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Desmistificando a ferramenta Curva S no planejamento

Alexandre Zoppa

Coordenador de planejamento Arcadis Logos 

PMKB

A Curva S é o assunto que escolhi por ser, provavelmente, a ferramenta de acompanhamento mais difundida e utilizada no gerenciamento de projetos. Pelo menos aqui no Brasil.

Apesar de amplamente utilizada no gerenciamento de projetos, acredito que ainda há uma atmosfera de mistério que envolve a Curva S. Isso causa muitas dúvidas em várias pessoas que gerenciam ou participam de projetos. Essa conclusão é baseada no número de perguntas, com as mais variadas dúvidas, que vejo nos grupos de discussão e blogs que acompanho.

Vou seguir a mesma linha do artigo anterior, em que falamos sobre Caminho Crítico, e tentar simplificar os conceitos e tornar seu entendimento o mais fácil possível.

Em primeiro lugar, vale a pena falarmos um pouco sobre a Curva S do ponto de vista matemático. O gráfico que representa a Curva S é um gráfico de valores acumulados, cujo eixo horizontal representa o tempo e o eixo vertical, a quantidade acumulada medida no projeto, normalmente representando o avanço físico em porcentagem ou o financeiro em unidades monetárias. A curva de um gráfico de valores acumulados pode assumir qualquer forma, dependendo do fenômeno que ela representa.

Você sabe o motivo pelo qual ela é chamada de Curva S, quando utilizada em projetos? É simples: por uma característica que se repete na grande maioria dos projetos, o trabalho realizado nas fases iniciais e finais é bem menor do que o realizado nas fases intermediárias. Quando esses valores são acumulados, geram uma curva com um aspecto de um S (ver figura A) que representa esse avanço pequeno no início e fim do projeto. Se forem utilizados os valores absolutos, no lugar do acumulado, o resultado é uma curva que se parece com uma montanha (ver figura B).

 

Figura A: curva em forma de S. Figura B: curva em forma de montanha.

 

Não vou falar sobre o método de construção da Curva S, assunto que irei abordar em outro artigo. Vou me concentrar em como e quando devemos utilizá-la.

Então, como utilizamos a Curva S no acompanhamento de projetos? Na maioria absoluta das vezes ela é utilizada para acompanhar o andamento do projeto em comparação à sua Linha de Base. Você deve, após a aprovação da Linha de Base do cronograma, calcular os avanços – físico e/ou financeiro – estimados para cada período de medição. Esses avanços serão acumulados, para cada período, e plotados no gráfico, gerando a Curva S dos valores previstos, ou também chamados de planejados. Durante a execução do projeto, você deverá realizar as medições periódicas e apurar os seus avanços reais, que também serão acumulados, por período, e plotados no gráfico, gerando a curva de avanço real. A comparação entre as duas curvas apresenta uma indicação da evolução do projeto (ver figura C).

 

Figura C: Curva S com valores planejados (em azul) e reais (em vermelho).

 

Das curvas plotadas na Curva S você pode tirar dois tipos de informação:

- se fizer uma análise no tempo (vertical), terá informações sobre o desempenho do projeto. Isto é, terá uma indicação, até o período correspondente, se a equipe do projeto entregou mais ou menos do que o planejado. No exemplo da figura D, a equipe entregou o equivalente a 10% do escopo do projeto a mais do que o planejado, indicando um bom desempenho;

- por outro lado, se fizer uma análise no avanço (horizontal), terá informações sobre a pontualidade do projeto em relação às entregas efetuadas. Em outras palavras, terá o desvio, em relação ao tempo, do avanço planejado e realizado. Na figura D, há a indicação que o projeto está adiantado em aproximadamente 3 meses, pois entregou no mês 7 o equivalente em avanço do escopo que deveria ser entregue no mês 10.

Partindo da idéia de que a Curva S é uma ferramenta de acompanhamento, gostaria que você refletisse um pouco e me respondesse: quantas Curvas S um projeto pode ter? A resposta é simples: quantas forem necessárias para garantir um acompanhamento eficiente. Em um projeto pequeno e simples, de poucos meses de duração, você provavelmente criará uma Curva S geral do projeto, o que será suficiente. Porém, para um projeto longo e complexo, como a construção de uma usina hidrelétrica, por exemplo, você poderá criar uma Curva S geral, uma para cada fase do projeto, para o Caminho Crítico, para determinadas entregas, fornecedores, etc. Enfim, tantas quantas forem necessárias para garantir o acompanhamento eficiente.

 

Figura D: exemplo de análise dos resultados.

 

Antes de terminar a nossa conversa de hoje, há um ponto que quero ressaltar. Apesar de ser uma boa ferramenta de acompanhamento do projeto, a Curva S deve ser usada com consciência e acompanhada de outras ferramentas e métodos que suportem as informações e a tomada de decisões.

Você sabe por quê? Porque a Curva S é um método simples, mas que tem muitas limitações e imperfeições. Ela pode fornecer informações imprecisas e, por vezes erradas, causando uma miopia na tomada de decisões para controle do projeto. Vou dar um exemplo de limitação da Curva S: imagine um projeto cuja execução avançou mais do que o planejado, por qualquer motivo, em atividades que não fazem parte do caminho crítico do projeto. Por outro lado, as atividades do caminho crítico apresentam um pequeno atraso e tem um avanço inferior ao planejado. Nesse caso, a soma total dos avanços de todo o projeto pode dar a ideia errônea de que o projeto está no prazo, ou até mesmo adiantado, quando na verdade ele esta tão atrasado quanto as atividades do seu caminho crítico.

Aproveite a sua simplicidade e use a Curva S para acompanhar o seu projeto. Faça tantas curvas quantas forem necessárias, mas utilize também outras ferramentas que a complementam e melhoram sua eficiência como gestor. Quais ferramentas? Isso já é assunto para outra conversa!

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