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:: Inovação e Criatividade

A Inovação no circo da fórmula 1 e a evolução tecnológica no meio automobilístico

Frederico Nolasco Vilaça

Pós-Graduado MBA Gestão de Negócios pelo Ietec

RESUMO

O presente estudo procura demonstrar a importância das tecnologias criadas e implementadas na Fórmula 1 para a evolução do mercado automobilístico de carros de passeio. A Fórmula 1 se configura como um importante laboratório, onde milhões de dólares são investidos anualmente em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias e grandes idéias são convertidas soluções inovadoras.

Atualmente a Fórmula 1 conta com grandes montadoras como a Ferrari, Honda, Mercedes – Benz, Renault, BMW e Toyota, todas concorrendo dentro e fora das pistas. Além das montadoras, os fabricantes de combustíveis e lubrificantes, pneus e o segmento de TI estão fortemente presentes na categoria.

O estudo será dividido da seguinte forma : breve introdução sobre a Fórmula 1 e sua evolução, detalhamento maior sobre a contribuição da categoria para o desenvolvimento de novas tecnologias e evolução dos carros de passeio e a conclusão sobre a pesquisa.

Palavras-chave : Gestão da Inovação ; Inovação ; Invenção.

1 - INTRODUÇÃO

Em meados de 1950 se dá início ao primeiro Campeonato Mundial de Fórmula 1, com a maioria dos países ainda soerguendo-se das ruínas decorrentes do II conflito mundial. Naquela época as evoluções tecnológicas não eram tão amplas e rápidas como nos atualmente, apenas nos anos 60 ocorreu um grande incremento dos investimentos em tecnologia e segurança. Aquela década foi marcada pelo desenvolvimento de um motor que trabalhava com 4 válvulas por cilindro e pela descoberta através de Chapman Colin da importância da aerodinâmica que resultaram nas asas e spoillers, até hoje utilizados.

Já na década de 70 o investimento pesado de patrocinadores alavancou mais ainda a categoria, iniciava-se ali uma disputa ferrenha por espaço, não apenas pelas montadoras, mas também pelos fabricantes de cigarro que vislumbraram a Fórmula 1 como grande vitrine para seus produtos. Já ao final daquela década e início dos anos 80, as grandes montadoras, os fabricantes de pneus e lubrificantes começaram a investir mais pesado ainda nas pesquisas para ganhar segundos preciosos nas pistas.

Embora a busca por novas tecnologias não fosse conduzida de forma ordenada, seus resultados eram visíveis. Do final da década de 80 até meados da de 90 tivemos um salto tecnológico expressivo com a implementação das inovações resultantes da pesquisas. Àquela época, se fortaleceu contando com a utilização intensiva da informática que se tornou grande aliada das escuderias para a conquista de títulos mundiais de pilotos e de construtores.

Bons tempos aqueles, quando as disputas inesquecíveis entre pilotos como Senna, Prost, Piquet, Mansel e Schumacher, se repetiam a cada grande prêmio. Porém a competição não se prendia apenas aos pilotos, era e continua sendo até mais acirrada entre as montadoras e as patrocinadoras, que disputam espaço dentro e fora das pistas, dentre as quais destacam-se:

· Montadoras : Ferrari, Mercedes Benz, Honda, Renault, BMW e Toyota.
· Combustíveis : Petrobrás, Shell, Castrol, Esso, Elf, Petronas e Mobil
· Pneus : Bridgestone, Goodyear, Michelin.
· TI : AMD, Siemens, Dell, Panasonic.

O gestão do conhecimento acumulado em décadas vem sendo o diferencial competitivo para as grandes montadoras de veículos, e a Fórmula 1 é a incubadora das invenções e propulsora de inovações para o mercado automotivo e correlato fora das pistas, perenizando as empresas e suas marcas, coadunandose desta forma com a máxima de FREEMAN e SOETE (1997), “Não inovar é morrer”.

Esta pesquisa procurará demonstrar que a Fórmula 1 não é apenas um esporte, mas sim um nascedouro de idéias que se concretizam em invenções e se potencializam em inovações.

2 - A INOVAÇÃO NO CIRCO DA FÓRMULA 1 E A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA NO MEIO AUTOMOTIVO

Das pistas para as ruas tivemos grandes evoluções, quer seja dos motores, pneus, chassis, suspensão, combustíveis, sistemas eletrônicos, computadores de bordo, direção, entre outras. Segundo publicação do Valor Econômico de São Paulo, as montadoras vem investindo pesado em P & D, pois estão cientes de que este é o grande diferencial competitivo de hoje e de amanhã, e a Fórmula 1 é o acelerador das pesquisas e, conseqüentemente, dos resultados que fomentará novas pesquisas, invenções e inovações.

SVIBY (1998), diz que o conhecimento é a capacidade efetiva para a ação. O que pode ser complementado com “a boa gestão do conhecimento é estar mais próximo das inovações e do progresso”. Já segundo WILLIAMS (1999), “a inovação é a implementação de invenções e descobertas também é o processo pelo qual as novidades prevalecem, sejam produtos, processos ou sistemas”.

Um exemplo marcante é o das montadoras Honda, Toyota e Renault, que na disputa por uma parcela maior de mercado têm desenvolvido novas tecnologias, boa parte delas advindas das pistas da Fórmula 1, e as implementando nos veículos comerciais com grande sucesso. As montadoras citadas disponibilizam um pacote de inovações em seus veículos, seja ele o New Civic, o Toyota Corolla ou mesmo o Renault Megane. Para estas empresas e seus produtos, a competição pelo espaço no mercado está atrelada aos investimentos em P & D.

A Fiat Automóveis, aproveitando uma tecnologia oriunda da Fórmula 1 implementou uma novidade no veículo Stilo, a mudança de marcha feita através de uma borboleta localizada atrás do volante. o New Civic também conta com este opcional. Já em 2001 (TIDD, BESSANT E PAVITT), afirmavam que as empresas inovadoras são capazes de usar a inovação, melhorar seus processos ou diferenciar seus produtos e serviços e superar seus concorrentes em termos de participação de mercado, lucratividade, crescimento e valor de mercado.

A Fiat fez bem o dever de casa e hoje lidera com folga o mercado brasileiro de automóveis. Várias inovações nos seus veículos originam-se dos projetistas da Ferrari, empresa do grupo e expoente da Fórmula 1, sendo a fábrica de Maranello, na Itália, a grande aliada da Fiat na disputa deste mercado. Outra montadora que usufrui das tecnologias oriundas da Fórmula 1 é a Mercedes – Benz, seus veículos possuem um pacote tecnológico digno de uma carro de corrida.

Tanto na Fórmula 1 quanto nas fábricas de veiculos para passeio o investimento em pessoal é enorme e são funcionários qualificados que incrementam o conhecimento para as empresas. Estes tem a capacidade de transformar conhecimento em idéias e invenções, buscando concretizá-las e convertê-las em Inovações. A Toyota é um caso típico de grande investidora na qualificação de funcionários e em P & D, ela incentiva o seu colaborador a apresentar novas idéias que, em sendo viáveis, canaliza para a área específica da engenharia, pois, sua experiência sinaliza que os resultados certamente virão.

Estes são apenas alguns exemplos de montadoras que buscam no Campeonato Mundial de Fórmula 1 novos conhecimentos, informações, idéias, invenções e inovações para os carros de passeio. Outro setor que vem crescendo bastante com as pesquisas oriundas das pistas é o de combustíveis e lubrificantes. Exemplo mais forte de parceria que temos hoje é o da Ferrari com a Shell, da BMW com a Petronas e da Willians com a Petrobrás. Inclusive a Petrobrás deixa claro em suas divulgações a vinculação do seu produto com a alta tecnologia do mundo da Fórmula 1. Em uma das chamadas do produto Gasolina Podium a Petrobrás divulga o seguinte : “a energia da fórmula 1 no motor de seu carro.

A Shell e a Petronas também fazem várias propagandas vinculadas às tecnologias advindas da Fórmula 1 e aplicadas nos carros de passeio. O segmento de pneus também tem crescido bastante com o investimento nas diversas fórmulas automobilísticas, mais pontualmente na Fórmula 1. A Michelin foi durante anos fornecedora única de pneus de competição, ganhou muito mercado com isso, vieram Goodyear e Bridgetone / Firestone para a disputa e também ganharam seu espaço.

Hoje na Fórmula 1 a Bridgestone é fornecedora única, vem ampliando substancialmente seu espaço dentro e fora das pistas, crescendo significativamente a venda de pneus para os carros de passeio, mais uma vez uma empresa se utiliza da imagem e da tecnologia para aplicar e ganhar mercado fora das pistas de corrida. Outro fator fundamental para a evolução destas máquinas voadoras é o setor de tecnologia, sem ele nada disso seria possível. A TI é fundamental para um carro de Fórmula 1, desde a criação do projeto até o resultado final ela sempre está presente.

A Tecnologia é peça chave para o sucesso numa corrida, ela esta presente nos carros e nos boxes. A Ferrari por exemplo tem um sistema de transmissão de dados sem fio que fornece até 500 aspectos do desempenho do carro. Tecnologia pura. E evidente que estas tecnologias são aproveitadas em bom número pelas montadoras, mas não são desenvolvidas pelas mesmas, elas apenas aplicam que grandes empresas do segmento. AMD, DELL, SIEMENS entre outras, têm desenvolvido.

Os carros de passeio atualmente são equipados com computadores de bordo que informam em tempo real vários aspectos do desempenho do veículo. Segundo o Fórum de Inovação da EAESP/FGV, inovação é a Idéia + Implementação + Resultados. E exatamente isso que vem sendo desenvolvido por estas grandes indústrias. Aproveitam cada momento de inspiração para criar e fazem da competição de carros um grande trampolim para ganhar mercado na venda de veículos de passeios, combustíveis, pneus e tecnologias.

3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Do presente estudo concluiu-se que a Gestão da Inovação é fundamental para que a empresa obtenha resultados. As grandes empresas do segmento automobilístico, de combustível, de pneus, de TI tem investido parte de seu faturamento em P & D. Acreditam que a criação e implementação de novas tecnologias é fundamental para a sustentabilidade e expansão dos negócios.

A maior e mais importante categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1, é a grande colaboradora para evolução destas tecnologias, a categoria, as invenções e inovações são constantes e com certeza chegam aos veículos de passeio. Administrar o conhecimento, o saber e convertê-lo em uma grande idéia, é a chave do progresso das empresas, da nação e seu povo, desde que materializada em inovação.

A integração de pessoas detentoras do conhecimento e do saber potencializam o desenvolvimento de idéias e a inovação, assim, o trabalho em equipe normalmente produz mais resultados do que o de apenas um indivíduo. Parece obvio, mas muitos querem os louros da vitória unicamente para si mesmos. Grande erro. É por isso que a existência da Fórmula 1 está intrinsecamente associada à sinergia do trabalho em equipe e o sucesso nas competições, tanto para os pilotos quanto para as montadoras, e repassado para a sociedade através dos inúmeros bens de consumo duráveis disponibilizados no mercado, nos termos expostos ao longo deste artigo.

4 - REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

BARBIERI, José Carlos; ÁLVARES, Antônio Carlos Teixeira. Inovações nas organizações empresariais (Cap.2).
LEAL, Wilson L.M. Apostila do Módulo Gestão da Inovação – Curso MBA
Gestão de Negócios. BH. IETEC, 1º Semestre de 2008.
LEAL, Wilson L.M.; BAETA Adelaide M.C. A gestão do conhecimento em empresas inovadoras.
REIS, Dálcio Roberto; CARVALHO, Hélio Gomes. Gestão Tecnológica e Inovação (Cap. 4).
Acesso a sites:
www.f1naweb.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_F%C3%B3rmula_1

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