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Estudo dos impactos ambientais em usinas eólicas

Wilson Pereira Barbosa Filho

Engenheiro Civil e Advogado/Analista ambiental da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM).

Este artigo apresenta um estudo sobre os impactos ambientais nos meios biótico, físico e socioeconômico, decorrentes da construção e operação de usina eólica, não buscando exaurir as informações relativas ao tema, mas sim corroborar com os estudos já existentes.

Impactos sobre o meio biótico

O desmatamento promove a supressão de ambiente e a fragmentação local dos ecossistemas relacionados. São apontados também como impactos na fauna, os riscos de colisão com os aerogeradores e as linhas de transporte de energia; alteração do sucesso reprodutor; perturbação na migração; perda de habitat de reprodução e alimentação; alteração dos padrões de movimentação e utilização do habitat devido à perturbação associada à presença das turbinas. As turbinas de vento para geração de energia eólica representam uma ameaça para as populações de morcegos. A rotação das turbinas causa uma queda da pressão atmosférica na região próxima à extremidade das lâminas, e quando um morcego passa por essa zona de baixa pressão seus pulmões sofrem uma expansão repentina, o que resulta no rompimento dos vasos capilares do órgão causando hemorragia interna.

Impactos sobre o meio físico

Os impactos gerados pela terraplanagem estão relacionados com atividades de retirada e soterramento da cobertura vegetal, abertura de cortes transversais e longitudinais e aterros, para a abertura de vias de acesso, área de manobra e preparação do terreno. Outro impacto é o da introdução de material sedimentar para impermeabilização e compactação do solo, quando da etapa do processo de implantação visando proporcionar o tráfego de veículos sobre a rede de vias de acesso. A implantação de usinas eólicas pode promover interferência em sítios arqueológicos, o que traz a necessidade de além de estudos técnicos precedentes. As atividades de terraplanagem podem alterar o nível hidrostático do lençol freático.

Impactos sobre meio socioeconômico

Os principais impactos sobre o meio socioeconômico estão relacionados aos seguintes aspectos: emissão de ruído; impacto visual; corona visual ou ofuscamento; interferência eletromagnética; efeito estroboscópico; interferências locais.

As turbinas eólicas produzem dois tipos de ruído: o ruído mecânico de engrenagens e geradores, e ruído aerodinâmico das pás. Os ruídos mecânicos têm sido eliminados através de materiais de isolamento e os projetos de usinas eólicas estão sendo otimizados com escopo de reduzir o ruído aerodinâmico. Os modernos aerogeradores, com alturas das torres superiores a 100 m e comprimento das pás de acima de 30 m, constituem uma alteração visual da paisagem. A corona visual ou ofuscamento é a quantidade de radiação eletromagnética deixando ou chegando a um ponto sobre uma superfície e pode ser minimizado utilizando pinturas opacas nas torres e pás. Os campos eletromagnéticos de turbinas de vento podem afetar a qualidade de rádio e telecomunicações, bem como comunicações de microondas, celular, internet e transmissão via satélite. Um impacto ainda pouco estudado é o efeito estroboscópico, que consiste no efeito da passagem de luz entre as pás. O grau de sombreamento intermitente depende da distância da torre, da latitude do local, do período do dia e do ano. A implantação de uma usina eólica pode causar alguns desconfortos temporários à população residente próxima as obras, bem como pode interferir no cotidiano da comunidade local: aumento de fluxo de veículos, poluição sonora, insegurança no trânsito, aumento temporário da densidade demográfica local, geração de emprego, dinamização das atividades econômicas e aumento da especulação imobiliária.

Em função dos meios físicos e bióticos, as maiorias dos impactos estão ligados a construção da usina. Então, um projeto elaborado com preocupações ambientais pode minimizar os efeitos. Ao final das obras, a flora tende a se recuperar e é evidenciado um bom convívio dos animais com a usina, porém permanece a questão dos morcegos. Com relação ao meio socioeconômico fica explícito a necessidade de se observar a localização e a distância da usina para as residências. Estudos europeus apontam uma distância mínima de 1,5 km.
 

 

 

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