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Construção

Estratégias para o gerenciamento de projetos arquitetônicos

Sabrina Accioly

Arquiteta Urbanista; pós-graduada em Gestão de Projetos pelo Ietec.

1- INTRODUÇÃO

Ainda hoje, o arquiteto desconhece as interrelações entre cada uma das decisões do projeto, o que o faz se sentir impossibilitado de controlar economicamente o processo de desenvolvimento e execução de projetos. Esta falta de coordenação gera elevado desperdício e insatisfação dos seus clientes. Para avaliar profundamente cada etapa de uma edificação, devemos usar uma metodologia que nos permita uma análise individual de cada uma, à medida que vão sendo adotadas.

2- O PROCESSO E EVOLUÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

A revolução industrial (século XIX) é quase imediatamente seguida por um impressionante crescimento demográfico das cidades, por uma drenagem dos campos em benefício de um desenvolvimento urbano sem precedentes . O decorrer deste século foi marcado por forte desenvolvimento e dinamismo na construção civil e urbanismo. Este marcante traço da cultura e experiência moderna se traduziu numa sociedade caracterizada por incrível abrangência e expansão espacial, porém com impensável desperdício e devastação.

Os concomitantes e posteriores desenvolvimentos de materiais e técnicas construtivas nos anos seguintes possibilitaram o inicial controle e a coordenação dessas atitudes precedentes. Já no início do século XX, o entendimento de uma edificação de boa qualidade se aproxima dos dias atuais, que se traduz em uma construção que aproveite ao máximo os seus recursos investidos – com o mínimo desperdício –, utilizando os avanços tecnológicos possíveis e satisfazendo às exigências de habitabilidade, de sociabilidade e financeiras de seus futuros usuários.

No final dos anos 70 e início dos 80, temas como gerenciamento e marketing da indústria da construção são explorados (aparecem programas computacionais para estimativa de custos da construção, desenvolvimento de projetos e estudos de viabilidade econômica de um empreendimento). A subcontratação como estratégia competitiva, a produtividade, o desperdício nas obras, a qualidade de projetos e construção é tema recorrente na década de 90.

Atualmente, o processo de concepção, desenvolvimento e execução de projetos tem se tornado cada vez mais competitivo, exigente e complexo (maior complexidade de normas, especificações, leis e códigos). Questões sociais e de segurança, urbanas, psicológicas, legais, ambientais, sanitárias e administrativas, são analisadas dentro de todo o processo da construção civil. A percepção social de uma determinada empresa da área exige, cada vez mais, que todas esses tópicos sejam vislumbrados.

Tudo isso transporta esse domínio para uma delicada intersecção e solicita uma atenta compatibilização e assessoria de diversos domínios e profissionais. Para que haja equilíbrio na atuação de todos, o gerenciamento e planejamento do projeto deve estar afinado. Estudos e práticas recentes priorizam e prestigiam técnicas que permitam a obtenção de maior competitividade, através da redução do tempo, do custo de desenvolvimento e da melhoria da aceitação do produto pelos clientes, tais como a engenharia simultânea (estratégia competitiva). Busca-se com essa integração a ampliação da interatividade multidisciplinar inicial e a diminuição do retrabalho num projeto, ou seja, vislumbra-se por fim a qualidade e excelência do projeto completo. Quanto à gestão de qualidade de projetos, esta deve contemplar, basicamente, três fatores:

- Desempenho quanto à competitividade do projeto (comercialização, preço, imagem, etc.);
- Desempenho quanto à técnica (Racionalização, tecnologia, etc.);
- Desempenho quanto à satisfação social.

Deve-se atentar que as fases projetuais são melhores validadas com a implementação de medidas preventivas que permitem a diminuição de retrabalho e outros erros. A presença de checklists permite uma maior exatidão e qualidade de trabalho. A documentação e registros melhoram a comunicação, informação e qualidade num projeto. Outro fator importante é ter claro todo o processo e planejamento que condicionarão o seu comportamento e desenvolvimento, quer dizer, antes de iniciar o projeto deve-se saber exatamente como será o seu percurso e até aonde ele chegará.

3- CONCLUSÃO

As empresas e escritórios de arquitetura, bem como as de qualquer outra área, devem tomar consciência da importância do processo de planejamento e equalizar eficientemente a atuação interna com a complementação e anseios externos. Algumas ações podem facilitar tal implementação e garantir o sucesso final do projeto, tais como:

- Compreensão nítida das necessidades e expectativas do cliente, afinal, o entendimento da aceitação do cliente possibilita que a equipe de projetos perceba, veja e teste o projeto com o mesmo nível de rigor que o cliente;
- criação de estratégias e planejamento na atuação, desenvolvimento e execução;
- criação de regras e metodologias a serem cumpridas (favorece a qualidade do produto);
- participação da equipe de projeto nas discussões e reuniões de projeto;
- equilibrar as definições da empresa e a dos stackholders a cerca dos custos, qualidade e do cronograma;
- definição de expectativas realistas sobre o equilíbrio entre custo, qualidade e cronograma;
- entrega do projeto negociado, dentro do escopo, prazo, orçamento e qualidade, isto é, evitar surpresas indesejáveis ao cliente;
- documentação do processo de desenvolvimento e execução (diário de obra) do projeto.

Através dessas medidas certamente o nível de confiabilidade da empresa perante seus clientes se manterá elevado e o sucesso dos projetos por ela desenvolvidos será constante.

BIBLIOGRAFIA:

VERZUH, Eric. MBA Compacto, Gestão de Projetos. Tradução: André de L. Cardoso. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

CHOAY, Françoise. O Urbanismo. 2a. ed. São Paulo. Editora Perspectiva, 2000.

MASCARÓ, Juan Luís. O Custo das Decisões Arquitetônicas: Como Explorar Boas Idéias com Orçamento Limitado. 2a. Ed. Revista e Ampliada. Porto Alegre. Sagra Luzzatto, 1998.

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