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Gestão

Por que vale adotar a produção limpa?

Banas Qualidade

Hoje em dia, sobretudo após a publicação da Agenda 21, mais e mais indústrias preocupam-se com a necessidade da implantação de um sistema de gestão ambiental. Essa preocupação nasce, muitas vezes, por pressão do mercado interno ou externo - por exemplo, quando uma empresa certificada em ISO 14000 interessa-se em exigir o mesmo dos fornecedores, ou até por conta própria, quando há o sentimento de que este é um objetivo a ser perseguido tanto quanto o foram os sistemas da qualidade implementados algum tempo atrás.

 

Contraditoriamente, contudo, parece não estar aumentando o conhecimento na área. A revista Gerenciamento Ambiental, no editorial de seu primeiro número, afirma que a necessidade de uma nova revista é justificada pela pesquisa do IBC do Brasil (International Business Communications) junto aos gerentes de tratamento de efluentes, onde se revelou que a ampla maioria julga-se mal-informada sobre legislação ambiental e novas tecnologias de tratamento, e também pelo depoimento de empresas de consultoria ambiental, onde a desinformação é considerada como uma das principais dificuldades para a implantação da ISO 14000.

 

Uma possível explicação para a sensação de despreparo é que o sentimento de urgência na implantação de um sistema de gestão não está ancorado na percepção de que tais sistemas foram idealizados com o intuito de garantir o desenvolvimento sustentável. O que remete, inevitavelmente, à pergunta: O que é o desenvolvimento sustentável, afinal?

 

O objetivo do desenvolvimento sustentável é a obtenção de processos de produção, ciclos de produto e padrões de consumo que permitam o desenvolvimento humano sem degradar os ecossistemas onde esse desenvolvimento se processa. Assim, poderíamos dizer corriqueiramente que o desenvolvimento sustentável significa "Garantir a vida pela imitação dos mecanismos da vida".

 

Ou seja, se o planeta pôde manter tantos processos acontecendo por tantos milhões de anos e, com esses processos, só fez aumentar a vida, por que não tentar fazer o mesmo? Antes de ceder à tentação de dizer que é impossível, pense que nos dias de hoje podemos colocar milhares de informações num único circuito integrado. Nossa tecnologia desenvolve-se rapidamente e, interessante notar, cada vez de forma mais limpa. Como exemplo, colocamos um conjunto de empresas que há muito trabalha dentro desse contexto, como mostra a Figura 1. Se aceitarmos que a gestão ambiental objetiva o desenvolvimento sustentável, precisamos sistematizar tal fato criando conceitos que permitam a viabilização do processo. É neste contexto que a produção limpa se insere.

 

A PRODUÇÃO LIMPA - A expressão foi definida [2] como sinônimo de todo sistema de gestão empresarial que permita a visualização de todas as fases de um processo produtivo e do ciclo de vida de um produto, com o objetivo de prevenir ou minimizar riscos à saúde do ser humano e ao meio ambiente.

 

A filosofia principal da produção limpa, portanto, consiste na substituição do modelo end of pipe (tratamento do resíduo gerado) por outros que levem em conta a prevenção dos impactos à saúde e ao ambiente, do berço à cova. Seus três elementos básicos são a visão do sistema global de produção, a aplicação dos princípios fundamentais e a responsabilidade continuada do produtor.

 

Na aplicação dos princípios fundamentais, os seguintes pontos devem ser observados:

precaução - Não colocar em linha produtos que possam vir a causar impactos ambientais. Obviamente, não adianta pensar em produzir algo que depois, para remediar o impacto causado pelo seu uso, poderá exigir todo o lucro obtido com a produção de tal bem.

 

Prevenção - Obter a máxima eficiência nos sistemas. Assim se estarão evitando possíveis perdas e melhorando o desempenho ambiental. Do mesmo modo, para um processo que não produz resíduo, o custo de tratamento de efluentes reduz-se a zero.

 

Integração - Avaliar o ciclo de vida do produto, dentro de uma visão holística do sistema.

controle democrático - Informar a todos, do trabalhador até o consumidor, incluindo também a comunidade dos arredores, sobre a implicação da existência de determinados processos na região.

 

Simples em sua essência, o conceito de produção limpa traz como conseqüências uma série de atitudes e desenvolvimentos interessantes. Assim, vemos o surgimento de:

tecnologias limpas e mais limpas - Deve-se desenvolver tecnologias que tenham baixo consumo de material e energia, e nenhum impacto ambiental.

 

Ecomateriais - É necessário desenvolver produtos capazes de permitir a reciclagem.

"Ecodesign" - É necessário que os produtos desenvolvidos permitam um fácil desmonte, no intuito de permitir uma reciclagem custo-efetiva. Aqui, a idéia mostra conjunção com o conceito de produção enxuta [3], pois pede que os produtos sejam desenvolvidos para permitir fácil montagem.

responsabilidade continuada do produtor - Se a reciclagem deve ocorrer ao fim do ciclo de vida do produto, é necessário que o produtor seja responsável pelo produto, mesmo depois da saída da indústria.

 

Avaliação do ciclo de vida - Os materiais devem ser avaliados quanto ao tempo de vida que apresentam na natureza e seus impactos.

 

Saúde do trabalhador/educação ambiental - Se o produto seguir as premissas da produção limpa, não haverá problemas de saúde no trabalho. Se o sistema de produção é bem compreendido por seu funcionário, aplicar a idéia do desenvolvimento sustentável fica mais simples.

 

Comunicação ambiental - Deve-se exigir a comunicação de todos os impactos ambientais causados pelo produto. Há diferentes comunidades e entidades a sere atingidas por essa comunicação. Por exemplo: não será mais fácil conseguir acionistas quando você puder mostrar que sua tecnologia não polui o solo e, deste modo, sua construção e arredores não vão sofrer desvalorização de preço?

 

Direito ambiental - Deve-se criar regras ambientais que contemplem as decisões mundiais na área e que permitam avaliação quando novas descobertas e tecnologias aparecerem.

 

Rotulagem verde - Deve-se coibir que os produtos se autodenominem "ecológicos" se não apresentarem os fatores acima discriminados bem avaliados e descritos.

 

Assim, se bem implementado, o sistema de gestão ambiental tenderá a aumentar seus lucros e a integrar todas as partes de sua empresa. Seus processos de melhoria da qualidade já implantados são apenas uma face da tentativa de obter o desenvolvimento sustentável. O que é a idéia do "zero defeito" se não a expressão de que é melhor não ter refugos (resíduos), pois isso diminui custos? Eliminação de resíduos é gerência ambiental e ganho de produtividade, e, francamente, não há nada de contraditório nisso.

 

Pois bem, podemos começar a notar que implementar um sistema de gestão ambiental numa empresa não significa necessariamente aumento de custos. Pelo contrário! Pode ser lucrativo pela mudança de concepção que provoca.

 

E onde está o início do processo? Está em ensinar e divulgar a idéia de Produção Limpa. Recaímos, então, na educação ambiental como nosso começo, e é com alegria que notamos que o processo acabou centrado no ser humano. Afinal, máquinas podem fazer movimentos mais precisos e mais rápidos que os nossos, mas, certamente, não podem entender conceitos; mesmo os tão caros à vida como o de desenvolvimento sustentável.

 

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