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Compras

A terceirização através da utilização das centrais de compras

Carlos Roberto Caetano

Pós-graduado Administração de Compras pelo Ietec.

1. INTRODUÇÃO

O mundo contemporâneo dos negócios caracteriza-se por transformações e mudanças rápidas, que têm exigido cada vez mais compreensão para tomada de decisões eficientes. A sobrevivência das organizações neste contexto se traduz na necessidade cada vez maior na busca pela maximização dos processos de produção, logística e minimização dos custos gerais totais. Têm-se dado grande ênfase ainda, a otimização e ao aumento da eficiência de todo o fluxo de materiais dentro da empresa e na cadeia de suprimento. A logística está em evidência e a estratégia é o uso efetivo dos recursos de comunicação e tecnologias de informação, que são a principal força motriz na busca de melhorias de lucratividade no campo da logística.

Diversas ferramentas de auxílio às empresas têm surgido na busca de vantagem competitiva, dentre elas, a terceirização que, nos mais diversos setores organizacionais, tem sido uma estratégia muito utilizada para busca de vantagem competitiva.
Dentre as diversas formas de terceirização, esta pesquisa abordará a utilização desta ferramenta através da utilização das centrais de compras, buscando demonstrar como esta estratégia se dá e, quais suas vantagens e desvantagens para as organizações.

A justificativa para a escolha do tema se dá pela atualidade do mesmo e, ainda, pela utilidade das centrais de compras, sobretudo para as empresas de pequeno porte que muitas vezes encontram-se em desvantagem nas negociações de valores de produtos para compra, se comparadas a concorrentes de grande porte, que adquirem lotes muito maiores e assim conseguem melhores valores.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 A Terceirização

A terceirização surgiu no mercado, simbolizando para muitas empresas uma forma destas focarem-se na sua competência central, repassando para terceiros suas operações produtivas. Com esta prática, elevou-se muito a importância dos prestadores de serviços logísticos.

De acordo com Ferreira (1998) a terceirização consiste na contratação de empresas prestadoras de serviços, designando a contratação de serviços de terceiros por organizações para a realização de suas "atividades-meio".

Em uma abordagem mais complexa, esclarece Fleury (1999) que a terceirização seria:

um processo de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, ficando a empresa concentrada apenas em tarefas essencialmente ligadas ao negócio em que atua. Dentre as inúmeras vantagens da terceirização, assumindo a visão de que ela é uma nova forma de gestão moderna pode-se citar algumas como: acesso a novos recursos tecnológicos, agilidade na implementação de novas soluções; previsibilidade dos gastos/custos e prazos, aumento de especialização, liberação da criatividade, acesso ao pessoal qualificado, crescimento do mercado regional, mudança na cultura interna, entre outras (FLEURY, 1999, P.24).

Entretanto, Gaona (1995) ressalta que:

hoje, no entanto, a terceirização se investe de uma ação mais caracterizada como sendo uma técnica moderna de administração e que se baseia num processo de gestão, que leva a mudanças estruturais da empresa, a mudanças de cultura, procedimentos, sistemas e controles, capilarizando toda a malha organizacional, com um objetivo único quando adotada, atingir melhores resultados, concentrando todos os esforços e energia da empresa para a sua atividade principal".
Assim, de acordo com Gaona (1995), a terceirização, proporciona instrumentos de gestão capazes de melhorar o desempenho das organizações, como: criação de vantagem competitiva pela criação de novas empresas, oferta de mão-de-obra diferenciada, oferta de empregos, especialização, aumento da competitividade, melhoria e controle da qualidade, aprimoramento do sistema de custeio, treinamento e aprimoramento, diminuição do desperdício como ponto fundamental, otimização dos recursos, valorização de talentos humanos, agilidade de decisões e saliente-se, menor custo.

2.2 A Central de Compras como Estratégia Competitiva

Avanços tecnológicos como a interconexão em rede e a formação de grupos virtuais é um exemplo de criação de grupo que permite que as empresas ampliem seus desempenhos de maneira integrada e ampliada. É mais ou menos dessa forma que funciona a centra de compras.

De acordo com Baily et al (2000):

as vantagens da centralização da atividade de compras dependem da habilidade com que o executivo responsável pelo trabalho usa mais eficazmente o poder de compra da empresa. Isso incluirá a consolidação das exigências, o desenvolvimento de fontes, a racionalização dos estoques, a simplificação dos procedimentos, o trabalho com fornecedores para eliminar custos desnecessários em vantagem mútua e o trabalho com colegas para assegurar um fluxo de informações eficaz que possibilitará o atendimento dos objetivos da empresa (BAILY et al, 2000, p. 78).

A empresa que se dedicar a manter seus custos baixos, utilizando uma central de compras, como uma estratégia, provavelmente estará criando uma vantagem competitiva, visto que vários clientes valorizam esta prática.

As centrais de compras podem ser vistas como uma estratégia que um grupo de comerciantes ou fazem uso, unindo-se a fim de efetuarem as compras de suas mercadorias ou matérias-primas em maior volume e assim obterem melhores preços de seus fornecedores.

Ao discorrer sobre centrais de compras, o Sebrae (1994) destaca o termo Associativismo que, seria "qualquer iniciativa formal ou informal que reúne um grupo de empresas, com o principal objetivo de superar dificuldades e gerar benefícios comuns nos níveis econômico, social e político", assim, ressalta-se que a central de compras é muito utilizada por empresas de pequeno porte, buscando o benefício comum de maior poder de barganha (SEBRAE, 1994, p.12).

Segundo o SEBRAE (1994) a central de compras funciona como uma distribuidora de produtos que, tem mais chances de ter sucesso quando as empresas parceiras utilizam a mesma matéria-prima. O principal objetivo desta terceirização seria obter dos fornecedores condições de negociação iguais aos das empresas que compram grandes quantidades.

A Estratégia de Compras está baseada em uma perspectiva global de mercado, em fontes de fornecimento únicas ou número reduzido de fontes, em uma cooperação com o Fornecedor orientada para a melhoria contínua da qualidade, em just-in-time e em custo ótimo. Através desta estratégia, as centrais de compras vêm garantindo uma negociação vantajosa para as pequenas e médias empresas.

Viana (2000) alerta que a criação de uma central exige espírito de coletividade, pois trabalha por um bem comum, onde ninguém tira vantagens de ninguém. Neste ambiente, o ato da compra envolveria as seguintes etapas: determinação do que, de quanto e de quando comprar; estudo dos fornecedores e verificação de sua capacidade técnica, relacionando-os para consulta; promoção de concorrência, para a seleção do fornecedor vencedor; fechamento do pedido, mediante autorização de fornecimento ou contrato; acompanhamento ativo durante o período que decorre entre o pedido e a entrega; e, encerramento do processo, após recebimento do material, controle da qualidade e da quantidade.

Comprar é uma arte, talvez das mais antigas, motivo pelo qual o padrão atual exige que o comprador possua qualificações, demonstrando conhecimentos dos procedimentos a serem adotados, das características dos materiais, bem como da arte de negociar, essencial na prática das transações.

Uma central de compras racionaliza os custos e ainda tem potencial para melhorar as condições do próprio empresariado, desenvolvendo entre o setor um tipo de solidariedade e força política imprescindível nas situações em que o grupo deve fazer valer os seus direitos de cidadãos-empresários. Trata-se da forma mais simples de integração comercial. O Sebrae (1994) acredita que a formação de parcerias estratégicas e o associativismo são uma grande saída para a pequena empresa. À medida que o nível de atenção dedicado às compras e suprimentos aumenta, o trabalho tende a tornar-se mais estratégico, concentrando mais ênfase em atividades como negociação de relacionamentos a prazos mais longos, desenvolvimento de fornecedores e redução do custo total, em vez de fazê-lo em rotinas de pedido e de reposição de estoques.

3. CONCLUSÃO

A criação de uma central de compras mostra-se viável para uma série de atividades empresariais, não importando o tamanho e tampouco sua forma. As vantagens são muito evidentes, sendo que, seu maior benefício seria a permissão da sobrevivência da pequena empresa no mercado contemporâneo, facilitando seu crescimento e tornando-a mais forte frente à concorrência, agregando valores a seus produtos.

As empresas que adotam abordagens de vantagem competitiva na administração de compras tendem a colocar em prática idéias de integração que são, pelo menos em parte, baseadas no papel estratégico e integrado das compras. Essa prática estimula maior interesse e, à medida que outras organizações tentam repetir esse sucesso, a função compras torna-se mais atual.

A centralização total de compras oferece vantagens como a economia obtida pela consolidação dos pedidos que melhora o poder de negociação da área de compras e facilita os relacionamentos com os fornecedores; evita as grandes diferenças de preços entre o grupo e a concorrência entre elas por materiais escassos; melhora a administração global de estoques; envolve menor número de funcionários com compras; uniformiza os procedimentos, formulários, padrões e especificações.

REFERÊNCIAS

BAILY, P., et al. Compras Princípios e Administração. São Paulo: Editora Atlas, 2000.

FERREIRA, F.R.N. Supply Chain Management: in Revista Evoluções e Tendências. Vitória: Faculdade de Ciências Humanas de Vitória, 1998.

FLEURY, P. F. Supply Chain Management: conceitos, oportunidades e desafios de implementação. Revista Tecnologística. São Paulo: Ano V, nº 39, fev,1999.
GAONA, H. B. M. O Uso da Simulação para Avaliar Mudanças Organizacionais na Produção. Florianópolis. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina, 1995.

SEBRAE. Centrais de compras. Curitiba: Edição Sebrae, 1994.

VIANA, J.J. Administração de Materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2000.

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