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:: Gestão de Negócios

Artigo técnico sobre “Gestão tecnológica e inovação”, referente ao artigo 1 do CD

Silvio César Costa Júnior

Engenheiro Civil pós-graduado MBA - Gestão de Negócios pelo Ietec. Consultor Comercial da Essencis MG Soluções Ambientais S/A

Resumo

Este artigo traz um dado que apesar de já ser conhecido não poderia deixar de ser citado: a velocidade com que as informações transitam e da importância de transformá-las em conhecimento. A inovação só virá através do conhecimento. Busca demonstrar também como a gestão tecnológica e a inovação são importantes dentro da empresa, e, quando estas conseguem criar um programa que envolva todos os seus funcionários podem dar excelentes resultados.

Também tem como objetivo demonstrar a importância de se ser uma empresa sustentável para permitir a inovação e evolução tecnológica, ressaltando que a continuidade da existência das empresas está diretamente ligada a capacidade que ela tem de inovar ou de suportar as mudanças e exigências do mercado. Busca também o artigo mostrar que o mercado vem valorizando cada vez mais as práticas de inovação com sustentabilidade, principalmente quando esta inovação propicia um bem estar melhor para a sociedade atual e as futuras gerações.

O artigo também faz um breve comentário sobre a importância da inovação para aumento das vendas e receitas das empresas, e, que o cliente está cada vez mais exigente e mais simpático à empresas que tem responsabilidade ambiental, social e que são consideradas inovadoras.


1 – Introdução


O dinamismo do mundo atual, a velocidade das informações e a mudança contínua do mercado fazem com que a inovação se torne uma das ferramentas mais importantes para a sustentabilidade das empresas. Isto se faz ainda mais presente quando olhamos as consequências da globalização, que encurtou distâncias e reduziu custos de transporte e transações utilizando a tecnologia de informação.

A preocupação com o desenvolvimento sustentável, ou seja, na melhora dos processos e produtos de hoje que visam garantir um bem estar para a sociedade atual sem sacrificar as próximas gerações, faz com que as empresas (únicas realmente capazes de utilizar a inovação para mudar o rumo do planeta) perguntassem para si mesmas: como continuar a expansão da produção e a consolidação da sociedade de consumo sem exaurir os recursos naturais do planeta?

Stuart Hart, professor da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, acredita que a incorporação da estratégia da sustentabilidade à estratégia dos negócios da empresa é uma maneira de diminuir custos e riscos e aumentar receitas e a participação no mercado, mas para isso se consolidar é preciso inovar.

Muitas idéias surgiram, porém, o que se pode garantir é que o que se faz hoje não será o mesmo a ser feito amanhã. Os processos devem passar por uma melhoria contínua e as empresas devem estar preparadas para destruir antigos paradigmas e processos e dar-se oportunidade de renovação de forme criativa, o que podemos chamar de destruição criativa.

Para que isso aconteça, o mais importante é investir naquilo que as empresas tem de melhor, ou seja, nas pessoas. Não só em treinamentos e capacitação dos funcionários, mas na gestão do conhecimento adquirido, para que o diferencial esteja na geração de valor a partir dos bens intangíveis da organização.

Sendo assim, o presente estudo aborda a importância da inovação para se fazer um manejo adequado da natureza, visando o bem-estar presente e futuro da humanidade, ou seja, implantar de vez a essência da sustentabilidade.


2 – Gerir para unir o útil ao sustentável


2.1 – O valor de ser sustentável


O conceito de sustentabilidade já ganhou força no mercado de ações. Os investidores e acionistas já sabem que apenas as empresas que estiverem com a preocupação ambiental inserida na sua cultura sobreviverão a longo prazo, pois tendem a ganhar simpatia dos consumidores e evitarem problemas com órgãos ambientais, ONGs e outros fatores externos.

Um forte indício de que isto já vem acontecendo e está se consolidado é na forma que as empresas são negociadas publicamente. As empresas do início da era industrial eram negociadas e tinham seu valor vinculado aos seus ativos físicos (como por exemplo a General Eletric).

Desde a última metade do século passado começaram a aparecer empresas que começaram a ser valorizadas por seus ativos intangíveis, sejam eles a marca (Coca-Cola), pelas patentes (Pfizer) e pela especialização tecnológica (Intel e Microsoft). Para agregar valor às ações e mantê-las ao longo prazo, as empresas precisam beneficiar a sociedade e se mostrarem comprometidas também com o meio ambiente.

Pode-se notar claramente a valorização das empresas quando as mesmas são ligadas a sustentabilidade quando observa-se esta “corrida” para vínculo da marca à questões de responsabilidade ambiental. Patrocínio em eventos ambientais, obsessão por prêmios que vinculem a empresa ao compromisso com o meio ambiente e outras formas de marketing ambiental são a maior novidade hoje inserida nos departamentos de marketing das empresas.

Uma pesquisa realizada pela Wharton e pela Ernst & Young mostrou que os executivos de empresas acreditam que os ativos intangíveis - como a qualidade da força de trabalho de uma empresa, a reputação de sua administração e o compromisso social e ambiental - são mais importantes do que as características mais facilmente mensuráveis, como o desempenho financeiro no curto prazo.

Segundo a Innovest, entre março de 1998 e fevereiro de 1999, a diferença de valorização no preço das ações de empresas que administraram bem suas estratégias ambientais e as que não o fizeram aumentou de zero para mais de 15%.

No Brasil toda essa discussão ainda não alcançou a profundidade vista em economias mais desenvolvidas.  O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado pela Bovespa em dezembro de 2005, acumulou alta de 6,63% nos primeiros 12 meses.  No mesmo período, o ganho do Ibovespa foi de 13,16%.

Mais tudo é questão de tempo. O que já virou regra no exterior e ainda não consolidou no Brasil, com a velocidade das informações e a globalização, com certeza estará aqui dentro de pouco tempo. Não podemos subestimar o mercado, e não seria surpresa nenhuma se após sairmos de férias, quando voltarmos para trabalhar nos deparássemos com uma empresa totalmente diferente daquela que deixamos a apenas alguns dias atrás.


2.2 – Inovar para ser sustentável


A importância da inovação na sustentabilidade é justamente desmistificar alguns conceitos ultrapassados de que a gestão ambiental é somente custo para a empresa. Já é ultrapassado o conceito da equação receita menos despesas, devendo ser considerada hoje as várias dimensões da sustentabilidade, sendo imprescindível o evidente esgotamento dos recursos naturais e custos sociais. Desta forma, deve-se usar a ferramenta da inovação para que as empresas não sejam engolidas pela concorrência e ao mesmo tempo gerem valor para os acionistas.

Para que isto aconteça, as empresas precisam estar preparadas para atender às expectativas de curto prazo e às perspectivas de longo prazo, reinventando o negócio e rompendo com a tecnologia da qual o próprio negócio precisa para sobreviver. Isto se chama destruição criativa, ou seja, a capacidade que a empresa tem de destruir criativamente suas tecnologias atuais em favor da inovação.

A destruição criativa não precisa estar ligado somente a inserção de novos produtos no mercado e descarte dos velhos, mas tem de ser aplicada na mudança dos processos produtivos poluidores e perdulários por outros mais limpos e poupadores de recursos. Também pode contribuir no nascimento de novos negócios chamados tripple bottom line – financeiro, ambiental e social, ou sejam, empresas que já nascem para a sustentabilidade.

Segundo Moysés Simantob (FGV-EAESP) a inovação também pode ser definida pela fórmula: inovação = idéia + implementação + resultado, e explica, que o resultado não precisa ser econômico, pode ser social ou ambiental. Cada vez mais esses resultados dependem da inovação e de novas tecnologias.

Por mais que os recursos naturais sejam esgotáveis e as tecnologias sejam limitadas, a certeza que se tem é de que as idéias são inesgotáveis e ilimitadas.


2.3 – Vender para sobreviver


A invenção só se torna inovação a partir do momento que o produto ou serviço se torna aceito pela sociedade. O parâmetro econômico que temos que indica esta aceitação está justamente na venda, ou seja, se vendeu é porque foi aceito.

Quando um produto ou serviço é escolhido, existem vários fatores que levam o cliente a escolhê-lo: a marca, o tipo de produto/serviço, a embalagem, a responsabilidade social e ambiental da empresa e a tecnologia utilizada por esta empresa. Quando vamos contratar um serviço, por exemplo, vamos à internet e verificamos a idoneidade da empresa, seus clientes, a tecnologia utilizada, se esta empresa tem licença ambiental ou não, dentre outros fatores. Nos dias de hoje, só compra sem conhecer o prestador de serviço/fabricante o consumidor que está alienado ao mundo.

A inovação deve ser trabalhada de forma que seja feita continuamente, a longo prazo e mantendo um ambiente interno propício a realização de mudanças. Algumas empresas realizam inovações esporádicas, gerando picos de vendas de efeito temporário. Desta forma, estas organizações sobrevivem (ou não) entre uma inovação bem sucedida e a próxima. Inovar por inovar é desperdício de recursos naturais, humanos e financeiros. Não é este o modelo de uma empresa inovadora.

Atender ao cliente com qualidade e rapidez, superando suas expectativas e mantendo uma melhoria contínua deste processo se torna cada vez mais importante para a sobrevivência da empresa. O mercado não aceita falhas, e a perda do cliente para a concorrência tem valor imensurável para a empresa.

Desta forma, a gestão tecnológica entra como diferencial nas empresas, onde, quando bem feita, permite tanto uma evolução contínua da tecnologia no processo produtivo quanto uma melhora nos canais de comunicação com o cliente, aumentando assim a sua satisfação e diminuindo os riscos da evasão de clientes e surpresas negativas do mercado.

A saúde financeira da empresa está diretamente ligada a sua capacidade de inovação. Não se pode dizer que é o único fator a se considerar, mas é um dos mais importantes para que a empresa tenha fôlego e percepção da importância da inovação e no que a falta desta pode implicar a curto prazo: a morte súbita do negócio. A tecnologia deve estar na estratégia de desenvolvimento da empresa.

Quando um cliente compra um produto ou serviço ele está buscando a solução do problema dele com a melhor tecnologia. Com a internet a informação passou a ser acessível a todos, e fica cada vez mais difícil enganar o cliente com soluções ultrapassadas. Entende-se que aqui está o principal problema das empresas de hoje: o mercado está sempre um passo a frente das empresas, e aquela que não consegue transformar as informações do mercado em conhecimento, e conhecimento em inovação, está condenada a extinção.


2.4 – A inovação dentro de uma empresa sustentável


A inovação dentro das empresas deve acontecer principalmente no que tange a valorização dos recursos humanos. Reconhecimento do funcionário, potencializando sua capacidade através de treinamentos e formação, mantendo sua satisfação e estimulando um ambiente criativo e de inovação é a principal ferramenta que a empresa pode ter para inovar com eficiência. Para que isto ocorra deve haver um comprometimento da alta direção e políticas que incentivem o espírito criador e empreendedor dos funcionários.

Liberdade para criar. Esta é a ordem do momento. Utilizar ao máximo a capacidade de gerir conhecimento para transformar idéias em inovação, ou seja, em serviços ou produtos que serão aceitos pela sociedade.

Não é fácil fazer isso. Em algumas vezes, por exemplo, é necessário usar dois ambientes: um antigo, que mantém a empresa da forma que ela era e um novo propiciando a introdução de uma nova tecnologia dentro de um modelo de gestão conforme proposto acima. Somente depois de algum tempo tudo será migrado para a tecnologia mais nova, porém, é desejável que este tempo seja o mais rápido possível.

Para que seja possível a implantação de uma empresa com modelo de gestão inovador é necessário também o investimento na comunicação. A comunicação entre os trabalhadores deverá ser feita de forma simples e eficiente para que o processo funcione.

A inovação somente pode ser feita na empresa e dentro da empresa. Por mais que se busque recursos externos, como parcerias com universidades e associações, treinamentos externos, entre outros, todo este esforço será consolidado dentro da empresa, que, através do comprometimento e conhecimento dos funcionários e uso das ferramentas corretas, poderão causar o efeito de inovação esperados.

Porém, não é errado dizer que qualquer inovação que se pretenda fazer sem considerar a sustentabilidade (desenvolvimento econômico+social+meio ambiente) está condenada a não funcionar.


2.5 – A inovação fora da empresa


A inovação é feita a partir de uma necessidade do mercado, mesmo que esse mercado ainda não saiba que tem esta necessidade. Levando em consideração este princípio é que empresas inovadoras procuram antecipar-se às tendências do mercado e lançar produtos ou serviços antes da concorrência.

Identificar oportunidades de negócios e aplicação de novas tecnologias no mercado são fundamentais para uma empresa inovadora. Este estudo no mercado pode ser feito de forma simples, diferentemente do que pode-se esperar. Basta utilizar a rede de relacionamentos da empresa, como fornecedores, clientes, parceiros e acompanhar a concorrência para saber qual a demanda do mercado e avaliar as tendências.

Uma ferramenta bastante utilizada também é o benchmarking, que é copiar o sucesso de outras empresas para dentro da sua. O benchmarking economiza tempo e é importante, porém nenhuma empresa inovadora consegue viver somente com ele. É necessário fazer a adaptação do processo para a sua empresa, e muita das vezes esta adaptação não é possível.

Para que uma empresa seja realmente inovadora ela deve ter uma equipe formada para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, podendo inclusive encomendar pesquisas de universidades ou fazer associações para obtenção de vantagens competitivas.

O mercado é exigente, e para inovar a empresa precisa estar estruturada de forma a atender um desenvolvimento sustentável para que suporte as turbulências do mercado e melhorar a aceitação da inovação no mercado.


3 – Conclusão


O que este artigo pretende demonstrar é que a gestão tecnológica e a inovação são fundamentais para o desenvolvimento das empresas, mas para passar por este processo de mudança a empresa deve estar bem estruturada economicamente e ter a bandeira da responsabilidade social e ambiental bastante firmes, e o mercado valoriza isto cada vez mais.

A sustentabilidade empresarial depende destes fatores, que não podem ser separados e nem implantados isoladamente. Tecnologias e informações estão aí disponíveis para todos, o importante é transformar isso em conhecimento e inovação. Entendo que as empresas para inovarem precisam passar pelo caos gerado pelo desconhecimento e desconforto do novo para depois atingirem os patamares esperados do progresso.

A ordem é contraria ao progresso, haja visto a burocracia cada vez maior na tentativa de se estabelecer a ordem e travando o desenvolvimento das grandes empresas e do país. Aliás, como sugestão, acho que o Brasil deveria aderir à inovação começando pela sua bandeira, que ao invés de exibir o escrito “Ordem e Progresso” passasse para “Progresso e Ordem”.


4 – Bibliografia


Pardini, FLÁVIA; O Mundo em Moto Contínuo. Revista Adiante, Janeiro de 2006.

REIS, Dálcio Roberto dos; CARVALHO, Hélio Gomes de; Capacitação Tecnológica e Competitividade – Capítulo 4 – Gestão Tecnológica e Inovação (Artigo 1 do CD), IEL - PR, 2002.

FOSTER, Richard; KAPLAN, Sarah; Destruição Criativa. Campos, 2001.

MUELLER, Charles C.; O Debate dos Economistas sobre a Sustentabilidade – Uma Avaliação Sob a Ótica da Análise do Processo Produtivo de Georgescu-Roegen, Estado Econômico, São Paulo, Outubro a Dezembro de 2005.

BARBIERI, José Carlos; SIMANTOB, Moysés Alberto; Como unir o útil ao sustentável. Revista Adiante, Janeiro de 2006.
 

Textos do site http://pt.wikipedia.org, consultados em 14 de abril de 2006.
 

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