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A importância do MRP para o processo logístico industrial

Luciano Coelho Valeriano Alves

Gerente de Tecnologia da Informação e Pós-graduado em Engenharia Logística pelo IETEC.

RESUMO

Este estudo procura mostrar os aspectos relevantes à implantação e uso da ferramenta de MRP como parte de um ERP em uma indústria. Envolvendo os requisitos básicos, para sucesso da ferramenta e formas de manutenção para otimização de resultados principalmente na gestão de estoques e necessidades de insumos para o processo produtivo. Como o objetivo do MRP é ter material disponível apenas no momento planejado e não antes, e este planejamento da necessidade é sempre volátil, podendo ser alterado com bastante freqüência dependendo do tipo de negocio que a industria está inserida, o MRP se torna uma ferramenta poderosa para gerir estas demandas planejadas focando o suprimento da necessidade de produção na quantidade e no tempo solicitados. O estudo está dividido da seguinte forma: Uma breve introdução acerca da evolução da ferramenta, detalhamento sobre o seu uso e conclusão sobre o estudo.

Palavras chave: Planejamento e necessidade de produção

1 - INTRODUÇÂO

Não há como falar de MRP, sem antes mencionar, a evolução do ERP na década de 80, onde o conceito de ERP (Enterprise research planning) surgiu como uma ferramenta poderosa para gestão empresarial, tratando de forma integrada , as funcionalidades relacionadas ao back Office e em seguida, o processo produtivo, custos, movimentação de materiais e o planejamento da produção. Neste momento, quando a necessidade de se planejar a produção, tendo-se inicialmente o necessário, com as matérias primas, para se iniciar o processo produtivo, ficou claro que não se podia manter grandes volumes de estoque de matérias primas, mesmo para industrias de modelo Make To Stock,ou seja, ter os materiais quando se precisava para produzir, não trazia a eficiência completa, era preciso trazer no tempo necessário, evitando que materiais, chegassem antes da necessidade de utilização para uma ordem de produção planejada.

O MRP já funcionava como ferramenta desde o inicio dos anos 70, através de cálculos de demanda específicos. Com o MRP (Material requirements planning) integrado ao ERP esta gestão ficou mais eficiente e otimizada. O MRP faz um calculo exato da necessidade com base nos seguintes aspectos:

- Programa mestre de produção
- Estrutura do item a ser produzido, rigorosamente cadastrada.
- Os lead times para cada um dos itens pertencentes a estrutura, cadastrados podendo ser: Lead TIME de compras, de ressuprimento, de fabricação e controle de qualidade.
- Quantidade dos itens em estoque assertiva

O modelo computacional integrado traz a gestão do resultado esperado.Obviamente que a utilização do modelo requer grandes mudanças no ambiente organizacional para fazer com que este automatismo tenha sucesso.

 

2 - Funcionando com o MRP

Para se fazer uso de sistemas integrados de gestão, o MRP se inclui neste cenário, é preciso principalmente fazer com a organização trabalhe da forma como o sistema foi projetado para funcionar.

Neste sentido as áreas de suprimentos, engenharia, logística e PCP devem ter alto nível de sinergia . Ficou muito claro que apenas a definição dos lotes econômicos e ponto de encomenda não traduzem a eficiência de estoques que uma organização precisa para ser competitiva. É preciso ter bem definido entre os setores citados que o objetivo é ter o mínimo possível de itens em estoque, principalmente os itens de consumo direto, com destinação nas ordens de produção.

A Engenharia tem um papel extremamente importante que é cuidar do cadastro dos itens e dar manutenção nas respectivas estruturas dos itens acabados. Algo muito comum de ocorrer, é algum item não ter a versão correta cadastrada na estrutura atual de um item e este item ser solicitado na revisão anterior, gerando retrabalho e conseqüente aumento do custo de um determinado item acabado.

Com as estruturas manutenidas e corretas, a logística e suprimentos também contribuem no cadastro para determinarem, a política de compras, estoque de segurança e todos os lead times, que são necessários quando se altera a data de entrega de um produto acabado constante no plano de produção. Qualquer alteração no plano, o MRP irá recalcular toda a necessidade novamente, sendo necessária a alteração das datas das ordens de compra, antecipando ou postergando. Quando um item não tem estes cadastros corretos, o risco de algum item não ser entregue em tempo é altíssimo.

O PCP tem como função, dar manutenção nas datas de inicio, termino e necessidade de todas as ordens de produção cadastradas no sistema. Sem isso, o calculo não terá assertividade, pois se baseia nestas datas para programação de compras.

Complementando os anteriores, todo e qualquer calculo de necessidade de produção e planejamento precisa que os itens em estoque estejam com as quantidades acuradas. Para isso, todo o funcionamento de recebimento e área fiscal e almoxarifado precisa ter os processos todos muito bem desenvolvidos e seguidos. A forma como um calculo é feito considera além dos pedidos já realizados, as quantidades disponíveis em estoque e se por algum motivo estas quantidades não são acuradas, o MRP irá calcular com falta de assertividade. Para entrada em produção deve-se por algum tempo considerar o estoque de segurança para ajustar melhor o inicio da produção via MRP.

Segundo Slack, Chambers e Johnston (2008), qualquer operação produtiva requer planos e controle, mesmo que o grau de formalidade e os detalhes possam variar. Algumas operações são mais difíceis de planejar do que outras. As que têm um alto nível de imprevisibilidade podem ser particularmente difíceis de planejar. Algumas operações são mais difíceis de controlar do que outras. As que têm um alto grau de contato com os consumidores podem ser difíceis de controlar devido à natureza imediata de suas operações e à variabilidade que os consumidores possam impor às mesmas.

3 - Conclusão

Para melhorar a produtividade, um empresa deve projetar e administrar sistemas eficientes para produzir. Fazendo bom uso da força de trabalho, finanças e materiais. E uma melhor forma de se fazer isso bem "orquestrado" é por meio de planejamento e fluxo de materiais considerando suas entradas e saídas. As áreas de logística, engenharia e PCP formam um tripé extremamente conectado com este processo, tendo uma relação direta com os acontecimentos deste fluxo eficiente de materiais,. Na industria, o MRP, tem o papel de balancear os objetivos conflitantes das áreas envolvidas. Nos dias atuais, o equilíbrio financeiro de uma organização é fundamental para sua competitividade e sobrevivência.

BIBLIOGRAFIA

ARNOLD, TONY J.R. Administração de materiais. São Paulo: Atlas, 2006

SLACK, N., CHAMBERS, S. e JOHNSTON, R. Administração da produção. Nigel Slack, Stuart Chambers, Robert Johnston. São Paulo: Atlas, 2002.
 

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