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Compras

A importância atual do profissional de compras nas organizações

Antenor Berquó Guimarães

Chefe do Departamento de Compras, Contratos e Licitações da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais. Pós-graduado em Administração de Compras pelo Ietec.

1. INTRODUÇÃO:

O tema do trabalho surge com a realidade e a necessidade do mercado atual, do contexto interno das organizações e do contexto externo do mercado globalizado, mundial, nacional e regional. Não há espaço para o profissional de compras de outrora, aquele profissional esquecido, isolado em um processo rotineiro e repetitivo, onde o procedimento do dia-a-dia consiste em eternas cotações por telefone ou fax, ocupando uma posição sem destaque e decisão na organização, onde sua posição não aparecia nos organogramas das empresas, confundindo-se muitas vezes, com outras áreas administrativas ou de materiais.

O setor e a função Compras era vista como uma área de suporte e seus chefes eram meros auxiliares de informações e de posições sobre as compras realizadas e demais atividades inerentes ao setor, reportando estas informações aos superiores hierárquicos, com pouca ou nenhuma incidência na rentabilidade da empresa, preocupavam com descontos, tempos de processamento de ordens ou pedidos de compras, prazos de entrega. Acabou o tempo de que a melhor compra era aquela comprada pelo menor preço.

Hoje detemos tecnologia apropriada, alguns milhares de reais são investidos dia-a-dia em tecnologias de suporte e a responsabilidade de comprar com qualidade, atingindo os objetivos das organizações no que diz respeito ao menor custo e maior qualidade está diretamente ligada à tecnologia empregada no processo de aquisição, daí a necessidade de investimentos em tecnologia e capacitação profissional. "Uma empresa só é competitiva se seus fornecedores também forem competitivos", explica o professor Stavros (2003) "Antes, o comprador se orgulhava de uma boa compra, de um bom negócio. Hoje, ele busca o desenvolvimento de um bom fornecedor, no estabelecimento de relacionamentos em que todas as partes saem ganhando. Está descaracterizado o aspecto de barganha das negociações". Aplicam-se metodologias apropriadas assim com fins determinados.

1.1 PERFIL E DESENVOLVIMENTO DO PROFISSIONAL DE COMPRAS:

O perfil do profissional que o mercado necessita mudou. "As características valorizadas na década de 90 mudaram muito em relação às atuais", garante Crespi (2003) sócio e diretor-geral da Heidrick Struges, consultoria especializada na contratação de altos executivos. O comprador tem de estar preparado para atender e entender o mercado, buscando soluções criativas e inovadoras, mantendo-se sempre atualizado, disposto a desafios, mudanças e adequações.

O profissional de compras deve desenvolver em conjunto com a sua equipe relacionamentos estáveis e duradouros com os clientes internos e fornecedores. Em relação aos desenvolvimentos e objetivos principais com seus contatos externos deve, com os fornecedores, desenvolver e aplicar diretrizes de longo prazo.

Outro foco do comprador atual se direciona para o relacionamento e desenvolvimento de contratos globais a longo prazo. Exigem grande capacitação do executivo ou equipe de compras em negociar. Esta visão, experiência profissional, abrange diversas áreas e especialidades. São exigidos dos executivos de compras, conhecimentos nas áreas do Direito, Engenharia, Administração, Economia, Finanças, Legislação tributária e Cultura Internacional, quando for o caso. Exige-se para o novo profissional de compras que o mesmo esteja focado sobre toda a cadeia e ciclo dos suprimentos, produtos, além de conhecer profundamente o negócio da organização. Que seja pró-ativo, estratégico, planejador, negociador e com maior capacitação.

Desenvolver as ferramentas eletrônicas para otimizar processos de compras, reduzir custos e melhorar resultados como e-procurement (cotações e catálogos), leilão reverso, entre outros. Desenvolvimento de novos procedimentos em compras, como Stratégic Sourcing, visando uma abordagem de maior alcance e abrangência sobre os relacionamentos com os fornecedores, otimização do processo de compras, desenvolvimento dos profissionais da área e criação de sistemáticas de controle e avaliação.

Sendo necessário implementar e intensificar o estudo referente à classificação de materiais com base em conceitos fundamentais, especificação e com padronização de descrição, desenvolvendo critérios para cadastramento. Aperfeiçoar os inventários, tanto o rotativo quanto o geral, pois é de fundamental importância para o monitoramento da acuracidade, ou seja, do aperfeiçoamento do estoque.

Além do exposto acima, é de imensa importância para o executivo de compras ser ético. A ética é uma ferramenta poderosa ao alcance e pratica de todos profissionais, principalmente no que tange a função compras. Acima de tudo o profissional deve ter atenção especial com a questão, devendo pautar sua carreira e suas atitudes sob os alicerces da boa conduta ética.

1.2 O OBJETIVO DO PROFISSIONAL E DA ÁREA DE COMPRAS:

Cabe a área e ao profissional de compras, a aplicação de soluções que tragam eficiência e desempenho às atividades. Quanto mais a competitividade do mercado cresce, maior é a exigência por novas soluções. A principal análise ou foco do executivo de compras é referente à lucratividade das empresas. Deverão ser criados culturas e procedimentos para identificar e priorizar as oportunidades de ganhos em suprimentos, por meio da análise e definição de prioridade por categoria, pela incorporação e estudo de todos os custos diretos e indiretos, negociações planejadas, integradas ao ciclo de fabricação. Esta aplicação de procedimentos não só garante um maior potencial de ganho, como também agiliza o processo de aquisição. Assim, a empresa pode se estruturar para decidir como vai ao mercado comprar seus produtos principais. Uma empresa pode obter ganhos na negociação com os fornecedores de 5% a 25%. Com relação à redução de custo, em alguns casos, a redução de tempo pode chegar a 40%.

Do ponto de vista financeiro, estas atitudes tem importância fundamental dentro das organizações. O objetivo de executivos e da área em geral de compras é a de ajudar a empresa a elevar a sua receita, aumentar a sua lucratividade e melhorar o nível de capital da empresa, aumentando desta forma o desempenho financeiro nas organizações de modo positivo, fazendo com que o Patrimônio Líquido seja relevante nas análises efetuadas e com ganhos expressivos para seus acionistas ou sócios. Como cita Verçosa (2003), em seu artigo Estratégia Compras, Mais poder de decisão, que diz: "Compras põe a serviço da empresa sua capacidade de geração de resultados para acionistas".

Para se ter uma idéia dessa evolução, conforme Verçosa (2003), os números não deixam dúvidas. Ela observa que as empresas que tem utilizado as melhores práticas em Compras, desenvolvendo internamente ou atraindo talentos para a área, são capazes de materializar ganhos significativos. Estudos internacionais demonstram que, de 2001 a 2003, as empresas diminuíram seus recursos em 14%, enquanto o custo de sua operação aumentou em 1% isto é, elas têm menos funcionários em compras, porém com salários mais altos, em função da melhor capacitação.

O custo por funcionário aumentou em 8% no período. No entanto, a redução de custo gerada por funcionário de Compras aumentou em 46% e o retorno sobre o investimento em compras (custo total da operação/redução de custo gerada) sai de 3,62 vezes para 5,53 vezes. Esses dados são muitos significativos, já que se sabe que muitas empresas gastam cerca de 40% do faturamento em compras de insumos e outros produtos para a manutenção de sua atividade. E hoje não significa mais só em se conseguir uma boa barganha com os fornecedores, mas, sobretudo estabelecer novos parâmetros de relacionamento com eles, tendo em vista o planejamento estratégico da empresa.

Por sua vez, Moura (2003), diretor da Comissão de Ética e Responsabilidade Social do CBEC, explica que as empresas globais e multinacionais no Brasil, bem como as grandes empresas brasileiras estão alinhadas com as melhores práticas de mercado, reconhecendo claramente a contribuição de Compras. "De um modo geral, as empresas médias e pequenas ainda carecem de conhecimento e alinhamento com essas práticas", avalia ele. Em sua opinião, o benefício da área de Compras é o mesmo independentemente do porte da empresa. Uma empresa pequena pode ter menor capacidade de negociação, mas isso será levado em conta na hora da definição da estratégia de contratação. Neste caso, um profissional capacitado terá melhores condições de identificar onde estão as oportunidades mais interessantes para otimizar as compras.

Verçosa (2007) assinala que a introdução desse novo conceito de Compras é viável para as pequenas e médias empresas, sem dúvida. "Novamente, um profissional bem preparado saberá identificar quais as mudanças fazem sentido e como priorizá-las, diz ela, observando que as técnicas de gestão são as mesmas para todas as empresas. O que varia são soluções que podem ser menos ou mais orientadas por tecnologia, por exemplo, dependendo da capacidade de investimentos de cada empresa. Ou decisões de comprar ou fazer internamente, ou decisões de fazer internamente ou terceirizar".

Todas as compras são importantes para a empresa e devem ser tratadas com rigor. A classificação usual entre compras de itens produtivos (que entram no produto da empresa) ou não-produtivos representa inadequadamente sua importância do ponto de vista financeiro. Como cita Verçosa (2007), em algumas empresas, as compras de não-produtivos chegam a representar 30% do total gasto pela empresa. "Uma análise detalhada dos gastos da empresa faz-se necessária para identificar e priorizar os gastos mais significativos onde a empresa deve por foco".

Apesar de tudo o que se tem dito a respeito da importância estratégica da área de Compras por sua capacidade de influência no resultado financeiros das empresas, muitos executivos ainda não se deram conta de sua importância ou simplesmente não conseguiram traduzir em ações seu suporte efetivo. Na maioria das vezes é realmente falta de conhecimento da área e sua atuação. Em outras vezes a liderança não tem a segurança para tomar as decisões necessárias e viabilizar suas áreas de Compras. Enfim não existe empresa que não compre nada. Ao contrário, as empresas gastam em compra de serviços de produtos de terceiros valores bastante representativos em relação as suas vendas.

2. CONCLUSÃO:

Podemos, portanto, concluir que, Compras, tem como missão determinante à geração de resultados positivos tanto no setor operacional, como resultados financeiros, este equilíbrio da balança proporciona ao departamento de compras a função de agregar valor às organizações. Tornando-se verdadeiros centros de inteligência, onde são desenvolvidos estudos de alta profundidade, no interior das organizações, como no exterior, como nos mercados externos. É vital que a área de compras seja bem informada sobre o ambiente externo e suas influências, podendo, assim, dar sua contribuição como parte da equipe de planejamento, e execução, inteiramente integrado à organização.

Hoje em dia, empresários, grandes acionistas e proprietários no geral, possuem a visão do novo modelo organizacional e do papel preponderante do Executivo de Compras, onde a pró-atividade aliada a uma sensibilidade abstrata, entenda-se como um intuído, eleva-o a uma posição determinante nas tomadas de decisões. O status é alcançado por profissionais atentos, dispostos, audaciosos e bem preparados na cadeia organizacional, colocando-os no topo do escalão hierárquico. Não se pode ter lucratividade neste setor, sem a figura do Executivo de Compras possuidor destes atributos. O momento é por demais favorável, e o que se cultuava e executava no passado, só serve como base e experiência.

Esta é a hora, o século XXI traz novas perspectivas e novos desafios. Cabe ao profissional de Compras e as Organizações se adequarem à nova realidade para termos a perpetuação, longevidade do negócio e reconhecimento, garantindo o bem estar social de todos os envolvidos.

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BAILY, P. et al. Compras, Princípios e Administração. 1ª ed. [S.l]: Atlas, 2000. 2º vol.

BERLIN, J.R.H. et al. O processo de compras e contratações de serviços Oxiteno. Bahia: Universidade Federal da Bahia, 2003.

BOLONHEZ, L. Desafios e soluções na gestão dos processos de compra. 2007. Disponível em .

BRAGA, A. Evolução estratégica do processo de compras ou suprimentos de bens e serviços nas empresas. 2007. Trabalho individual (Compras Estratégicas).

CUNHA, C. A influência da Evolução Tecnológica na Aquisição de Bens, Insumos. 2007. Disponível em Acesso em: 14 dez/2007.

NOMURA, M.C. Profissional de Compras adquire status de executivo. Jornal Folha de São Paulo. São Paulo, maio 2007.

SOLUÇÃO e- Procurement reduz custos. Jornal do Comércio. Rio Grande do Sul, ag. 2006.

O novo executivo de Compras. São Paulo, v.77, nov. 2004. Disponível em Acesso em: 1.nov.2007.

VERÇOSA, M. A valorização da área de compras. Gazeta Mercantil. São Paulo, dez. 2003.

VERÇOSA, M. Setor de Compras discute melhores práticas. 2007. Trabalho individual (Conselho Brasileiro dos executivos de Compras). [S.l.:S.n].

VILLELA, J. Compras, Competitividade e lucratividade. 2007. [S.l.:S.n].

 

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