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A Geologia e a Internet das Coisas

Pedro Jacobi

Geólogo e empresário

Você já ouviu falar da Internet das Coisas ou IoT? Com certeza você já a conhece, mas talvez ainda não tenha percebido a sua enorme importância no mundo atual.
A IoT é o conjunto de equipamentos e sensores que se comunicam via internet, dentro de uma rede wireless enviando dados para bancos de dados corporativos ou não.

A Internet das Coisas, portanto, é o conjunto de cada um destes bilhões de sensores que fazem parte do nosso dia a dia. Neste momento eles ainda estão agrupados pela função ou pela corporação que os utiliza. No entanto, em poucos anos, serão mais de 50 bilhões deles conectados fornecendo trilhões de informações para os bancos de dados que as decodificarão e interpretarão.

Estamos falando desde aquele sensor de umidade, simples, inserido no solo de uma lavoura até o mais sofisticado satélite espião coletando informações de grupos terroristas. Todos fazem parte deste novo mundo que, segundo a Price Waterhouse, já é um mercado de trilhões de dólares.

Os sensores que mais se desenvolvem ainda não estão sendo percebidos como tal: os smartphones. Cada um dos 2 bilhões de smartphones que existem no planeta é capaz de coletar inúmeros dados e jogá-los na web transformando-nos, os usuários, em verdadeiros multisensores ambulantes.

Os usos e aplicações são infinitos e de tirar o fôlego. Já não existe mais a ficção científica quando o assunto é IoT e, literalmente, qualquer pessoa pode imaginar uma aplicação, ainda não criada, que pode transformar radicalmente o mundo como conhecemos.

Imagine, por exemplo, que a Apple lance um novo Iphone que contenha um medidor de temperatura e de pressão barométrica, coisa que já foi feita em relógios digitais antigos.

Em poucos dias o mundo verá a mais fabulosa rede de meteorologia da história do Homem. Nesta rede cada usuário será uma central meteorológica coletando dados de qualidade, todos geocodificados, permitindo a criação de mapas climáticos online com uma precisão jamais imaginada. Em poucos anos, se a nossa ideia for implementada, serão centenas de milhões de estações meteorológicas ao invés das 1.500 utilizadas pela National Oceanic and Atmospheric Administration a NOAA.
É com essa velocidade e impacto que a Internet das Coisas se espalha e viabiliza. Imagine só o que há por vir...

O interessante é que a mineração e a geologia são as áreas onde a IoT é mais desenvolvida.

Segundo este estudo da Price Waterhouse (PwC), 33% das empresas de mineração já investem na IoT. A mineração é seguida pelas áreas de Utilities (32%); Automotiva (31%); Indústrial(25%); Hospitality (22%); Saúde (20%); Varejo (20%); Entretenimento (18%); Tecnologia (17%) e Finanças (13%).

Os usos de sensores na mineração é coisa antiga. Eles já fazem parte do dia a dia das minas, da pesquisa mineral e até das conquistas espaciais. Os sensores são importantíssimos na coleta de dados geológicos das novas missões chinesas à Lua, americanasa Marte e Europeias ao cometa P67.

Aquilo que pouco tempo atrás era a mais pura ficção científica hoje faz parte da massa de informações, medidas em terra e petabites, que transitam na internet e que, aos poucos, são decodificadas pelo Big Data.

Os geólogos e mineradores dependem, cada vez mais, de milhões destes sensores para a obtenção de dados sobre as rochas e seus teores, qualidade de minério, transporte de minério e todas as áreas do processamento mineral e metalurgia. As minas estão repletas de fibras óticas e sensores que fazem parte imprescindível deste novo mundo da Internet das Coisas aplicada à mineração e à geologia.

Na exploração mineral, a IoT está se desenvolvendo intensamente com o uso dos Vants ou drones equipados com câmeras de alta definição, gravímetros, magnetômetros, medidores geoquímicos e centenas de aparelhos e sensores que alimentam os bancos de dados com informações vitais.

Até os furos exploratórios da exploração mineral estão sendo invadidos por sensores que permitem avaliar teores, intensidade de fraturamento e demais características físico-químicas das rochas atravessadas, propiciando ao geólogo informações que antes podiam demorar meses.

Ideias criativas saem da prancheta para o dia a dia com uma velocidade ímpar. Novos sensores de medição de teores estão sendo colocadas nas lâminas de grandes equipamentos mineiros, o que permite uma decisão instantânea sobre a qualidade do minério sendo lavrado e a sua destinação.

Em minas com vídeo câmeras e a nova geração de sensores os conceitos de minério e estéril variam a cada segundo, em uma reavaliação constante a medida que o minério é extraído do solo.

Empresas como a Rio Tinto e BHP investem bilhões na compra de frotas com centenas de caminhões fora de estrada totalmente controlados remotamente. Nestas minas o motorista é o computador.

Essas empresas percebem que a redução dos custos passa pela automação e pela IoT transformando os empreendimentos mineiros em verdadeiras máquinas, cada vez mais inteligentes.

Aos poucos as minas modernas estão sendo equipadas com milhares de sensores que vão desde os despretensiosos sensores de pressão de pneus (economizam mais de US$10 milhões nas minas onde são instalados), até as gigantes locomotivas controladas remotamente.
 

Somente a Rio Tinto já tem mais de 40 trens com gigantescas composições, operando nas suas minas de minério de ferro da Austrália.

Aos poucos aquelas áreas perigosas das minas estão sendo invadidas por equipamentos e sensores que permitem o controle e o monitoramento à distância de tudo, desde os explosivos até a presença e concentrações de gases tóxicos aumentando a segurança e evitando a exposição dos mineiros a riscos desnecessários.

Os novos executivos estão a um “apertar de botão” depreciosas informações online, sobre produção, custos e detalhes operacionais de suas empresas, graças a esta nova geração de sensores interligados.

O conjunto desses novos equipamentos, que comunicam-se, aumenta a “inteligência” da empresa, permitindo respostas rápidas, enorme redução de custos, maior controle operacional, aumento significativo na segurança, aumento na previsibilidade e na produtividade, gerando, consequentemente, uma maior lucratividade.

É a revolução da Internet das Coisas que está apenas no começo.

Até onde essa revolução vai? Não sabemos, mas, com certeza veremos desdobramentos que nunca foram sequer imaginados em um futuro quase tão próximo como o presente. 

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