Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Gestão de Projetos

O Aspecto Humano na Gestão de Projetos de Sucesso: A Influência da Inteligência Emocional

Adriano Torres de Lima Arantes e Cleisiane de Souza Lima

Pós-Graduados em Gestão de Projetos pelo Ietec.


O objetivo do presente artigo foi demonstrar como a Inteligência Emocional é muito importante para o sucesso de um determinado projeto. O construto de inteligência emocional tem sido definido como a capacidade de perceber, entender e usar precisamente as emoções em si e em relação aos outros, bem como gerenciá-las para facilitar os processos cognitivos e promover o crescimento pessoal e intelectual. A habilidade pessoal para perceber, identificar e gerenciar a emoção fornece a base para os tipos de competência social e emocional que são importantes para o sucesso de qualquer projeto.


KEYWORDS: Inteligência Emocional, Recursos Humanos, Comprometimento, Equipe e Gestão de Projetos.


INTRODUÇÃO

Todos falam que projetos são feitos de pessoas, por pessoas e para pessoas. Pessoas odeiam, choram, brigam, ficam de mau humor, mentem, dissimulam, adoecem, tem TPM, ressaca, esquecem, ou seja, possuem sentimentos que prejudicam a Gestão do Projeto. Pessoas amam, riem, harmonizam-se, ficam de alto astral, são verdadeiras, transparentes, sublimam-se, apresentam boas idéias, esquecem, enfim, possuem sentimentos que auxiliam a Gestão do Projeto. Assim, fica claro que a Gestão eficiente de pessoas é determinante para o sucesso do Projeto.

Costumava-se recrutar tendo em consideração a experiência, o saber fazer, a inteligência intelectual (racional). Agora, cada vez mais, temos que levar em consideração “outra” inteligência, a Emocional, não só para selecionar a equipe, mas também, e principalmente, para gerenciá-la. O desafio que se coloca nessa gestão é a questão da resolução de conflitos. É principalmente nesse ponto onde a inteligência emocional se faz mais importante.


INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

“Inteligência emocional refere-se à capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e os dos outros, de monitorar a nós mesmos e de gerenciar bem as emoções dentro de nós e em nossos relacionamentos.” (GOLEMAN, 1999, p. 337). Goleman (1999) ainda propõem a divisão da Inteligência Emocional em cinco competências emocionais e sociais básicas:
 

Autopercepção: saber o que estamos sentindo, fazer uma avaliação realista de nossas próprias capacidades e possuir autoconfiança bem fundamentada.
Auto-regulamentação: saber lidar com as próprias emoções, ser consciencioso, perseguir metas e ter boa recuperação emocional.
Motivação: utilizar nosso âmago para impulsionar-nos e guiar-nos na direção de nossas metas, termos iniciativa, sermos eficazes e perseverantes.
Empatia: pressentir o sentimento dos outros, conseguir ver pela ótica deles, cultivar a afinidade e a sintonia com os outros.
Habilidades sociais: lidar bem com as emoções nos relacionamentos, compreender situações sociais, interagir com facilidade, liderar, negociar e solucionar conflitos, fomentando a cooperação e o trabalho em equipe.
 

Para Cooper (1997), inteligência emocional é um conjunto de habilidades que permitem identificar e monitorar as nossas emoções e as emoções das pessoas com as quais nos relacionamos, discriminar os sentimentos envolvidos e usar essas informações para auxiliar na construção de pensamentos e na tomada de ação. Seguindo uma linha semelhante, Goleman (1995, p.46) afirma que Inteligência Emocional é “(...) a capacidade de criar motivações para si próprio e de persistir num objetivo apesar dos percalços; de controlar impulsos e saber aguardar pela satisfação de seus desejos; de se manter em bom estado de espírito e de impedir que a ansiedade interfira na capacidade de raciocinar; de ser empático e autoconfiante”. 

Cooper (1997, p. XVIII) finaliza: “A inteligência emocional é a capacidade de sentir, entender e aplicar eficazmente o poder e a perspicácia das emoções como uma fonte de energia, informação, conexão e influência humanas.”


GERENCIANDO COM IE

Segundo o PMI (2004, p.199), a gestão dos recursos humanos deve ser dividida em quatro processos básicos:
“Planejamento de recursos humanos: Identificação e documentação de funções, responsabilidades e relações hierárquicas do projeto, além da criação do plano de gerenciamento de pessoal; Contratar ou mobilizar a equipe do projeto: Obtenção dos recursos humanos necessários para terminar o projeto; Desenvolver a equipe do projeto: Melhoria de competências e interação de membros da equipe para aprimorar o desempenho do projeto; Gerenciar a equipe do projeto: Acompanhamento do desempenho de membros da equipe, fornecimento de feedback, resolução de problemas e coordenação de mudanças para melhorar o desempenho do projeto.”

Para Maximiano (2002), como administrador de pessoas, o gerente de projetos lida com competências, corações e mentes da equipe, trabalhando na dimensão humana e comportamental, lidando com as pessoas como pessoas e não como recursos do projeto.  Um Gerente de Projeto “tecnicamente capaz com um alto QE é quem capta – de forma mais total, hábil e rápida que os outros – os crescentes conflitos que exijam solução, os pontos fracos da equipe e da empresa que precisam ser corrigidos, as lacunas a serem identificadas ou preenchidas, as conexões ocultas que dão acesso a oportunidades e as obscuras e misteriosas interações que parecem mais indicadas - e mais lucrativas.” (COOPER, 1997, p. XV).

Na visão de Sarmento (2008), seu potencial não é expresso apenas pela capacidade produtiva ou competência técnica. Outros elementos, até menos tangíveis, como motivação, comprometimento e ética, são capazes de influenciar consideravelmente o desempenho dos projetos, podendo ser essa influência tanto positiva quanto negativa. Acrescento ainda que, relacionamentos entre os membros da equipe e a auto-estima dos seus membros, são tão importantes quanto qualquer outro motivo para o sucesso ou fracasso de um projeto.

A Inteligência Emocional atua de forma mais preponderante no 4º processo do PMI - Gerenciar a equipe do projeto e isso é claramente demonstrado quando analisamos as Ferramentas e técnicas sugeridas pelo PMI (2004, p.217):
Observação e conversas, que são usadas para manter o contato com o trabalho e as atitudes dos membros da equipe;
Avaliações de desempenho do projeto, que são usadas para fornecer feedback aos membros da equipe;
Gerenciamento de conflitos, que se bem sucedido resulta em maior produtividade e relações de trabalho positivas e
Registro de problemas, que ajuda a equipe a monitorar problemas até o encerramento.
Das quatro, três são altamente influenciadas pela Inteligência Emocional, pois somente o registro de problemas tem uma conotação mais racional.


CONCLUSÃO

Como visto acima, é preciso saber escolher as pessoas certas, para os lugares certos nas horas certas. Depois, fazer com que formem uma equipe unida, fazendo o melhor de si o tempo todo. Para isso é necessário ser também o Gerente certo. Pode-se perceber que em um projeto convivem diferentes profissionais tais como, engenheiros, técnicos e operários das mais variadas áreas. Cada um tem uma forma de ver o mundo, tem linguagem e valores próprios.

“Além da diversidade profissional, cada integrante da equipe é um exemplar único, com biografia, experiência, competência e outras características que o singularizam.” (MAXIMIANO,2002. p.166). Para que haja o desenvolvimento de um projeto, é preciso que a equipe se constitua unida e comprometida. Como equipe, os seus membros possuirão um objetivo comum, compartilharão conhecimentos e poderes complementando lacunas mutuas.  Entretanto, é preciso preservar a singularidade de cada um, respeitando-a, uma vez que é na diversidade que podem surgir novas idéias e conflitos para se chegar a um consenso. A diversidade de culturas traz multiplicidades de enfoques para lidar com problemas.

Um projeto é como um ser vivo único, tem o seu nascimento e o seu “crescimento” através de várias etapas distintas de desenvolvimento e um fim (ciclo de vida). Quando um gerente de projeto possui as competências decorrentes da autopercepção e auto-regulamentação, da motivação e empatia, de habilidades de liderança e de comunicação aberta, o projeto tem grandes chances de resultar num sucesso também único.


BIBLIOGRAFIA

COOPER, Robert K.; SAWAF, Ayman. Inteligência emocional na empresa. 9. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 380p.
GOLEMAN, Daniel. Trabalhando com a inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. 412 p.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. 63. ed. Rio de Janeiro:Objetiva, 1995
MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Administração de projetos: como transformar idéias em resultados. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 281 p.
SARMENTO, Valdair. Gestão de Recursos Humanos na Gestão de Projetos de Obras Industriais, 2008 disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/gestao_de_recursos_humanos_na_gestao_de_projetos_de_obras_industriais/26076/> Acesso em: 20 de janeiro de 2009.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE – PMI. Um Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK), 3. ed. 2004. 388 p.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo