Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Gestão e Tecnologia Industrial

O setor de compras agora é estratégico

Comunicação Ietec

Até bem pouco tempo atrás, o comprador era o funcionário operacional e burocrático em um setor conhecido como uma central de custos da empresa. Para desempenhar a função, uma agenda de contatos com fornecedores conhecidos era fundamental. Na hierarquia da empresa, o comprador sequer figurava entre os profissionais estratégicos. Contava com o suporte de um coordenador e, na maioria dos casos, reportava-se à área administrativa ou financeira da organização.

De orçamento em orçamento, a função de comprador vem sofrendo profundas transformações. São tantas as mudanças que não haveria exagero em afirmar que o cargo talvez seja o que mais tenha se transformado ao longo dos anos. Se a sua empresa ou se você mesmo ainda guarda na memória a imagem do comprador do passado, hora de se atualizar. E rápido.

A explicação para a mudança é fácil de se compreendida. O professor de pós-graduação em Administração de Compras pelo Ietec, Pedro Paulo Melo, explica que a redução nas margens de lucro em um mercado acirrado é uma nova realidade para as empresas. Garantir índices de lucratividade maiores exigem redução de custos. Por isto, organizações passaram a buscar mais eficiência e eficácia na gestão de seus negócios fazendo uso principalmente das parcerias com fornecedores para se tornarem competitivas.

Seguindo este raciocínio, qual o departamento da empresa mais próximo desta nova demanda? Sim, ele mesmo, o setor de Compras, cada vez mais visto como uma área de negociação e geradora de lucro. “Por estar na interface com os fornecedores, o setor de Compras se torna estratégico na medida em que cabe a ele articular ações que envolvam os fornecedores no esforço de tornar a empresa mais competitiva”, explica Melo.

Ainda de acordo com o professor, cabe aos profissionais de compras mais do que gerenciar processos de aquisição, cadastramento, qualificação e avaliação de fornecedores, por exemplo. O comprador de antigamente agora deve interagir com os demais setores da empresa, no sentido de identificar as necessidades de suprimentos e planejar as aquisições da empresa:

“O setor ganha importância estratégica uma vez que influencia o desempenho de outras unidades da organização por meio de negociação dos melhores preços, seleção dos melhores fornecedores, garantia de regularidade no suprimento de matérias-primas e serviços, e cumprimento de prazos”, afirma.

O resultado de profundas mudanças vem traduzido em números. No Brasil, somente no início desta década, executivos de 49% das 111 empresas consultadas pelo Conselho Brasileiro dos Executivos de Compras (CBEC) ocupam cargos de vice-presidência ou de diretoria. Em outra pesquisa sobre as melhores práticas em compras, também conduzida pelo CBEC, em 44% das empresas a área de Compras obtém entre 5% e 15% de redução de custos.

Por que é estratégico?

Saber comprar é garantir também a lucratividade dos negócios. Apesar de tudo o que se tem dito a respeito da importância estratégica da área de Compras, por sua capacidade de influenciar os resultados financeiros das empresas, muitos executivos ainda não se deram conta de sua importância ou simplesmente não conseguiram traduzir em ações seu suporte efetivo.

Para exemplificar seus efeitos nos lucros de um produto, imagine uma empresa de manufatura que apresenta uma margem de lucro de 10%. Em um faturamento de R$ 1 mil, ela terá gasto R$ 610,00 em compras e terá R$ 100,00 de lucro. Se ela quiser aumentar os lucros em R$ 10,00, ela terá três opções a seguir: ampliar o faturamento em 10%, reduzir o custo de aquisição em R$ 10 (o que significa reduzir os custos em 1,64%) ou reduzir os gastos gerais em R$ 10,00 (o que significa reduzir os custos em 3,4%).

“Pelo que podemos perceber, o caminho de menor esforço é o ganho através das compras, pois com a competitividade acirrada nos pontos de venda, grandes aumentos são raros. Além disto, as empresas já trabalham com estruturas extremamente enxutas, o que dificulta a redução dos gastos gerais”, explica o mestre em Administração de Empresas e coordenador da pós-graduação Administração de Compras do Ietec, José Ignácio Vilella Júnior.

Diante de todas as transformações, é fácil concluir que o perfil do profissional de compras sofre um profundo update. Para o professor do Ietec, Pedro Paulo, este profissional “precisa agora ter visão sistêmica. Precisa saber negociar, não apenas com fornecedores, mas também com clientes internos. Precisa tomar decisões com base nos indicadores de desempenho e estar atento ao ambiente externo, de modo a adotar estratégias de negociação coerentes com a conjuntura econômica”.

Esta é também a opinião da coordenadora de compras da Treviso, um dos maiores grupos econômicos da rede Volvo no Brasil, Selma de Lourdes: “Empresas necessitam de compradores que detenham conhecimentos em assuntos estratégicos. Ele precisa ser um bom negociador, ter iniciativa, capacidade de decisão, ser idôneo e ético”.


 

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo