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:: Gestão e Tecn. da Informação

A importância do acesso às informações tecnológicas

Mauricio Ferraz de Paiva

Presidente da Target Engenharia e Consultoria e presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac).

Sem acesso fácil à informação tecnológica, não há como desenvolver o conhecimento científico. Como especialista em gestão do conhecimento e fundador da maior empresa facilitadora de acesso às informações tecnológicas da América Latina, Target Engenharia e Consultoria, com 15 anos de atividade no país, me sinto confortável em me aliar com aqueles que observam que o grau de conhecimento científico é uma das principais diferenças entre os países desenvolvidos e os outros.

Se considerarmos que podemos definir conhecimento como: Informação que facilita a inteligência humana ao entendimento de uma situação ou de um objeto, podemos dizer que uma das principais missões para alavancar o desenvolvimento de um país é adotar uma política correta para gerenciar, tornar disponível e facilitar o acesso de informações tecnológicas básicas.

Infelizmente, no Brasil, a visão egoísta de alguns centros públicos de geração de informações tecnológicas, tais como: Agências Reguladoras, Institutos de Pesquisa, Associações de Normas Técnicas, Universidades, etc., dificulta o fácil acesso a essas informações, por, muitas vezes, as tratarem como negócio, em detrimento aos reais benefícios que essas informações, se amplamente disseminadas, poderiam trazer ao país e à sociedade.

Essa equivocada visão, diferente da visão dos países desenvolvidos, interfere drasticamente no desenvolvimento tecnológico do Brasil, na medida em que as pessoas ou organizações deixam de investir grande parte de seu trabalho para o aprimoramento do conhecimento já existente, desperdiçando-o na tarefa de reinventar a roda.

Outro grave problema que esta situação gera é o risco, no âmbito legal, para os negócios das organizações, principalmente das micro e pequenas empresas, pois os produtos e serviços fornecidos por esses tipos de empresas, por falta de conhecimento ou recursos ao acesso às informações tecnológicas básicas, acabam não atendendo os requisitos mínimos necessários, para garantir a segurança e saúde das pessoas, a preservação do meio ambiente, o bom desempenho etc., estando sujeitas as penalidades constantes na legislação em vigor, tais como Código de Defesa do Consumidor etc.

Podemos ter a dimensão da importância desse assunto se observarmos que a rede mundial de computadores (Internet), quando criada nos Estados Unidos da América, teve como um dos objetivos iniciais e principais agilizar o acesso às informações científicas e promover seu intercâmbio entre seus centros de geração de informação.

Considerando a atual variedade de ferramentas eletrônicas existentes e a facilidade de contratação de serviços para informatização de processos, criar um ambiente informatizado de gestão do conhecimento, que torne disponível um conjunto de informações organizadas, deixou de ser o ponto crítico dessa questão. Um sistema de gestão de conhecimento deve ser projetado para alcançar os seguintes objetivos:

- Facilitar o acesso ao conhecimento;
- Centralizar o conhecimento;
- Agilizar a busca e acesso;
- Garantir a utilização de informações atualizadas;
- Tornar ágil e seguro o controle das informações;
- Reduzir custos na distribuição dos documentos.

Para tanto, uma das etapas principais e iniciais para a implantação desse tipo de ambiente é a identificação e definição das características das informações que devemos incluir no sistema. Podemos, a grosso modo, dividir o tipo de informação em dois grandes grupos: Informações Críticas e Informações Complementares. As informações críticas são aquelas informações essências e indispensáveis ao dia-a-dia dos negócios da organização. Essas informações, também podem ser subdivididas em dois grupos: Documentos Externos e Documentos Internos. Como Documentos Externos, podemos entender: Normas Técnicas (Brasileiras, Estrangeiras ou Internacionais), Regulamentos Técnicos, Legislação, Relatórios de Pesquisas, etc., ou seja, toda informação documentada criada externamente da organização, que se faz necessária no dia-a-dia da organização.

Já os Documentos Internos seriam, por exemplo: Procedimentos internos da qualidade, manuais, instruções, contratos, relatórios, projetos, etc., ou seja, as informações documentadas criadas internamente na organização e que necessitem ser compartilhadas e/ou utilizadas com freqüência. O grupo composto pelas Informações Complementares, seria formado por informações, com relacionamentos específicos às informações críticas, para facilitar ou enriquecer o entendimento e aplicação dessas informações. Os informativos, eventos, matérias técnicas, etc., são exemplos para desse grupo.

Conforme mencionado, essa seria a etapa inicial para a implantação de um Sistema de Gestão do Conhecimento. Porém, já nessa primeira etapa, nos deparamos com obstáculos sérios para o uso de algumas informações públicas "Documentos Externos", especificamente junto aos organismos que publicam Normas Técnicas, Regulamentos Técnicos, Pesquisas, etc., quando esses organismos, conforme já dito acima, resolvem transformar o acesso a essas informações públicas, em negócio, muitas vezes, contrariando os princípios da democratização da informação pública para atender interesses pessoais e particulares.

Transformar o acesso às informações públicas em negócio, significa basicamente, monopolizar as referidas informações e, dessa forma, estabelecer unilateralmente quais valores, meios de acesso e principalmente restrições àqueles que possam agregar valor a essas informações públicas, como por exemplo, disseminá-las, em condições mais acessíveis, através de Sistemas de Informação.

Ciente do papel importante e fundamental que temos na comunidade científica e considerando nosso compromisso com os usuários de informações tecnológicas públicas, a Target vem obtendo vitórias na justiça contra aqueles que insistem em restringir o acesso a essas informações. A sociedade e os governantes devem se conscientizar dessa situação preocupante e não medir esforços para, através dos fóruns adequados, criarem uma política de acesso às informações tecnológicas básicas, para que o seu uso e aplicação, tão necessários para o desenvolvimento tecnológico do país, sejam amplamente fomentados e não dificultados por obstáculos ao seu acesso.

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