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:: Gestão de Projetos

CMM x PMBOK

Felipe Rocha Tanabe

Graduado em ciência da computação e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Ietec



1 - Introdução

Um projeto é um empreendimento temporário com o objetivo de criar um novo produto ou serviço único. Temporário quer dizer que todo projeto tem começo e fim bem definidos. Único quer dizer que o produto ou serviço produzido é singular, diferente de todos os outros produtos ou serviços, mesmo dos semelhantes entre si.

Um projeto é coordenado e controlado por atividades com data de início e término, e visa a atingir um objetivo com requisitos especificados, incluindo restrições de tempo, custo e recursos.

A Gestão de Projetos consiste na aplicação de conhecimentos, técnicas e habilidades para projetar atividades que visem atingir os requisitos definidos, e é realizada através de processos. Um processo é uma série de ações que provocam um resultado. O PMBOK descreve 39 processos estruturados em:

- 5 grupos: iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento.

- 9 áreas de conhecimento: escopo, prazo, custo, qualidade, risco, comunicação, recursos humanos, aquisições e integração.

2 - Abordagem da Visão por Processo

Atualmente os problemas mais comuns em organizações de software encontrados são: cronograma e orçamentos excedidos; acúmulo de trabalho; horas extras infindáveis; abandono de planos e procedimentos; perda de controle do andamento; gerentes estressados; equipe desmotivada; inúmeros erros no produto; resultado diferente do esperado; retrabalho; altos custos de manutenção e clientes insatisfeitos.

Como se pode notar, os maiores problemas das organizações de software são gerenciais e não técnicos. Com isso, os benefícios de melhores equipamentos e ferramentas não podem ser devidamente alcançados em ambientes caóticos.

Entretanto, mesmo em organizações indisciplinadas, alguns projetos isolados podem ter excelentes resultados, geralmente devido ao esforço heróico de uma equipe dedicada, e não através da repetição de métodos provados de uma organização com um processo de software maduro. Na ausência de um processo de software abrangente na organização, a repetição dos resultados bem sucedidos depende das mesmas pessoas disponíveis para o próximo projeto. Esse sucesso dependente das pessoas não possibilita a melhoria da produtividade e da qualidade na organização por um longo período.

3 - Organizações Imaturas e Organizações Maduras

Em uma organização imatura, os processos de software geralmente são improvisados por pessoas experientes, em conjunto com seus gerentes, durante o decorrer do projeto. Mesmo que tenha sido especificado, o processo de software não é rigorosamente seguido, e os gerentes geralmente estão voltados para a solução de problemas imediatos. Os cronogramas e os orçamentos são constantemente estourados porque não estão baseados em estimativas reais. Quando os prazos não podem ser estourados, a funcionalidade e a qualidade do produto geralmente são comprometidas para que o cronograma seja cumprido.

Já uma organização de software madura possui habilidade para gerenciar o desenvolvimento de software e os processos de manutenção em toda a organização. O processo de software é comunicado à equipe já existente e aos novos funcionários, sendo que as atividades são realizadas de acordo com processos planejados.

Esses processos são atualizados sempre que necessário para incorporar as melhorias comprovadas. Os gerentes dessas organizações monitoram a qualidade dos produtos de software e a satisfação do cliente. Os cronogramas e os orçamentos estão baseados em desempenho histórico e são realistas; os resultados esperados para custo, cronograma, funcionalidade e qualidade do produto são quase sempre alcançados. Há também a conscientização de todos os participantes da importância de se seguir os processos, e existe infra-estrutura necessária para dar suporte ao processo.

4 - O CMM e a maturidade das organizações

O CMM é um Modelo de Maturidade de Capabilidade de Software que fornece às organizações de software um guia de como obter controle em seus processos para desenvolver e manter software e como evoluir em direção a uma cultura de engenharia de software e excelência de gestão.

O CMM se divide em cinco níveis de maturidade:

1) Inicial: O processo de software é caracterizado como “ad hoc” e até mesmo ocasionalmente caótico. Poucos processos são definidos e o sucesso depende de esforço individual.

2) Repetível: Os processos básicos de gestão de projeto são estabelecidos para acompanhar custo, cronograma e funcionalidade. A necessária disciplina do processo existe para repetir sucessos anteriores em projetos com aplicações similares.

3) Definido: O processo de software para as atividades de gestão e engenharia é documentado, padronizado e integrado em um processo de software padrão para a organização. Todos os projetos utilizam uma versão aprovada do processo de software padrão para desenvolver e manter software.

4) Gerenciado: Medidas detalhadas do processo de software e da qualidade do produto são realizadas. O processo e os produtos de software são quantitativamente compreendidos e controlados.

5) Em Otimização: A melhoria contínua do processo é propiciada pelo feedback quantitativo do processo e pelas idéias e tecnologias inovadoras.

O CMM fornece uma estrutura de conceitos para a melhoria da gestão e do desenvolvimento de softwares de forma consistente e disciplinada. Porém ele não garante que os produtos de software serão concretizados com sucesso ou que todos os problemas de desenvolvimento de software serão resolvidos. O CMM identifica práticas para um processo de software maduro e as características de um processo de software efetivo, mas a organização madura trata de todas as questões essenciais para um projeto bem sucedido, incluindo pessoas e tecnologia, tanto quanto processos.

5 - CMM vs. PMBOK

O CMM tem como área de atuação organizações que desenvolvem projetos de software, analisadas de acordo com a capacidade de produção. Já o PMBOK é voltado para organizações que desenvolvem projetos em qualquer área.

O foco do CMM é na melhoria contínua dos processos, dando ênfase na empresa como organização, e visa definir o processo de desenvolvimento padrão e estabelecer a maturidade da organização. O PMBOK foca em processos, dando ênfase na pessoa como gerente, e visa definir o processo de gerenciar e estabelecer o programa de gerência de projetos.

Entre os objetivos do CMM podemos destacar: - Ser um guia para as empresas implementarem melhorias em seu processo; - Fornecer um método confiável e coerente de avaliação de organizações de software. O PMBOK tem como objetivos: - Reunir o conhecimento comprovado internacionalmente na área de Gestão de Projetos; - Fornecer um guia genérico para todas as áreas de projetos; - Padronizar os termos utilizados na gerência de projetos.

A diferença de abordagem entre o CMM e o PMBOK é que o CMM aborda sempre “o que fazer” e nunca “como fazer”, e o PMBOK orienta mais o “como fazer” nas Áreas de Conhecimento, através de técnicas e ferramentas.

6 - Conclusão

O CMM e o PMBOK são duas abordagens distintas, que visam à melhoria no desempenho e qualidade dos projetos desenvolvidos, e podem perfeitamente ser utilizados em conjunto, e o índice de sucesso nos projetos de software pode ser bastante satisfatório se aliarmos no mínimo o nível 2 de maturidade do CMM com a capacitação profissional dos gerentes de projetos que se baseiam no PMBOK.

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