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:: Gestão de Projetos

Implantação da manutenção autônoma no processo produtivo

Ricardo Rodrigues dos Santos

Engenheiro de Processo da Magnesita Refratários S/A
Pós-graduado MBA Administração de Projetos pelo Ietec

A cada dia as empresas encontram um mercado mais competitivo e a Manutenção Autônoma, um dos pilares do TPM (Total Productive Maintenance), se mostra como um diferencial de grande potencial para alavancar o resultado de produtividade e minimizar seus custos em todo processo produtivo.

Hoje temos o agravante da Crise Mundial, onde as empresas devem procurar alternativas para melhorar  seus resultados.  As “gordurinhas” no processo produtivo, hoje é inadmissível para quem quiser sobreviver de uma crise que está assombrando o mundo.

O desafio é garantir confiabilidade em seus equipamentos e atuar antes da quebra “preventivamente”, pois muitas empresas trabalham na cultura de “quebra-conserta”, pois acreditam que a manutenção preventiva tenha um custo elevado, onde normalmente às consequências são maiores com perdas irreversíveis para os equipamentos.

Já segundo Faleiro (2008, pg.7), “Prevenir é melhor do que remediar” poderia estar em todo manual de manutenção das fábricas, pois toda falha ou parada de equipamento pode gerar não somente prejuízo financeiro, mas também humano e ambiental.

Nessa filosofia, muitas empresas estão se “aventurando” na implantação do programa de Manutenção Autônoma sem o correto conceito, sem o domínio do assunto, sem envolvimento da equipe, sem treinamentos etc. Onde o projeto acaba “nascendo morto” e transmite uma imagem negativa para essas pessoas.

DESENVOLVIMENTO

Um dos itens fundamentais para o sucesso da implantação do projeto de manutenção autônoma é o envolvimento de toda equipe no programa, isso é imprescindível na implantação de qualquer projeto. Mas muitas empresas falham nessa etapa, onde o programa fica apenas concentrado na liderança, não chegando no “chão de fábrica” com o conceito devido.

Se faz necessário uma reunião de Kick-Off conduzida pelo Gerente do Projeto para notificar formalmente aos StakeHolders que o projeto começou e para certificar-se que todos tem uma compreensão de suas funções (papéis) e responsabilidades no projeto.

É importante destacar nessa reunião as funções básicas da manutenção autônoma, o motivo da implantação do programa, visão e missão do projeto e de cada envolvido.

É importante a realização de um treinamento técnico conduzido por um operador ou técnico de manutenção (recurso próprio) com maior domínio na área, onde deve ser destacado as oportunidades de atuação pela operação e a necessidade de redução das 06 maiores causas de perdas na produtividade que são:

„Ï Falhas e quebras.
„Ï Tempo necessário para a troca de serviços e ajustes
„Ï Operação em vazio e pequenas paradas.
„Ï Baixa velocidade nominal do equipamento
„Ï Defeitos no processo (retrabalhos)
„Ï Perdas de produto e material.

A palavra autônoma indica exatamente o fato dos operadores terem autoridade e conhecimento suficientes para executarem intervenções antes só realizadas pelo pessoal especializado.

Com o incremento de pequenas tarefas no dia-a-dia dos operadores, este tem sua função mais valorizada e os técnicos de manutenção tem mais tempo disponível para desenvolver e estudar formas de melhorar os equipamentos e facilitar sua intervenção.

Isto torna o sistema um ciclo virtuoso de melhoria contínua e conseqüente redução das perdas relacionadas a quebras, falhas, perda de velocidade e qualidade.

Os pontos fortes para o sucesso da implantação da Manutenção
Autônoma estão destacados abaixo e se faz necessário serem rigorosamente seguidos, onde o Gerente de Projeto deve fazer todo seu planejamento através do MS Project para acompanhamento diário da evolução do programa.
 
1. Treinamento Introdutório: é necessário o treinamento de todos os envolvidos antes de iniciadas as etapas de implantação da Manutenção Autônoma, para que compreendam o porquê da implantação. É importante um treinamento sobre o programa de MA pelo Gerente de Projetos e outro treinamento técnico sobre os equipamentos da empresa e de seu processo produtivo, esse se faz importante ser desenvolvido e ministrado por algum talento interno da própria empresa que tenha um domínio e uma boa experiência em sua área.

2. O trabalho propriamente dito: as atividades desenvolvidas não devem ser vistas como esporádicas. Essas atividades são do próprio trabalho.

3. Princípio da prática: não deve se ater a formas e argumentos, e deve ter como principal objetivo o fato de fazer com as próprias mãos.

4. Efeitos reais: em cada etapa devem ser definidos temas e metas concretas que correspondam ao seu objetivo desenvolvendo atividades de melhorias que provoquem efeitos reais.

5. Execução rigorosa: é extremamente importante a execução rigorosa conforme planejado no Project de cada etapa, além do acompanhamento diário. Cortar caminho, realizando atividades de maneira incompleta, fará com que o programa seja prejudicado e não trará os resultados esperados.

6. Segurança em primeiro lugar.

Deve ser planejado pelo Gerente do Projeto um mutirão de limpeza para o lançamento oficial do Programa, onde é necessária a presença de todos os envolvidos do projeto das diversas áreas da empresa. Várias atividades deverão ser executadas como limpeza geral, pintura, eliminação fonte de sujeiras e locais de difícil acesso, etc.… Esta atividade tem como objetivo deixar uma área mais organizada e limpa para se trabalhar, além de contribuir no entendimento de todos no programa de Manutenção Autônoma.

Outro fator importante na implantação do programa de Manutenção Autônoma é o Gerente de Projeto propor metas para todos os envolvidos como:

„Ï Custos: redução de até 20% nos custos de trabalho, 50% nos de manutenção.
„Ï Segurança: eliminação quase total dos problemas com segurança do ambiente de trabalho.
„Ï Aumento de 10% na Produtividade.
„Ï Redução de 5% dos materiais retrabalhados.

Também se faz necessário na implantação do Projeto o mapeamento pelo Gerente das atividades onde serão subdivididos os trabalhos do projeto em partes menores e mais facilmente gerenciáveis, onde é possível agendar, monitorar e controlar o trabalho planejado pelo Project de todas as etapas a serem observadas para a implantação do programa. Abaixo segue atividades:

1. Declaração da Diretoria informando a implantação do programa, que deverá ser feita a todos os funcionários (Decisões de implantação de uma área industrial específica, o presidente deve ser informado e concordar com ela, e tomar para si a incumbência de informar os funcionários).

2. Educação introdutória e campanha do sistema Manutenção Autônoma. Fazer que todos compreendam o programa através do estabelecimento de uma linguagem comum, voltada aos propósitos da cultura da Manutenção autônoma.

3. Estabelecimento da política e metas básicas voltadas ao projeto. Promoção da Manutenção Autônoma como parte de uma política e de uma organização objetiva.

4. Criação de um plano piloto para implantação. Estabelecer um plano que cubra todo o processo da Manutenção Autônoma, desde o estágio introdutório até a avaliação para concessão do conceito de excelência.

5. Início do projeto. Informar a todos os funcionários a data de início do programa que visa reduzir principais de perda em equipamentos (treinamento de todos os envolvidos).

6. Criar equipe de projetos (engenheiros de produção, pessoal de manutenção, gerentes, etc.) para selecionar o equipamento piloto para início da aplicação do projeto e fazer os operadores compreenderem a Manutenção Autônoma, desde a direção até os operários de linha, desde o conceito até a execução.

7.  Mapear as necessidades de melhorias na área como Ferramentas Básicas (Chave Combinada, Desparafusadeira pneumática, etc.) para facilitar a execução de atividades mapeadas.

8. Criação de check list’s com as atividades mapeadas para execução periódica de limpeza, lubrificação, reaperto.

9. Criação de etiquetas nas áreas (Etiquetas Vermelhas para execução da manutenção e Etiqueta Azul para execução da Operação) para identificação visual de todas as anomalias na área. Toda identificação deverá ser realizada pela operação que estará capacitada tecnicamente de identificar essas anomalias após treinamentos técnicos realizados além da sua contribuição da experiência em campo.

10. Deverá ser realizado acompanhamento pelo Gerente de Projeto e sua equipe para monitoramento do programa, onde deve procurar a criação de um sistema sustentável de gerenciamento da manutenção autônoma;

11.  Busca da auto-iniciativa dos operadores (Elevação do moral, Elevação do conhecimento), onde se devem promover seminários sobre a Manutenção Autônoma, para que os times possam apresentar seus trabalhos, promover reuniões regulares de estudo, que envolvam casos de melhorias, estabelecendo um ciclo de melhoria contínua;

Abaixo segue a EAP (Estrutura Analítica do Projeto) que define os pacotes de serviços que deverão ser gerenciados pelo Gerente de Projeto para garantir a implantação e o sucesso do programa.
 

Figura 01: Estrutura Analítica do Projeto (EAP)

 

ão de responsabilidade do Gerente do Projeto de Implantação da Manutenção Autônoma o mapeamento de todos os riscos do projeto e trabalhar para que elas não aconteçam, pois, qualquer evento incerto que venha ocorrer, poderá haver uma impacto no custo, cronograma ou desempenho do projeto.

Abaixo segue alguns riscos mapeados:

„Ï Falta treinamento de toda a equipe no programa (deverá ser mapeada toda equipe pelo Gerente de Projeto).
„Ï Falta de compreensão das vantagens do programa.
„Ï Operadores relacionarem o programa como acréscimo de atividade em sua rotina (Atividades mecânica, elétricas, etc.) e não comprarem a idéia do programa.
„Ï Falta de um sistema de sustentabilidade do programa após o fim do projeto.

Todas essas atividades deverão ser mapeadas e trabalhadas pela equipe do Projeto de Implantação do Programa de Manutenção Autônoma para evitar que aconteçam e comprometa o sucesso do projeto.

CONCLUSÃO

A Manutenção Autônoma apresenta como uma ferramenta fundamental na redução de desperdício no processo produtivo, além de alavancar os resultados de produtividade. Sua implantação não demanda um grande investimento, pois podem ser utilizados muitas ferramentas e recursos internos e em médio prazo apresenta resultados satisfatórios.

É fundamental para sucesso da implantação do programa de Manutenção Autônoma um correto planejamento, mapeamento dos riscos e rigoroso cumprimento de todas as etapas mapeadas sem “atropelamentos”, além disso, o grande desafio do Gerente do Projeto é a busca da atuação e interação de todos os envolvidos, tornando-os mais ativos na atuação de bons resultados e no êxito do projeto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Palmeira, Jorge N. e Tenório, Fernando G.. Flexibilização Organizacional: Aplicação de um Modelo de Produtividade Total. Rio de Janeiro: Editora FGV: Eletronorte, 2002.
• Flores, Gilbert. Manutenção cresce e se profissionaliza. Revista Mensal de Tecnologia em Celulose e Papel – ANO LXIX Nº06, Junho 2008.
• Xerose, Kunio. TPM para mandos intermédios. Madri:TGP Hoshin, 1994.
• Imai, Yassuo. TPM como estratégia empresarial. São Paulo: Imc Internacional, 2000.
 

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