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:: Gestão de Negócios

Inovações nas organizações empresariais

Tiago Cardoso Rabelo

Administrador de Empresas da Lafarge Concreto, pós-graduado MBA - Gestão de Negócios pelo Ietec.

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos o aumento da competição entre as empresas e  a busca incessante por resultados positivos tem levado ao aumento da preocupação com o tema da inovação. Não somente a inovação tecnológica, mas sim qualquer inovação que se possa obter através, por exemplo, da mudança ou criação de um processo. A necessidade de renovação ou introdução de novidades se tornou uma necessidade, rompendo a barreira de uma simples questão de diferenciação no mercado globalizado.

Saber quando inovar, porque inovar, onde inovar e com qual intensidade provocar cada inovação passou a ser algo que as organizações incorporaram a seu dia-a-dia (ou pelo menos já o deveriam ter feito). Diante da notoriedade desse assunto e da vasta gama de sub temas que existem a partir do tema central “Inovação”, este artigo vai tratar especificamente de dois tipos particulares de inovação: as inovações organizacionais e as inovações tecnológicas.


2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Tecnologia e Inovação Tecnológica

Inicialmente devemos entender o conceito de tecnologia. De acordo com Barbieri (1996) tecnologia é conhecimento, mas nem todo conhecimento é tecnologia. A tecnologia advém do conjunto de conhecimentos (em especial o conhecimento científico), que pode ser aplicado a alguma atividade específica. Deve-se tomar relativo cuidado com possíveis confusões a respeito desse termo. Confundir verdade com eficiência, por exemplo, ou tecnologia com a ciência aplicada, quando o correto é compreender que a ciência aplicada tem por função promover a junção entre a ciência básica e a tecnologia.

Portanto, a tecnologia é resultado de uma cadeia de conhecimentos aplicados a um determinado ramo de atividade. Já no caso da questão da verdade versus a eficiência é importante entendermos que a verdade é buscada através de hipóteses científicas que serão testadas. Portanto fica o conceito de que tecnologia é conhecimento, e sendo assim não deve ser confundida com as atividades e profissões que dela fazem uso.

Já de acordo com Sábato e Mackenzie (1981) tecnologia é “um pacote de conhecimentos organizados de diferentes tipos (científicos, empíricos etc.), provenientes de várias fontes (descobertas científicas, outras tecnológicas, patentes, livros, manuais etc), através de diferentes métodos (pesquisa, desenvolvimento, adaptação, reprodução, espionagem, especialistas etc)”. Se compararmos esta definição com a de Kruglianskas (1996), como sendo a tecnologia “um conjunto de conhecimentos necessários para se conceber, produzir e distribuir bens e serviços de forma competitiva.” Poderemos concluir que a tecnologia é um meio e não um fim em si mesmo.


Definições de Tecnologia:

Das definições acima podemos fazer a seguinte leitura: através de um pacote de conhecimentos organizados é possível se conceber, produzir e distribuir bens e serviços, fazendo isso se baseando em diversas fontes e de diferentes maneiras. Isso é tecnologia, tecnologia é um atributo humano, um tipo específico de conhecimento. A capacidade de criar, gerir e difundir conhecimento é inerente do ser humano e fator decisivo na qualidade do conhecimento produzido e distribuído.


A influência decisiva do fator humano também é facilmente percebida para as empresas que entendem que a tecnologia é um ativo constituído de duas partes, uma embutida nos bens de capital e a outra embutida em sua força de trabalho. Sendo assim verificamos que as duas forças que comandam o sistema capitalista (capital e trabalho) estão sendo compartilhadas no conceito de tecnologia.


A questão da inovação aparece dentro desse contexto de tecnologia a partir do momento que compreendemos que tecnologia é conhecimento, e conhecimento não é restrito em longo prazo, ou seja, cedo ou tarde se tornará público. Se tornando público as demais empresas concorrentes terão acesso a esse conhecimento, sem o ônus do investimento em P&D por exemplo. Daí o papel altamente importante da inovação na renovação do conhecimento, impulsionando a renovação das organizações e, conseqüentemente, suas vendas e seus lucros.


2.2 Invenção e Inovação

Pelo fato desses termos serem não raramente, utilizados como sinônimos, merecem um comentário específico enfatizando suas diferenças. O que ocorre é que uma invenção tem ligação a algo que não existe (produto, serviço, método etc) ou algo que apresente novidades em relação a algo já existente. Mas para que uma invenção se torne uma inovação é preciso que ela seja implementada e, principalmente, que o mercado aceite tal invenção. Portanto podemos afirmar que nem toda invenção será uma inovação. A inovação tecnológica (tratada no tópico anterior) por exemplo pode ser entendida como “uma invenção efetivamente incorporada aos sistemas produtivos” (Barbieri,1996).

Outra diferença é que a invenção é um fato exclusivamente técnico, enquanto que a inovação é um fato técnico, econômico e organizacional ao mesmo tempo, ou seja, a aceitação de uma invenção pelo mercado faz com que ela ultrapasse o limite técnico passando a influir em questões econômicas e organizacionais. Resumindo, podemos dizer que pessoas inventam e organizações inovam (já que o ato de inventar é algo essencialmente humano e a inovação é um processo interpessoal).


Em termos de ambiente empresarial, de acordo com Barbieri (1996) “as inovações tecnológicas dizem respeito ao binômio tecnologia-mercado, sendo que o mercado é o árbitro final que julgará todo o processo de inovação. A excelência técnica de uma invenção pode ser uma condição necessária para o sucesso de uma inovação, mas nunca uma condição suficiente”. Portanto percebemos claramente que o processo de invenção deve ser realizado baseado também no maior número possível de informações que o mercado possa passar para a organização e esta, por sua vez, deve esgotar todas as possibilidades de cruzamentos de dados obtidos no mercado, objetivando, senão eliminar, restringir ao máximo a possibilidade de fracasso de uma invenção, impedindo assim a mesma de se tornar uma inovação.

 

2.3 Inovação relativa e Inovação da firma

Uma questão importante de se tratar é o entendimento do que vem a ser uma inovação relativa e uma inovação da firma. Ocorre que podemos analisar duas situações básicas. Na primeira, existe a introdução de soluções novas que não eram conhecidas até então, ao que chamamos de inovação pioneira, algo que a empresa inovadora introduziu no mercado.

Numa outra situação temos a chamada inovação relativa, onde a inovação refere-se à introdução de soluções para uma dada empresa, mas que já é de conhecimento de outras. Nesse caso a inovação é relativa a empresa que adota tais soluções. Dentro dessa diferença entre os dois tipos de inovação, existe uma discussão sobre a rotulação daquilo que seria uma imitação. Para uma corrente a inovação relativa já seria, por si só uma imitação mas um outro grupo de autores defendem que, atualmente, o entendimento de uma inovação relativa como sendo uma imitação se restringe a casos de mudanças tecnológicas obtidas através de cópias e violação de direitos de propriedade intelectual.

Este último entendimento parece ser realmente mais razoável quando levamos em consideração a velocidade das tecnologias e a difusão corrente de conhecimento no mundo atual.

O fato de que certas organizações produzem tecnologia enquanto que outras são usuárias de tecnologias também pode ajudar a confundir o entendimento de uma inovação ou uma imitação. Há de se entender que o processo atual de construção e transmissão de conhecimento é rápido em muitos casos e certas empresas podem inovar antecipadamente frente aos seus concorrentes pelo simples fato de obter conhecimento e ter maior capacidade de trabalhá-lo.

Outra questão que gera discussão é a distinção entre inovação e difusão. Segundo Bell e Pavitt, (1993) a difusão envolve a realização contínua de mudanças técnicas para tornar a inovação original adequada às condições de uso, e não apenas a aquisição de máquinas e equipamentos e a assimilação de Know-how. Já para Rogers a difusão é o processo pelo qual uma inovação é comunicada por certos canais, durante um dado período, entre os membros de um sistema social. Por inovação ele entende que seja uma idéia ou prática que seja percebida como nova por um indivíduo.

 

2.4 Inovações Autônomas e Sistêmicas

À medida que vamos estudando e lendo sobre inovação, vamos percebendo que os tipos de inovação são muitos de acordo com tipologias variadas. Dentre estes muitos tipos de inovações temos também as autônomas e as sistêmicas. No caso das inovações autônomas estamos nos referindo àquelas inovações que podem ser obtidas independentemente de outras em organizações virtuais e descentralizadas, enquanto que no caso das inovações sistêmicas os benefícios proporcionados pelas mesmas somente podem ser alcançados através de outras invenções relacionadas, e os membros da organização são dependentes de outros, sem ter controle sobre estes. Falamos aqui da questão do grau de autonomia embutido em cada tipo de inovação. A grande diferença é que no caso de inovações sistêmicas esse grau é muito baixo na medida em que uma inovação só terá sentido se respaldada em outras inovações.

 

2.5 Processo de Inovação e Modelos

Quando a geração e seleção de idéias é seguida pelo desenvolvimento e implementação das mesmas, através de seleção, e ocorre a obtenção de resultados ou sua mera sustentação podemos dizer que existiu um processo de inovação específico, onde novos conhecimentos foram incorporados a produtos, serviços etc.

Percebemos pelas definições dentre as tipologias de inovação que nem sempre é fácil distinguir com clareza quando termina a inovação principal e quando começam os aperfeiçoamentos, seja quando se trata de inovações tecnológicas ou seja quando tratamos de inovações organizacionais. No caso das inovações tecnológicas foram construídos dois modelos: o Linear (science push) e o Linear Reverso (demand pull).

O modelo Linear, também conhecido como ofertista, é caracterizado por cinco etapas sendo as três primeiras modalidades de pesquisa e desenvolvimento. Este modelo apresenta a seguinte construção:

Modelo Linear:

Pesquisa básica-----Pesquisa aplicada-----Desenvolvimento experimental-------Engenharia do produto e do processo----Produção e lançamento comercial

As duas primeiras etapas são voltadas para a produção de conhecimentos científicos e a terceira etapa, completando as modalidades de pesquisa, é voltada para a produção de conhecimentos tecnológicos.

Já o modelo Linear Reverso é aquele onde a inovação é induzida pelas necessidades de mercado ou problemas operacionais observados na área de produção, ou seja, primeiro se observa um problema que necessite de uma inovação para ser solucionado para depois se trabalhar no processo de inovação.

Modelo Linear Reverso:

Necessidades operacionais e de mercado------Geração de idéias--------Desenvolvimento da idéia----Engenharia do produto e do processo---Produção e lançamento comercial

Ao fazermos uma análise mais crítica podemos concluir que cada um dos modelos tem seu lado positivo mas, em termos de capacidade de clarificação do que ocorre no âmbito empresarial, no que diz respeito aos processos de inovação, eles se mostram insuficientes.


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto enfatiza-se a importância do modelo de gestão como o principal fator condicionante do ritmo das inovações. Assim como em outras áreas do conhecimento, o planejamento, respaldado em modelos testados e aprovados anteriormente garante boa parte do sucesso dentro do processo de inovação. Cabe aos gestores analisar o modelo mais indicado para cada caso, e saber o momento de utilizá-lo, tornando o mesmo um aliado no processo de  inovação das organizações.


4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBIERI, J. C.; ÁLVARES, A. C. Inovações nas organizações empresariais. In: BARBIERI, J. C. (Org.). Organizações inovadoras: estudos e casos brasileiros. Rio de Janeiro: FGV, 2003. p. 41-63

KRUGLIANSKAS, Isak. Tornando a pequena e média empresa competitiva . São Paulo: Instituto de Estudos Gerenciais e Editora, 1996.

SABATO, Jorge A, MACKENZIE, M. Tecnologia e estrutura produtiva. São Paulo: IPT, 1981. (Publicações Especiais, n.2).

BELL, M. e PAVITT, K. "Technological accumulation and industrial growth: contrasts between developed and developing countries". Industrial and Corporate Change, v.2, n.2, 1993, p.157-210.

 

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