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:: Inovação e Criatividade

Tecnologia para inovar e competir

Irene Mia

Economista Sênior da Rede de Competitividade Global World Economic Forum

Gazeta Mercantil - 25/04/2007 - Caderno A - Pág.3

É consenso geral que as mais importantes inovações do mundo geralmente são obtidas por pessoas, instituições e governos detentores de riquezas acumuladas durante gerações. Essa mesma reflexão leva a concluir que é necessário um certo tempo para que um país se torne líder em inovação. Entretanto, evidências mostram que tal raciocínio não é universal. Diversos países têm usado a tecnologia da informação para se tornarem inovadores rapidamente, acelerando seu crescimento e entrando definitivamente no século XXI.

Um volume impressionante de inovações fez com que a Estônia (país de 1,4 milhão de habitantes que foi declarado Estado apenas em 1991) obtivesse a 20ª colocação entre as 122 nações analisadas pelo Relatório Global de Tecnologia da Informação 2006-2007, do World Economic Forum. Inspirado pela revolução tecnológica da Finlândia, o governo da Estônia mostrou uma estratégia clara para o segmento de TI, gerando resultados melhores do que os obtidos nos países da Europa Ocidental. A liderança digital teve um papel fundamental na transição para a democracia de hoje.

Entre as "E-iniciativas" bem-sucedidas está um programa - lançado em 1997 - que usa a tecnologia para remodelar a educação do país. Além disso, em 2000, o parlamento estoniano aprovou uma lei que garante acesso à internet a todos seus cidadãos como um direito constitucional (todos podem acessar a rede em pontos públicos espalhados pela nação) e a população pode votar em seus representantes on-line nas eleições.

A Finlândia, entre os melhores colocados no ranking de tecnologia da informação, é freqüentemente exemplificada como protótipo da sociedade conectada do futuro. Isso há menos de 30 anos da crise que quase fez com que o país quebrasse. Focando em inovação, educação e tecnologia da informação, a nação deixou de ser uma economia baseada em bens para se tornar uma sociedade cujo alicerce é o conhecimento. O governo investiu pesado em P&D (3,4% do PIB, uma das taxas mais altas do mundo) e foi o primeiro país do mundo a adotar o conceito de um sistema de inovação como base para a formulação de políticas.

A nação também oferece um dos setores TCI mais abertos e competitivos do mundo, representando uma grande parcela de empregos e produtos de valor agregado. Existem aproximadamente 40 operadoras de telefonia de peso na Finlândia, país com uma população de 5 milhões. Embora a Nokia seja o ícone mais visível e conhecido por lá, o setor TI abrange mais de 5 mil empresas. Essas companhias continuam inovando em muitas tecnologias básicas. Um exemplo bem conhecido é o software de código aberto, criado pelo programador finlandês Linus Torvalds. Mudanças semelhantes estão acontecendo no mundo inteiro. Outro exemplo é Israel, 18º colocado no índice do World Economic Forum. Apesar do contexto geopolítico do país, o desenvolvimento de alta tecnologia na última década tem sido espetacular. Israel rapidamente construiu uma posição de liderança no setor de software, com um grande número de start ups. O investimento israelense em P&D (4,6% do PIB) é o maior entre os países industrializados e uma série de programas de capital de risco e incubadoras ajudam a converter a pesquisa tecnológica de ponta em negócios de valor agregado.

Muitos dos países mais necessitados do mundo estão adotando novas tecnologias e encontrando maneiras inovadoras de enfrentar problemas antigos. A Etiópia, apesar de ser um dos países mais pobres do mundo, tem investido praticamente um décimo do seu PIB em tecnologia da informação. Grande parte do governo e escolas no país já conta com conexões banda larga. Líderes empresariais e do governo da Etiópia estão direcionando recursos para assegurar que cada um dos 74 milhões de habitantes se encontre a uma curta distância da banda larga. A tecnologia está impulsionando a inovação em diversas economias, permitindo o pensamento criativo e com oportunidades nunca vistas antes. Mesmo assim, a TI não consegue realizar isso sozinha. A liderança é fator fundamental e a parceria entre empresas e governos é muito importante. O desenvolvimento de capital humano também deve avançar em conjunto com investimentos tecnológicos. Não é fácil juntar todas essas peças, mas feito corretamente, é capaz de mudar nosso mundo.

(Com a colaboração de Soumitra Dutta, professor de Negócios e Tecnologia e reitor de Relações Externas da INSEAD).

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