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:: Gestão e Tecn. da Informação

Uma introdução às principais bibliotecas de gerenciamento de projetos de TI

Leonardo Muradas San Martin Reis

Engenheiro Mecatrônico formado pela PUC-MG, com especialização em Engenharia de Software pelo DCC/UFMG e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Ietec. Atualmente trabalha na empresa SIEMENS-VAI.

Resumo

Este artigo tem como objetivo uma introdução às principais bibliotecas de gerenciamento de projetos aplicáveis à projetos de TI, a citar: PMBOK, CMM, COBIT, ITIL e ISO. Para isto, é apresentado um breve histórico sobre cada biblioteca, a aplicabilidade à projetos de TI, como devem ser implantadas, além de modalidades de certificações existentes no mercado.

Os leitores alvo são gestores de TI que possuam pouco conhecimento no assunto e que desejam implantar alguma metodologia de gerenciamento de projetos na sua organização ou em algum projeto isolado. Não é objetivo do artigo aprofundar em nehuma das bibliotecas citadas.

Abstract

This whitepaper’s main objective is introducing the most known IT project management frameworks as PMBOK, CMM, COBIT, ITIL and ISO. For each framework is presented a short introduction, its applicability on IT projects, how to apply it, and available related certifications.

The target readers are IT managers with little or none knowledge on the subject but intended to apply project management techniques on their organizations or on a particular IT project. Detailing the frameworks is not scope of this paper.


1 - Introdução


Atualmente muito se fala sobre governança corporativa e consequentemente em governança em TI, com diversas metodologias, conjunto de boas práticas e até mesmo leis como a Sarbanes-Oxley (Sarbox) sendo adotadas pelas empresas de maior porte. Bibliotecas de gerenciamento de projetos vêm guiando as empresas do mercado de TI na busca de respostas aos desafios relacionados a investimentos, complexidade tecnológica, ciclo de vida e estratégia do negócio.

Em relação a gerenciamento de projetos existem bibliotecas específicas para a área de TI e outras aplicáveis à qualquer área de negócio. Da mesma forma, existem bibliotecas que tratam especificamente de gerenciamento de projetos, enquanto outras são mais abrangentes e possuem módulos relacionados a gerenciamento de projetos.

Nos próximos ítens serão descritas algumas destas bibliotecas, com o objetivo de apresentá-las a  gestores de TI que possuam pouco ou nenhum conhecimento no assunto, auxiliando na escolha de qual metodologia implementar na empresa ou adotar em projetos específicos. Para isso, foram consultados livros, os sites oficiais de cada biblioteca, e-books e materiais da internet, para que fosse possível compilar as principais características de cada biblioteca. Não é objetivo deste artigo aprofundar em nenhuma das bibliotecas abordadas.


2 - Metodologia


Para estruturar melhor o artigo cada biblioteca citada foi descrita individualmente:


2.1 - PMBOK – Project Management Book of Knowledge


O PMBOK, datado do início dos anos 80 e atualmente em sua terceira edição, é o conjunto de boas práticas para gerenciamento de projetos compilado pelo PMI. Em sua estrutura são considerados 5 grupos de processos – iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, encerramento - e nove áreas de conhecimento a serem administradas: integração, escopo, tempo, custo, qualidade, RH, comunicações, riscos e  aquisições. Para cada área de conhecimento existem processos com entradas e saídas, além de técnicas e ferramentas necessárias à sua administração.

Os conhecimentos descritos no PMBOK são totalmente aplicáveis em projetos de TI. É aconselhável que se tenha conhecimento em alguma metodologia de desenvolvimento de software (como RUP) no caso de projetos de desenvolvimento, interno ou externo. Isto facilita a execução dos processos descritos no PMBOK no negócio TI.

O PMBOK pode ser implementado dentro da organização de forma evolutiva, principalmente quando não existe maturidade em gerenciamento de projetos. Assim, é possível começar a gerenciando o escopo e o tempo em um primeiro projeto, passando a contemplar custo e aquisições no projeto seguinte, até que todas as áreas de conhecimento sejam cobertas.

O PMI disponibiliza a certificação em gerenciamento de projetos - para pessoas, e não para organizações - conhecida como PMP (Project Management  Professional).


2.2 - CMMI - Capability Maturity Model Integration

 
O CMMI (Capability Maturity Model Integration) foi criado em 1991 no Institudo de Engenharia de Software (SEI) da Universidade de Carnegie Mellon. A metodologia entende que a qualidade de um sistema de software está diretamente relacionada à qualidade dos processos envolvidos no seu desenvolvimento; quando o enfoque fica apenas no "produto" se perde o conhecimento de como produzí-lo melhor por meio da evolução destes processos.

O CMMI prega a melhoria contínua dos processos baseada em pequenos passos evolutivos e estabeleceu cinco níveis de maturidade que são as diretivas para estas melhorias. Um nível maior de maturidade indica maior capacidade do processo de software.

Ao contrário do PMI, que certifica profissionais com habilidades nas práticas descritas no PMBOK, o CMMI certifica a organização. Esta certificação vai do nível 1 ao nível 5, conforme resumo abaixo:

• Nível 1 (Inicial): geralmente com processos ad-hoc, normalmente não aplicados a todos os projetos da organização. O sucesso depende principalmente da aplicação dos membros da equipe de projetos

• Nível 2 ( Repetível): os processos de desenvolvimento de software são repetidos, mesmo que apenas para alguns projetos. Ferramentas de gerenciamento de projetos são utilizadas para mapear principalmente os custos e o prazo do projeto, mesmo que estes sejam normalmente excedidos.

• Nível 3 (Definido): a organização tem estabelecido um conjunto padrão de processos, que é melhorado periodicamente. Subconjuntos destes processos são usados nos projetos da empresa sob supervisão gerencial. Não existem processos particulares para cada projeto.

• Nível 4 (Gerenciável): métricas são usadas para se controlar o esforço de desenvolvimento dos projetos. Usam-se técnicas estatísticas e quantitativas para se controlar os processos utilizados nos projetos, aumentando a previsibilidade quantitativa dos mesmos.

• Nível 5 ( Otimizado): no nível 5 a principal preocupação é o aumento do desempenho quantitativo dos processos. Metas são estabelecidas e os processos monitorados para que estas sejam alcançadas. O aumento de desempenho é medido e acompanhado através de ferramentas de qualidade.
Existem empresas autorizadas pelo SEI a certificar as organizações dentro de cada nível e diversas outras para ajudar estas organizações a atingir o nível desejado, principalmente em forma de consultorias e auditorias.


2.3 - ITIL - Information Technology Infrastructure Library


O Itil, criado anos 80 e sob custódia do governo ingles, é um conjunto de 7 livros com boas práticas de gestão de serviços de tecnologia da informação focado no cliente e na qualidade dos serviços. É estruturado em disciplinas que descrevem 10 processos, subdivididos em 2 grandes grupos:

• Service Support: Gestão de Incidentes, Gestão de Problemas, Gestão de Mudanças, Gestão de Liberações, Gestão de Configuração

• Service Delivery: Gestão de Nivel de Serviço, Gestão de Capacidade, Gestão de Disponibilidade, Gestão Financeira, Gestão da Continuidade

O ITIL não é exatamente um conjunto de práticas de gerenciamento de projetos, mas cabe sua inclusão neste artigo pelo simples fato de conter boas práticas para o correto desenvolvimento de um projeto de software.

Existem 3 certificações ITIL disponíveis: Foundations (conhecimento genérico sobre ITIL), Pratictioner (conhecimento específico de um conjunto de processos) e Manager (conhecimento de todo o conjunto de processos do ITIL).


2.4 - COBIT - Control Objectives for Information and related Technology

 
O CobiT é o guia de governança de tecnologia da informação recomendado pelo ISACF (Information Systems Audit and Control Foundation), criado em 1996 e hoje coordenado  pelo IT Governance Institute (www.itgi.org).

O COBIT é orientado ao negócio e é apresentado em 3 grandes grupos: Critérios de informação, Processos de TI e Recursos de TI. As interações entre estes grupos ajudam a organização executora a alcançar o objetivo de um projeto (ou do negócio). Os processos de TI garantem que a busca de informação necessária para a execução de um projeto é eficiente (atendendo aos critérios de informação) e estão categorizados em quatro domínios:

• Planejamento e organização: estratégias são formuladas para integrar os processos à organização e para apresentá-los às pessoas de interesse.

• Aquisição e implementação: aquisição ou desenvolvimento de soluções de TI para garantir que o estágio anterior seja cumprido.

• Entrega e suporte: Assim que as soluções de TI são entregues, serviço de suporte deve ser disponibilizado.

• Monitoramento: as soluções devem ser monitoradas dando ao gerente condição de verificar o sucesso do projeto.

Estes 4 estágios contêem 34 objetivos de controle gerais, detalhados em 302 objetivos de controle específicos.

Não existe uma certificação direta em COBIT, mas o IT Governance Institute oferece certificações mais abrangentes, como a CGETI (certificação em governança de TI).


2.5 - ISO 20000


A biblioteca BS 15000 (criada a partir da ITIL) foi a base para o desenvolvimento da norma ISO 20000 em 2005. A norma está dividida em 2 partes: ISO 20000-1 (Especificações) e  ISO 20000-2 (Código de prática), esta última semelhante à ISO 9000.

A norma é estruturada em 7 partes:

• Sistema de Gestão: define e implanta um sistema de gestão

• Planejamento e implementação de serviços: garante a aplicação da norma em serviços novos e em alterações de serviços já executados

• Processos de entrega de serviços: garante que os serviços prestados pela organização sejam definidos, acordados, registrados e geridos

• Processos de relação com terceiros: garante que envolvidos em uma prestação de serviços de TI estejam cientes das necessidades de negócio e de suas  obrigações

• Processos de resolução – gestão de respostas a incidentes

• Processos de controle – garante o controle dos serviços prestados

• Processos de disponibilização – garante a entrega e o acompanhamento do serviço prestado

Para a certificação da organização pela ISO 20000, a empresa deverá criar ou adaptar seus processos de desenvolvimento de software e garantir (via  auditoria pelo órgão competente, assim como outras certificações ISO) que tais processos são executados.


3 - Resultados e discussão


Existem várias opções de bibliotecas relacionadas a gerenciamento de projetos de TI, cada uma com uma característica dominante: o  PMBOK é uma das mais conhecidas e aplicável a qualquer tipo de projeto, a ISO 20000 a mais nova e uma das mais promissoras (pela força da marca ISO), a COBIT bastante conceituada no amiente de governança de TI, a CMMI a mais difundida e reconhecida comercialmente entre as empresas de TI e a ITIL bastante voltada ao operacional.


4 - Conclusão


Para que uma organização decida qual linha seguir, deve-se aprofundar o conhecimento nas bibliotecas de interesse. A adoção de apenas uma biblioteca pode ser inadequada, pois muitas se complementam. Deve-se analisar combinações de duas ou mais bibliotcas, que juntas trarão melhor resultado.

A utilização dos ensinamentos do ITIL, diretamente ligados ao operacional, com as boas práticas do PMBOK, é uma excelente alternativa para as organizações que querem otimizar os seus serviços de TI.

Estrategicamente, é importante que as organizações (no papel dos gestores de TI) tenham a consciência que a utilização de técnicas de gerenciamento de projetos, seja de alguma biblioteca citada no artigo ou de outra existente no mercado, propiciará uma melhoria considerável na qualidade e na produtividade dos seus projetos de TI.


5 – Bibliografia


Souza, Adilson Moreira. Implementando o CMMI (Capability Maturity Mode Integration) como ferramenta para gerenciamento de projetos de Software. Matéria publicada em 01/12/2005. Disponível em http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=30&rv=Vivencia. Acesso em Julho/2007.

IT Governance Institute. Cobit 4.1 Executive Summary. Disponível em http://www.isaca.org/AMTemplate.cfm?Section=Downloads&Template=/ContentManagement/ContentDisplay.cfm&ContentID=34172
Acesso em Julho/2007

Turbitt, Ken. ISO 20000: O que deve uma organização fazer? Software BMC. Disponível em http://documents.bmc.com/products/documents/49/68/64968/64968.pdf
Acesso em Julho/2007

Espildora , Francisco Gentil. Excelência na Gerência de Serviço. SERPRO. Tema 172 - Nº 72 – 2004. Disponível em http://www.serpro.gov.br/publicacao/tematec/tematec/2004/ttec72. Acesso em Agosto/2007

Sites oficiais de cada biblioteca:

ISO 20000: www.iso.org

COBIT: www.isaca.org/cobit

ITIL: www.itlibrary.org

CMMI: www.sei.cmu.edu/cmmi

PMBOK: www.pmi.org

 

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