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Gestão

Desenvolvimento e aplicação de modelo integrado de certificação do sistema de gestão ambiental para empresas com mais de um site

Gustavo Montes Naked / Sérgio Roberto de Lucca

Gustavo Montes Naked - Engenheiro Químico, Auditor ambiental registrado no EARA (environmental auditor registration association)

Sérgio Roberto de Lucca - Médico (FCM-UNICAMP), especialista em Medicina do Trabalho (AMB), Especialização em Gestão Ambiental (CETESB/UNICAMP).

1 – Introdução

Os problemas ambientais agravam-se a partir dos anos 50 em função dos padrões de desenvolvimento, industrialização e consumo, em particular, nos grandes centros urbanos.

A despeito do descontrolado crescimento populacional, acreditava-se que a solução do problema passava pela produção industrial desenfreada, pois, esta era considerada uma etapa necessária para garantir o "conforto" do homem moderno. Nas duas décadas que se seguiram, colheram-se os resultados do crescimento econômico e demográfico, a par de um processo de industrialização predatório, onde a poluição era sinônimo de progresso.

Entretanto, os acontecimentos vivenciados pela humanidade naquele período - as denúncias de degradação do solo, desflorestamento, extinção de espécies e acidentes ambientais como o da baia de Minamata (Japão) em 1953, quando mais de 300 pessoas morreram devido à ingestão de peixe contaminado com mercúrio - fizeram que a sociedade refletisse o papel do homem na sua autopreservação e preservação do próprio planeta.

Neste contexto, em 1972, a Conferência das Nações Unidas, realizada em Estocolmo, para discussão dos problemas do meio ambiente e o homem, foi, sem dúvida, o marco histórico do despertar da consciência ambiental. Durante este evento começou-se a evidenciar o confronto entre os países desenvolvidos preocupados com os efeitos da devastação ambiental sobre a Terra e a preservação / conservação dos recursos naturais e energéticos do planeta, e os países em desenvolvimento, envolvidos com problemas sociais, como a miséria, moradia, saneamento básico e, principalmente, o da necessidade do crescimento econômico. Esta conferência, que reuniu 113 países de 250 organizações governamentais e não governamentais, teve como resultado a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano que incluiu o "Plano de Ação para o Meio Ambiente" e uma lista de princípios, comportamentos e responsabilidades que deveriam governar as decisões concernentes com as questões ambientais.

Seguiram-se, nos diversos países, o aparecimento de vários instrumentos institucionais, legislações e regulamentações para tratar dos problemas decorrentes do desequilíbrio ecológico e da sua preservação. Apesar disso, tivemos que assistir ainda à ocorrência de grandes acidentes ambientais, acontecidos em Seveso (Itália), em 1976, (contaminação de solo e rios por toxinas); Bhopal ,em 1984 (3.400 mortes na Índia, devido ao lançamento de gases tóxicos na atmosfera), Exxon Valdez, em 1989 (vazamento de um volume equivalente a 260 mil tambores de petróleo no Alasca - USA) e Chernobyl, em 1989 (acidente nuclear com mais de quinhentas mortes na antiga União Soviética e com efeitos até os dias atuais), entre outros.

Pressionadas pela sociedade e preocupadas com a sua imagem perante os consumidores, em especial, as indústrias químicas e petroquímicas criaram em 1984 o "Programa de Atuação Responsável".

Em 1987, foi aprovado e divulgado pela ONU o relatório "Nosso Futuro Comum" que relacionou 109 recomendações destinadas a concretizar os propósitos da Conferência de Estocolmo e deu ênfase à discussão em torno do desenvolvimento sustentável. Na verdade, a Comissão Mundial para o Desenvolvimento do Meio Ambiente listou uma série de definições para o conceito de desenvolvimento sustentável; contudo, a que vem sendo mais repetida e considerada é:
"desenvolvimento sustentável significa que as ações presentes não devem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas necessidades, com base em que o valor total dos bens disponíveis, tanto produzido pelo homem como aqueles encontrados na natureza, deve permanecer constante de uma geração para a outra."
Desta forma, o conceito de sustentabilidade tem como pontos centrais:

. o meio ambiente desempenha um papel fundamental para a qualidade e manutenção da vida e

. garantia para as gerações futuras de uma base de recursos igual à que está disponível para a geração atual.

Dois grandes eventos ambientais foram realizados ainda no final dos anos 80, o Protocolo de Montreal sobre a limitação das substâncias que destroem a camada de ozônio e a Convenção da Basiléia que rege o controle de movimentos transfronteiriços de resíduos perigosos.

A análise de que os acidentes ambientais, relatados anteriormente, foram reflexos diretos de falhas no gerenciamento dos processos industriais motivou as empresas, em 1991, a elaborar um documento denominado "Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável", cujo texto inclui 16 princípios para um bom gerenciamento ambiental.

A Conferência do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento , realizada em 1992, foi um inquestionável indutor para a abordagem ambiental no mundo. Na ECO-92, que teve a participação de 172 países, mais de mil e quatrocentas ONG's e dez mil participantes, foram elaborados os seguintes documentos: Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Agenda 21, Princípios para a Administração Sustentável das Florestas, Convenção da Biodiversidade, Convenção sobre a mudança de Clima, além de reafirmação do conceito de desenvolvimento sustentável.

Vale ressaltar que a adoção deste conceito não significa a eliminação das divergências entre organizações governamentais, não governamentais e empresariais. Pode-se perceber que houve um consenso para atingir os objetivos centrais desta nova fase: a preocupação ambiental não tem como objetivo reparar os danos ao meio ambiente, mas sim o de atuar sobre o processo de produção e consumo para que os danos ao meio ambiente sejam evitados nas suas raízes.

Para o setor empresarial, a ECO-92 culminou com a criação de um Comitê Técnico para normatizar as questões ambientais. O grupo TC 207/ISO 14000 foi incumbido de discutir e homogeneizar internacionalmente as normas de gestão do meio ambiente, rotulagem e ciclo de vida dos produtos e desempenho ambiental. Para isso evidenciaram-se necessidades de ações estratégicas relacionadas à reciclagem de materiais, melhorias no processo produtivo e na eficiência no uso de fontes de energia.
Neste período, a Inglaterra já havia elaborado a norma ambiental BS 7750 para gestão ambiental das empresas britânicas, enquanto que a Comunidade Européia regulamentava a CEE 1836/93, estabelecendo os parâmetros da certificação do sistema de gestão ambiental denominado EMAS (Ecomanagement and Audit Scheme) para as empresas européias.

Finalmente, na IV reunião do TC-207/ISO14000, realizada em julho de 1996, no Brasil, foram aprovadas as seguintes normas de gestão ambiental:
ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental: Especificação e Diretrizes para Uso;
ISO 14004: Diretrizes Gerais sobre Princípios, Sistemas e Técnicas de Apoio;
ISO 14010: Diretrizes para Auditoria Ambiental: Princípios Gerais,
ISO 14011: Diretrizes para Auditoria Ambiental: Procedimentos de Auditoria e
ISO 14012: Diretrizes para Auditoria Ambiental: Critérios de Qualificação para Auditores Ambientais.

Sem dúvida, a Norma ISO 14001 de Sistema de Gestão Ambiental procurou normatizar, internacionalmente, a relação globalizada das empresas com os clientes, fornecedores e consumidores quanto à atuação responsável, respeito e preservação do meio ambiente, uniformizando-se a linguagem nos negócios e nas relações comerciais nacionais e internacionais. Outros benefícios também podem ser citados:

- abordagem internacionalmente aceita da gestão ambiental;

- padronização de regras, rótulos ou métodos utilizados em cada país;
minimização de barreiras comerciais, comprometimento com a manutenção e a conformidade dos níveis aceitáveis de performance ambiental e visualização do gerenciamento ambiental como um parceiro inseparável da qualidade total.

A partir do momento em que as grandes empresas multinacionais passaram a exigir de seus fornecedores evidências de suas responsabilidades e preocupação com a preservação ambiental, isto provocou um efeito cascata na busca da certificação ambiental, devendo-se considerar também como tópico incentivador a opinião pública e o interesse da comunidade sobre assuntos ligados à área ambiental.

As empresas tomaram ciência de que, após a obtenção da certificação, podem demonstrar que são "ecologicamente corretas" e passam a utilizar essa conquista como um agressivo elemento de marketing, tornando-se também um diferencial de mercado.Atualmente, mais de 10.000 empresas já foram certificadas no mundo, enquanto que mais de 100 empresas brasileiras conseguiram implementar seus sistemas de gestão ambiental e, consequentemente, receberam a certificação segundo os critérios estabelecidos pela Norma ISO 14001.

2 – OBJETIVOS

Uma vez evidenciados os benefícios ligados à certificação de sistemas de gestão ambiental, o presente trabalho foi elaborado tendo como objetivo discutir e apresentar a experiência prática do desenvolvimento e implementação do SGA nas fábricas latino- americanas da Pirelli, conforme cronograma previamente estabelecido. A idéia dos autores é, a partir do relato da experiência e do modelo particular desenvolvido pelo Grupo Pirelli, contribuir para a discussão e aprimoramento das questões relacionadas à implantação e implementação do Sistema de Gestão Ambiental e do papel e responsabilidade das empresas com relação à inserção harmônica com a comunidade e respeito ao meio ambiente em que está inserida. A apresentação e discussão dos resultados obtidos poderão auxiliar outras empresas interessadas na implementação de seus próprios sistemas de gestão ambiental.

3 – MATERIAL E MÉTODO

O material utilizado neste trabalho é a descrição dos principais aspectos ambientais avaliados nos processos de fabricação de três tipologias produtivas (fabricação de vergalhão de cobre, fabricação de fibras ópticas e fabricação de pneus) e do modelo sistemático adotado para implementação dos respectivos SGA.O método utilizado é a descrição de casos das quatro empresas já certificadas em 1998, como já foi dito, dos instrumentos homogêneos adotados, bem como, a apresentação do grau de implementação do SGA das demais fábricas a serem certificadas em 1999.

4 - APRESENTAÇÃO DO ESTUDO DE CASO

O processo de certificação das fábricas da Pirelli foi desenvolvido em 1997, a partir da definição de uma coordenação única, (Environmental Steering Committee da Casa Matriz, em Milão), que estabeleceu as diretrizes homogêneas, incluindo-se a política de meio ambiente, os instrumentos corporativos de gestão ambiental e a escolha de um único organismo certificador. Assim, foi estabelecido um cronograma de certificação e a sistematização das auditorias.

- Apresentação do Programa de Certificação

Antes mesmo da publicação da Norma ISO 14001 e dos sistemas de certificação ambiental, o Grupo Pirelli já demonstrava sua preocupação com o meio ambiente. Em julho de 1995, foi assinada pelo presidente mundial do Grupo a Política Pirelli para o Meio Ambiente, onde se destacam as seguintes premissas:

- identificação de eventuais efeitos negativos em cada uma das suas atividades;
avaliação do impacto ambiental de seus produtos;contribuição para a conservação de recursos naturais; prevenção da poluição e preservação do meio ambiente; busca de novas tecnologias visando a atingir a excelência ambiental; comprometimento de todos os níveis de sua estrutura, respeito à comunidade na qual está inserida.

Posteriormente, foi definido, em julho de 1997, que todas as fábricas do Grupo, (Setor Cabos e Setor Pneus) deveriam implementar um sistema de gestão ambiental (SGA) e obter a certificação até o ano 2000.

A partir desta diretriz foram concentrados esforços para a elaboração de normas, linhas guias e procedimentos de maneira que houvesse uma uniformidade na implementação dos sistemas de gestão ambiental.

Desta forma, foram elaborados documentos comuns que são e serão utilizados por todas as fábricas independente da sua localização ou país. Dentre esses documentos, ressaltam-se, além da política ambiental que deve manter total conformidade com a política de grupo, as linhas guias de levantamento de aspectos ambientais, os procedimentos específicos de gestão ambiental (PGAs) em aderência a cada item da norma e o manual do sistema que é a principal referência em todas as fábricas. Conclui-se assim que a diferença básica entre os sistemas restringe-se somente aos programas de gestão (onde são inseridos atividades de monitoramento, disposição de resíduos e investimentos) e, principalmente, as atividades operacionais (ou instruções operacionais ambientais) que regem e controlam os aspectos ambientais significativos de cada fábrica de acordo com a tipologia produtiva.

A Pirelli, no continente Sul Americano, possui quatorze fábricas, das quais dez se localizam no Brasil, (Pneus: Santo André, Campinas e Sumaré em São Paulo, Gravataí no Rio Grande do Sul e Feira de Santana na Bahia, Cabos: Jacareí; Fibra Óptica, Energia e Telecom em Sorocaba, Cerquilho e Santo André – São Paulo), três na Argentina (Cabos: Quilmes e Las Rosas e Pneus: Merlo) e uma na Venezuela (Pneus: Guacara).

Em função do grau de organização, recursos humanos e materiais disponíveis, foi estabelecido um cronograma de certificação. Além disso, critérios como data de início das atividades, tipologia produtiva, localização e riscos ambientais também foram considerados na elaboração desse cronograma. Assim, duas fábricas do Setor Cabos - SOLAC em Jacareí e Fábrica de Fibra Óptica - e duas do Setor Pneus - Santo André e Campinas - foram as escolhidas, e, portanto, as pioneiras a implantarem os seus próprios sistemas de gestão e, consequentemente, receberem os certificados no ano de 1998. Para o ano de 1999, estão programadas as fábricas de Cerquilho (já recomendada para a certificação, após auditoria principal realizada em agosto/99), Sorocaba, Quilmes, Merlo, Sumaré e Gravataí no Setor Pneus. Para o próximo ano, teremos as unidades de fabricação de cabos de Santo André e Las Rosas, e pneus em Feira de Santana e Guacara.

Como ambos os setores (pneus e cabos) possuem uma equipe de staff de meio ambiente, isto permite que a experiência adquirida durante cada processo venha a auxiliar na elaboração e implementação de sistemas de gestão ambiental em cada nova fábrica a ser certificada. O objetivo desta troca de informações é facilitar a compreensão de possíveis não conformidades e observações identificadas de maneira a evitar que ocorra a repetição em outros sites.

4.2 Sistemas de auditorias

As empresas Pirelli Cabos S.A. e Pneus S.A. possuem grupos de auditores devidamente capacitados para a realização das auditorias internas conforme a norma ISO 14001 e ênfase nos procedimentos do grupo. Além disso, foi elaborada uma sistemática de Auditorias Externas, estabelecendo-se uma metodologia de verificação por parte do organismo certificador de maneira que todas as fábricas mundiais, de acordo com a tipologia produtiva, fossem por eles auditadas pelo menos uma vez por ano, e que, no prazo estabelecido (triênio 1998 – 2000), todas as fábricas passariam por uma auditoria.
Para garantir o ótimo funcionamento dessa sistemática, auditores da Pirelli Corporate (divisão corporativa da Pirelli com independência de atividades e responsabilidade das fábricas) foram treinados adequadamente, seguindo metodologia e formação internacional, de maneira que as auditorias externas, independente dos auditores, mantivessem total aderência com a realizada pelo organismo de certificação no que diz respeito à idoneidade, grau de exigência e metodologia.

Desta forma foram definidos quatro tipos de auditorias com diferentes escopos. Ressalta-se que, independente do tipo de auditoria (pré-pré-auditoria, pré-auditoria, auditoria principal e auditoria de vigilância), todas são realizadas, seguindo-se o estabelecido nos procedimentos e diretrizes do Grupo Pirelli e em conformidade com a Norma ISO 14001.

A pré-pré-auditoria visa exclusivamente a verificar como foi realizado o levantamento dos aspectos ambientais significativos e a respectiva avaliação de sua significância. A realização da mesma ocorre logo no início da implementação do sistema (seis a oito meses antes da auditoria principal), e, além de poder ser considerada como uma auditoria interna, serve como um direcionamento de conceitos básicos para a implementação do sistema.

A pré-auditoria está baseada em uma revisão dos itens, apresentados na pré-pré auditoria, além dos requisitos básicos, como: política ambiental, elaboração do programa de gestão ambiental, definição de objetivos e metas. Para a realização da pré-auditoria, (normalmente realizada entre dois e três meses antes da auditoria principal), é indispensável que, no mínimo uma auditoria interna, incluindo plano de ações corretivas e responsabilidades, tenha sido realizada. Deve-se demonstrar que esta foi baseada nos aspectos ambientais significativos da fábrica, além de cobrir os itens da norma.

Na auditoria principal, a fábrica deve demonstrar que o SGA se encontra atuante e implementado por no mínimo três meses. Durante a auditoria principal são verificados todos os itens da norma e em especial o controle operacional, através de entrevistas realizadas com os empregados onde são avaliados o grau de comprometimento e responsabilidade no controle dos aspectos ambientais significativos de suas respectivas atividades, em condições normais, anormais e emergenciais. Desta forma buscam-se evidências na planta de que todos os aspectos considerados significativos estão sob controle, ou através de um programa de monitoramento, ou da existência de um programa de gestão ambiental (com respectivo plano de investimentos ), ou ainda de um programa de redução de consumos energéticos, entre outros.

A auditoria de vigilância tem como objetivo a verificação de que o sistema de gestão ambiental continua operante e implementado, após o recebimento do certificado. Maior ênfase é dada aos novos aspectos ambientais decorrentes de mudanças de processo, atualização de legislação aplicável e do uso do certificado. Esta auditoria é realizada com intervalos máximos compreendidos entre seis meses e um ano.

4.3 - Descrição de cada uma das fábricas certificadas

Conforme o cronograma acima apresentado, apresentamos a seguir informações referentes às fábricas já certificadas, além do atual grau de avançamento do sistema de gestão ambiental das demais fábricas cujo programa estabelece a certificação para o corrente ano.

4.3.1 Pirelli Pneus

A partir da definição da diretriz de grupo para a certificação ambiental, a direção do setor definiu a fábrica de Santo André e, posteriormente, a de Campinas, como sendo as primeiras a implementar o sistema de gestão ambiental.

A Pirelli Pneus, após análise minuciosa dos procedimentos de grupo, decidiu integrar o sistema de gestão ambiental no sistema de gestão da qualidade (que já recebeu a certificação ISO 9000 e QS). Desta forma todas as diretrizes definidas pelo Grupo Pirelli, para implementação do sistema de gestão ambiental, foram inseridas adequadamente no sistema da qualidade, mantendo total aderência aos documentos de referência.

A fábrica de Santo André iniciou suas atividades no ano de 1941 e está localizada na região metropolitana de São Paulo, conhecida como Grande ABC, com uma área total de 244.600m2, sendo 140.000m2 de área construída. Possui aproximadamente 1.700 pessoas, incluindo também os prestadores de serviços e subcontratados.

Em Campinas, cidade de grande diversidade de indústrias, situada a 100 km da capital, a fábrica, que iniciou suas atividades em 1946, possui área total de 457.000m2, com 89.000m2 de área construída, contando com cerca de 1.400 empregados.

Dentre os principais aspectos ambientais que devem ser citados no processo de fabricação de pneus, destacam-se as emissões atmosféricas ligadas ao sistema de preparação das massas e toda a parte de geração e controle dos resíduos industrias.

Todos os empregados das fábricas passaram por um processo de treinamento de aproximadamente 25 horas cada um, que envolveu desde a política ambiental até atividades operacionais passando por planos de atendimento a emergências, bem como sistemática de comunicação interna.

O quadro abaixo representa um resumo do sistema de gestão ambiental das fábricas do setor pneus.

4.3.2 Pirelli Cabos

As fábricas do Setor Cabos certificadas no ano de 1998 foram a SOLAC (Sociedade Laminadora de Cobre), localizada em Jacareí, e a Fábrica de Fibra Óptica, localizada em Sorocaba. Ambas as cidades distam aproximadamente 80 km de São Paulo.

A fábrica da SOLAC, que iniciou suas atividades no ano de 1991 e onde trabalham cerca de 50 empregados, produz o vergalhão de cobre e distribui para as demais fábricas do setor Cabos. Tem como área total aproximadamente 54.000 m2, sendo apenas 2.500 m2 de área construída.

Os principais aspectos ambientais da atividade de fundição do cátodo de cobre estão ligados às emissões atmosféricas do forno de fusão de cobre e aos resíduos gerados no processo industrial, além do consumo de gás combustível para o funcionamento do forno.

A fábrica de fibra óptica, que ocupa uma área total de 25.200m2, dos quais 3.500 m2 representam a área construída, é a mais nova fábrica do grupo com início das atividades em maio de 1997.

Dentre os aspectos ambientais mais importantes desta atividade, que conta com aproximadamente 40 empregados, estão o consumo de energia, as emissões atmosféricas e as condições emergenciais, uma vez que existe elevado consumo de gases.

Nas fábricas da cabos, foram investidos aproximadamente R$ 18.000,00 em treinamentos com cerca de 20 horas para cada funcionário.

Também foram realizadas palestras de conscientização e informação com a comunidade externa, além da divulgação do sistema de gestão ambiental através de cadernos ilustrativos.

4.4 - Grau de implementação do sistema de gestão ambiental das fábricas a serem certificadas no corrente ano.

Seguindo o cronograma definido, apresentamos abaixo informações referentes ao grau de implementação do sistema de gestão ambiental das seis plantas que passarão por auditorias finais de certificação durante o corrente ano.

4.4.1 Pirelli Pneus

Na fábrica de Merlo, são produzidos pneus radiais e convencionais seguindo-se a mesma tipologia da produção de pneus , enquanto que Gravataí se destaca pela produção de pneus de bicicleta, motos e scooter (mini motos) entre outros.
As cordinhas metálicas, matéria prima para a banda de rodagem dos pneus, são produzidas na fábrica de Sumaré. Apesar de fazer parte do Setor Pneus, apresenta tipologia produtiva distinta uma vez que o vergalhão de aço é estirado, tratado e recolhido em bobinas para a preparação das tramas que suportam o pneu radial.

4.4.2 Pirelli Cabos

A fábrica de Quilmes apresenta tipologia produtiva de fabricação de vergalhão de cobre semelhante à SOLAC. Além disso possui um sistema de reciclagem de cabos, que permite uma recuperação dos resíduos gerados.

Em Cerquilho, fabricam-se fios esmaltados, que são utilizados na fabricação de motores elétricos usados em eletrodomésticos, nas usinas hidroelétricas e também na indústria automobilística. Apresenta como peculiaridade a produção do esmalte utilizado no recobrimento dos fios, o que a caracteriza também como indústria química. Submeteu-se à auditoria de certificação na primeira quinzena de agosto, tendo obtido resultado bastante positivo e conseqüente recomendação para a certificação.

Na fábrica de Sorocaba ocorre a transformação do vergalhão de cobre, proveniente da SOLAC, em cabos de energia e em cabos para telecomunicação. Também ocorre a produção do cabo óptico a partir da fibra óptica.

Todas as fábricas descritas se encontram em fases distintas de implementação do sistema de gestão ambiental. Entretanto, vale ressaltar que já foram definidas as etapas básicas e estruturais de elaboração do sistema destacando-se: o levantamento dos aspectos ambientais e posterior avaliação de significância, a elaboração do manual do sistema de gestão ambiental, a definição de estrutura e responsabilidades para a execução das atividades relacionadas à implementação do sistema, o programa de gestão ambiental coerente com a política ambiental e os objetivos e metas.

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS e perspectivas

Conforme tivemos oportunidade de relatar no presente trabalho, o modelo sistemático adotado para a certificação de empresas com mais de um site é factível e vantajoso.
Factível porque pode ser aplicável independente da tipologia produtiva, tamanho do site ou número de empregados da fábrica. Vantajoso pois otimiza recursos humanos, agiliza prazos, sistematiza documentos e reduz custos, proporcionando maior eficiência e eficácia como um todo na implementação e implantação dos sistemas de gestão ambiental.

Além disto, por ser esta uma experiência recente de implementação de sistemas de gestão ambiental, outros benefícios serão discutidos.

A homogeneização de conceitos, de estruturas e de política demonstra-se eficaz uma vez que permite a compreensão e debate de possíveis dúvidas que venham a surgir durante a implementação. A troca de informações dentro de um grupo de trabalho facilita a compreensão e a continuidade de implementação do sistema de modo que, para novas fábricas em fase de implementação, as decisões do grupo serão imediatamente consideradas.

Verifica-se também economia em escala de recursos, tanto considerando os custos diretos como os indiretos, pois o número de auditorias externas de terceira parte fica reduzido. Além disso, são formados grupos integrados, por exemplo, de destinação de resíduos e estudos específicos de reuso de água. Desta forma é evidente que custos ligados a monitoramento, destinação de resíduos, reciclagem e reprocessamento diminuem em função da quantidade a ser adequadamente tratada.

Outro benefício importante é o acompanhamento a distância dos sistemas de gestão ambiental, através da adoção de parâmetros e indicadores mensuráveis que possam permitir a comparação e avaliação de eficiência de resultados no tempo. Como exemplo, podem ser citados indicadores de ecoeficiência de consumo de água, reciclagem de resíduos, consumo de energia que fornecem uma visão global de todas as fábricas do grupo.

Os benefícios apresentados possibilitam uma maior competitividade e responsabilidade dentro da empresa na abordagem das questões ambientais, visando à prevenção da poluição e ao melhoramento contínuo.

Finalmente, ressaltamos que os resultados positivos, obtidos até o momento, ocorreram porque houve um comprometimento da alta direção do Grupo no âmbito mundial. Neste sentido destacam-se duas diretrizes: a política de meio ambiente estabelecida em julho de 1995 e a determinação de certificar todas as fábricas do grupo até o ano 2000.
Sem dúvida, no momento da globalização, a atuação nas questões relacionadas à Ecologia e Saúde, particularmente, de um grupo multinacional, tem que ser homogênea, eficaz e eficiente, independente do país em que está inserida, pois afinal todos dividimos o mesmo planeta, e além de tudo somos responsáveis pelo futuro dele.

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