa e quantitativa para determinar quais riscos serão tratados e quais apenas serão citados. O objetivo é maximizar a probabilidade e conseqüências dos eventos positivos e minimizar a probabilidade e conseqüências dos eventos adversos ao projeto.

Durante a execução do projeto, serão adotados relatórios de progresso para comunicar aos stakeholders sobre o seu status. Entre outras informações importantes a serem comunicadas, está o esforço planejado versus desempenho real do projeto.

De acordo com Martins (2006), a correção de problemas de implantação de software é de 100 a 1000 vezes mais onerosa após a implantação do sistema do que no início do projeto, logo, com o objetivo de garantir a qualidade das entregas e com o intuito de reduzir prejuízos após a implantação com produtos que não atendam ao cliente, serão definidos e registrados marcos de controle e verificação da qualidade.

De posse da metodologia revisada e aprovada, serão feitas alterações na ferramenta SA para facilitar o acompanhamento dos envolvidos. O treinamento nas técnicas definidas é imprescindível, assim como a divulgação para quem se julgar necessário.

Conclusão

Segundo Senra (2006), um projeto é bem sucedido quando concluído dentro do tempo e orçamento previstos, apresentou eficiência na utilização dos recursos solicitados e atingiu a qualidade desejada.

Mesmo com o amadurecimento das melhores práticas de gerenciamento de projetos, o sucesso na execução do mesmo não é garantido, porém a adequação dessas teorias a realidade de uma empresa é um grande passo a ser dado nesse sentido.

É interessante salientar que cada empresa deve identificar quais práticas de gerenciamento de projetos são adequadas a sua realidade, não empreendendo esforços desnecessários em disciplinas ou técnicas que não condizem com o seu perfil.

Referências Bibliográficas

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos: guia PMBOK. 3.ed. Newton Square: PMI, 2004. 388 p.

PRADO, Darci Santos do. Gerência de projetos em tecnologia da informação. Belo Horizonte: EDG, 1999. 44p.

MARTINS, José Carlos Cordeiro. Gerenciando projetos de desenvolvimento de software com PMI, RUP e UML: Rio de Janeiro: Brasport, 2004. 273p.

SENRA, Clênio. Técnicas de Gestão Aplicadas à Tecnologia da Informação: 2.1. Gerenciamento de Projetos. Belo Horizonte, 2006. Material do curso de Pós-Graduação em Gestão e Tecnologia da Informação realizada no IETEC. Apostila didática.

MENEZES, Luiz César de Moura. Gestão de Projetos. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2003.
 

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