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:: Gestão de Negócios

Resenha sobre o texto Inovações nas organizações empresariais

Moacir Bozzi Filho

Engenheiro Industrial Eletricista pós-graduado MBA - Gestão de Negócios pelo Ietec.

RESUMO


Este artigo discorre sobre o conceito da inovação nas organizações empresariais, seus tipos, características e modelos. São citados exemplos de inovações, como os Sistemas de Administração da Produção que são inovações mais complexas, que envolvem simultaneamente dois tipos de inovações: as tecnológicas e as organizacionais.

É abordado o tema dos modelos de inovação e sua evolução ao longo do tempo, seus diversos estágios, seqüências, interfaces, interações e interferências de e para o interior das empresas e sistema de Ciência e Tecnologia do qual fazem parte.

E finalmente, a conclusão aborda a necessidade das empresas aprofundarem seus conhecimentos sobre a inovação, mais especificamente os conceitos estudados neste artigo, e os aplicarem de forma adequada e correta a seus negócios, com o propósito de aumentar a competitividade e melhorar os resultados econômicos e financeiros.


1. INTRODUÇÃO


Recentemente, muito se tem falado e se discutido no Brasil sobre a importância da inovação para o crescimento sustentável de um país. A inovação tem a capacidade de agregar valor aos produtos de uma empresa, diferenciando-a, ainda que momentaneamente, do ambiente competitivo.

São importantes porque elas permitem que as empresas acessem novos conhecimentos, novos mercados, aumentem suas receitas, realizem novas parcerias, aumentem o valor de suas marcas.
 
Considerando que as inovações são capazes de gerar vantagens competitivas a médio e longo prazo, inovar torna-se essencial para a sustentabilidade das empresas e dos países no futuro. Obviamente, os benefícios da inovação não se limitam as empresas. Para os países e regiões, as inovações possibilitam o aumento do nível de emprego e renda, além do acesso ao mundo globalizado.


2. CONCEITO DE INOVAÇÃO


Inovação nas organizações empresariais - Definição de Inovação: renovado, tornado novo.  Inovar significa renovar, introduzir algo novo ou diferente do existente.

A inovação a princípio parece estar presente em quase toda a atividade humana; parece algo característico, intrínseco da natureza humana, já que somos dotados de inteligência e de livre arbítrio para guiar todas as nossa ações e condutas. Assim humanos em atividades naturalmente humanas inovam ao longo do tempo e da história, em maior ou menor grau, possibilitando a evolução da nossa civilização.


3. AS INOVAÇÕES NO AMBIENTE EMPRESARIAL


As inovações podem ser classificadas em diversos tipos conforme a situação em questão; Mas particularmente para efeitos de estudos ou análises no ambiente empresarial podemos conceituar dois tipos básicos de inovação:

a) As inovações tecnológicas;
b) As inovações organizacionais.

a) As inovações tecnológicas

Inovação tecnológica pode ser definida como a introdução de produtos, processos ou serviços baseados em novas tecnologias. Em Inovação tecnológica trata-se da aplicação bem sucedida de uma invenção, do ponto de vista econômico, ou seja, uma invenção que exatamente devido ao sucesso torna-se incorporada aos meios produtivos.

Podemos citar como exemplo o transistor inventado nos laboratórios da Bell Labs e que foram e são utilizados largamente na indústria eletrônica, possibilitando o surgimento de uma gama enorme de novos produtos eletro-eletrônicos.

A partir dessa definição, entendemos que o conceito de inovação tecnológica somente se concretiza se houver a interação das seguintes partes do processo de inovação:

• Deverá haver uma invenção;
• Deverá haver uma incorporação aos sistemas produtivos;
• E também deverá haver resultados econômicos positivos que suportem ou garantam a incorporação aos sistemas produtivos.

A invenção é a idéia mental elaborada, conceitual de algo, transformada em desenhos, projetos, cálculos, construções ou montagens, testes, aplicadas na prática gerando um produto, processo ou serviço novo.

A partir de vários fatores interferentes como custo, viabilidade, existência potencial de mercado, interesses comerciais, etc., a invenção poderá ter sucesso econômico ou não, tornando-se como já foi dito, uma invenção incorporada aos meios produtivos e, portanto, uma inovação tecnológica.

b) As inovações organizacionais

Simplificando, entende-se como as inovações de caráter administrativo, de gestão de pessoas e gestão da organização.

A reorganização completa de uma empresa é uma inovação organizacional, enquanto a reorganização “somente” dos recursos de produção pode ser definido como uma inovação tecnológica.

Neste ponto há que se tomar cuidado quanto a distinção entre as inovações tecnológicas e as inovações organizacionais, pois existe uma certa confusão nesta distinção. Isto acontece quando os dois tipos de inovações caminham juntos, lado a lado, pois uma depende da outra e vice-versa; uma interage diretamente com a outra de forma que o processo inovador completo em questão, depende do sucesso de implantação de uma inovação maior constituída na verdade de um misto de inovação tecnológica com inovação organizacional.


3.1- Exemplo de inovação tecnológica e organizacional


SAP = Sistemas de Administração da Produção

Os Sistemas de Administração da Produção qualquer que sejam, possuem cada um, filosofia de gestão própria. Todos tem como objetivo básico, planejar e controlar todo o processo de manufatura e logística utilizando-se de diversas ferramentas, técnicas de planejamento e programação de materiais e produção como softwares, outros equipamentos adequados ao SAP em questão e também técnicas de gestão de pessoas e fábricas e organizações.

Atualmente temos três Sistemas de Administração da Produção principais, que são:
• MRP II - Manufacturing Resources Planning
• OPT - Optimum Production Technology
• JIT – Just in time

Cada um desses três sistemas com suas próprias filosofias e características têm evoluído através de inovações incrementais ao longo do tempo, a partir de suas criações ou idéias pioneiras, como o MRP II, uma evolução do MRP original.

Os sistemas baseados no MRP possuem inerentemente a inovação tecnológica referente ao uso de softwares para realização dos diversos cálculos de estoques, suprimentos e manufaturas necessários. Atualmente devido ao grau de desenvolvimento computacional, são softwares sofisticados e complexos integrando não mais somente o ambiente de produção, mas todo o ambiente da organização, como área financeira, custos, fiscal, recursos humanos, etc., sendo conhecidos também como os ERP’s. O MRP / MRPII, enquanto inovação organizacional possui uma filosofia de gestão hierarquizada, formal com responsabilidades bem definidas;

O JIT ou just in time é um sistema de produção baseado no chamado sistema ‘enxuto de produção’. Também possui inovações tecnológicas concomitantemente com inovações organizacionais. São inovações tecnológicas apresentadas pelo JIT, a automação, a redução do tempo de set-up dos equipamentos, a introdução dos dispositivos a prova-de-falhas.

São exemplos de inovações organizacionais do JIT, o conceito de células de manufaturas no que tange a definição de responsabilidade, onde o operador é treinado e orientado para trabalhar diante de uma nova estrutura de responsabilidade – o operário é o  responsável pela organização, limpeza, manutenção e produção da sua célula de manufatura.

O sistema kanban também foi uma inovação organizacional desenvolvida a partir do JIT – é uma inovação organizacional na medida em que é uma técnica de gestão e controle (visual normalmente) de estoques e do fluxo de produção dentro da manufatura JIT.


3.2- Modelos de inovações


Existem três tipos principais de modelos de inovação:

• O modelo linear
• O modelo linear reverso
• O modelo interativo

Na concepção linear, a mudança técnica era compreendida como uma seqüência de estágios, em que novos conhecimentos advindos da pesquisa científica levariam a processos de invenção que seriam seguidos por atividades de pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico resultando, ao final da cadeia, em introdução de produtos e processos comercializáveis.

As políticas científica e tecnológica das décadas de 1950 e 1960, baseadas no investimento maciço na pesquisa científica com a expectativa de resultados correspondentes aos investimentos ao final da cadeia, as chamadas abordagens science push, apoiavam-se nessa concepção. Da mesma forma, as políticas que emergiram nas duas décadas seguintes, as abordagens demand pull, também se acomodavam naquele modelo.

Nestas últimas, novos elementos foram introduzidos no modelo, mas a concepção linear da dinâmica da inovação permaneceu, invertendo apenas o sentido da cadeia linear. As demandas e o mercado influenciariam a direção e a velocidade da mudança técnica sinalizando os caminhos onde os investimentos deveriam ser realizados na fronteira das possibilidades técnicas.

As abordagens lineares da inovação inspiram-se em duas áreas de teorização sobre o crescimento e desenvolvimento: as teorias clássicas, que tratam a inovação de modo mecanicista a partir de variáveis intrínsecas às empresas e como produto de seus processos internos; e as teorias neoclássicas, que tentam incorporar as forças externas e atribuir a mudança técnica a fatores externos.

Em ambos os casos os investimentos em capital físico e humano são determinantes centrais do desenvolvimento tecnológico e a inovação resulta de uma série sucessiva de etapas em um continuum linear. Essas abordagens ainda hoje seriam dominantes na pesquisa acadêmica e na formulação de políticas, mesmo quando novas terminologias foram incorporadas (Ebner, 2000; Jackson, 1999)

A partir da década de 1980, particularmente após o estudo de Kline & Rosenberg (1986), que introduziu um modelo interativo do processo de inovação que combina interações no interior das empresas e interações entre as empresas individuais e o sistema de ciência e tecnologia mais abrangente em que elas operam (o chain-linked model), o modelo linear de inovação sustentado pelas teorias clássica e neoclássica passou a ser considerado superado.

O modelo linear se apoiaria excessivamente na pesquisa científica como fonte de novas tecnologias, além de implicar uma abordagem seqüencial e tecnocrática do processo e com uma visão da inovação tecnológica em termos de construção de artefatos e de desenvolvimento de conhecimentos específicos relacionados com produtos e processos.

Ele também negligenciava as atividades externas à P&D ao considerar a inovação tecnológica como um ato de produção em lugar de um processo social contínuo envolvendo atividades de gestão, coordenação, aprendizado, negociação, investigação de necessidades de usuários, aquisição de competência, gestão do desenvolvimento de novo produto, gestão financeira, dentre outras (Sirilli,1998).

A constatação de que os investimentos em P&D não levariam automaticamente ao desenvolvimento tecnológico, nem ao sucesso econômico do uso da tecnologia e de que nada estaria garantido apenas pela invenção de novas técnicas, deixou evidentes as limitações do modelo linear, reforçando a emergência das abordagens não-lineares ou interativas.

Essas novas abordagens enfatizam então o papel central do design, os efeitos de feedback entre as diversas fases do modelo linear anterior e as numerosas interações entre ciência, tecnologia e o processo de inovação em todas as fases.

Segundo Furtado & Freitas (2004), “a corrente evolucionista sobre o progresso técnico coloca que as formas de relacionamento entre pesquisa e atividade econômica são múltiplas” e que o processo de inovação é percebido como sendo interativo e multidirecional, não havendo uma etapa apenas - a da invenção, em que o aumento do conhecimento é aproveitado pelo sistema econômico. Ao invés, existem momentos distintos do processo de inovação em que o conhecimento científico é aproveitado pelo sistema econômico.

Ainda segundo Furtado & Freitas (2004), a tecnologia não requer necessariamente o avanço da ciência, pois “muitas vezes este avanço anda a reboque da tecnologia”, e que “muita inovação é feita lançando mão de conhecimento tecnológico existente”. A relação entre pesquisa e tecnologia, segundo os autores, se estabelece em duplo sentido. A nova ciência “contribui para o avanço tecnológico, mas a nova tecnologia também contribui para o avanço da ciência, como ilustra o caso da informática cujo espetacular avanço potencializou a pesquisa científica no campo genético”.

A relação entre empresas e a pesquisa, segundo o modelo interativo pode ocorrer casualmente e pode incidir em diversas etapas do desenvolvimento de um novo processo, produto ou serviço. Freqüentemente o avanço tecnológico suscita novas perguntas que são respondidas pelo avanço do conhecimento científico. O sentido da relação nem sempre vai da pesquisa básica para o desenvolvimento tecnológico, como no modelo linear.

No modelo interativo, o centro da inovação é a empresa. Ele combina interações no interior das empresas e interações entre as empresas individuais e o sistema de Ciência e
Tecnologia mais abrangente em que elas operam. A inovação é atividade da empresa. Da empresa derivam as iniciativas que vão possibilitar a inovação, partindo-se de necessidades do mercado, apoiando-se no conhecimento científico já existente ou buscando um novo conhecimento científico.

A P&D não são mais a base da inovação, a abordagem seqüencial é considerada somente como um dos seus caminhos da inovação e a pesquisa não necessariamente um “bem público”. A seqüência linear entre Ciência, Tecnologia & Inovação é apenas umas das possibilidades de inovação. A relação entre pesquisa científica e tecnologia segue não somente um, mas vários outros caminhos, e a pesquisa científica pode interferir em diversos estágios do processo de inovação.

Pelo menos cinco caminhos da inovação são identificados no modelo interativo:

• Caminho central da inovação, começando do mercado e tendo como centro a empresa;

• Caminho das realimentações (feedback loops), baseado no conceito de “learning by use” de Kline & Rosenberg (1986), que permitem o surgimento principalmente das inovações incrementais. Percebem-se as potencialidades de inovação através do uso e retroalimentam-se todas as fases;

• Caminho direto de e para a pesquisa, de uma necessidade detectada na empresa ou uma pesquisa aproveitada pela empresa;

• Caminho do modelo linear, do avanço científico à inovação;

• Caminho das contribuições do setor manufatureiro para a pesquisa por instrumentos, ferramentas, etc. (a tecnologia gerando ciência).

A existência de feedback loops entre as atividades de pesquisa e produtivas da empresa é característica central do processo de inovação neste modelo.


4. CONCLUSÃO


O tema em torno da inovação é ainda complexo, permite variadas interpretações e também adaptações. Inovar envolve uma série de competências tecnológicas, mercadológicas e gerenciais. Entender o conceito de inovação e praticá-lo demanda tempo, dedicação e investimentos. A aplicação das inovações sejam tecnológicas, sejam organizacionais são sempre fontes de redução de custos, aumento de produtividade, lucratividade, aumento do poder competitivo dentre outros fatores, quando bem usadas no negócio.

Uma empresa, quando suas características de produto, produção e demanda, possibilite a implantação de um sistema just in time, por exemplo, terá benefícios de redução de estoques e consequentemente do capital de giro para financiar estes estoques, terá melhor qualidade do produto, menores perdas, melhores resultados econômico-financeiros, etc., pois são premissas inerentes a esse sistema.

Muito provavelmente grande parte das empresas que estão buscando inovações, irá fazê-lo pelo modelo interativo através de um dos caminhos estudados neste texto, devido a grande complexidade dos mercados atuais, concorrência e tecnologias.  Atualmente, o que se pode perceber é que, a empresa através de seus profissionais tem procurado adquirir mais conhecimentos sobre inovação, gestão da inovação, seus fundamentos, conceitos e aplicações, principalmente como forma de aumentar a competitividade e diferenciação no ambiente de negócios.


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BARBIERI, José C.; TEIXEIRA A., Antônio C. Inovações nas organizações empresariais. In: BARBIERI, José C. Organizações inovadoras: estudos e casos brasileiros. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2003. n.2, p. 41-56.

GRIZENDI, Eduardo. Processos de inovação: Modelo linear x modelo interativo. Disponível em: http://www.institutoinovacao.com.br/downloads/eduardo_grizendi.pdf>. Acesso em: jul. 2007.

FERNANDEZ CONDE, Mariza V.; CREMONINI ARAÚJO, Tânia. Modelos e concepções de inovação: a transição de paradigmas, a reforma da C&T brasileira e as concepções de         gestores de uma instituição pública de pesquisa. Disponível em: www.scielo.br/pdf/csc/v8n3>. Acesso em: jul. 2007

VILLELA JR, José I. Gestão da logística: 3- Sistemas de administração da produção. Belo Horizonte: IETEC, 2002.

 

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