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Produtividade e qualificação profissional

José Ignácio Villela Jr.

 Diretor de produtos do IETEC

Revista IETEC

Os jornais noticiam constantemente que o Brasil se aproxima cada dia mais de um cenário de pleno emprego. No entanto, poucos explicam que isso se deve não tanto às taxas de crescimento, mas à baixa produtividade e frágil qualificação de nossa mão-de-obra.

No início do século XX, Henry Ford afirmou: “há uma única regra para um industrial: fazer produtos com a melhor qualidade possível, ao menor custo, pagando os salários mais altos que puder”. Com exceção da última sentença, polêmica, pode-se afirmar que esta regra continua válida. Mas parece que nos esquecemos dela.
Se fizermos uma comparação, ainda que grosseira, entre a era Ford e o momento brasileiro atual, encontraremos semelhanças: mercados internos relativamente aquecidos e consumidores exigentes. Isto faz com que precisemos de mão-de-obra mais capacitada. No entanto, grande parte dos profissionais não tem o nível de qualificação e de produtividade necessários. Vivemos dilema parecido com o de Ford, que tinha mão-de-obra vinda do campo para trabalhar na indústria e processos (artesanais) idealizados para um padrão superior de qualificação profissional. Por que não ‘aprendermos’ com ele? Ford nos trouxe duas lições:
1. Não adianta ficar parado reclamando do perfil da mão de obra disponível.
Se esta é a realidade, é necessário adequar o processo a ela. Ford subdividiu as tarefas, tornando-as mais simples. Além disso, usou a linha de montagem para dar ritmo ao trabalho.
2. Reavaliar os processos, buscando pontos de desperdícios e oportunidades de melhoria.
Devemos analisar o cenário, buscando oportunidades de melhorias e pontos de racionalização, com o uso de ferramentas que aumentem a produtividade.
É claro que há uma série de críticas sobre a aplicação das idéias e métodos de Ford. A essência da reflexão que proponho é a necessidade de busca da inovação e da melhoria contínua de modo a harmonizar a relação entre o homem e os meios produtivos, principalmente em termos de qualidade, volume produzido, investimento e atendimento ao cliente.
Ou seja, podemos ganhar eficiência através de mudanças/adequações nos processos, padronização do trabalho, uso inteligente (o que não quer dizer uso intensivo) de tecnologia e qualificação da mão-de-obra.

Fatores precursores da produtividade
Dando números à discussão sobre a produtividade, matéria da revista Exame (edição 1025), mostra que a produtividade do brasileiro é quatro vezes menor do que a do alemão e cinco vezes a do norte-americano. Ou seja, ser mais produtivo não quer dizer trabalhar mais. Trata-se de trabalhar melhor.
Entender esta qualidade do trabalho fica mais fácil quando nos deparamos com o fato de que os trabalhadores americanos têm média de 12 anos de escolaridade e os brasileiros, 7,5 anos. A isto, soma-se o fato de que em 2010, por exemplo, o Brasil registrou cerca de 22 mil pedidos de patente e os EUA, quase meio milhão...
Em síntese, pode-se dizer que os fatores precursores da produtividade são: inovação (incremental e/ou radical), educação (de base e profissionalizante) e infraestrutura adequada. Infelizmente, o Brasil está deficiente em todos eles. Como sentimos na ‘pele’, a consequência desse cenário é muito negativa.

E a saída, onde está?
Olhando para o curto e médio prazo não me restam dúvidas de que a saída é investir na melhor formação dos “líderes” das empresas (engenheiros, administradores, analistas, coordenadores, supervisores, gerentes etc.), aqueles profissionais responsabilizados pelo projeto e a gestão dos processos, sejam eles de produção industrial, de um software... Esta formação deve ocorrer tanto dentro das empresas quanto através de Educação Continuada em instituições de ensino que levam seus cursos além do simples repasse da teoria.
Num primeiro momento caberia a estes profissionais o papel de promover a melhoria contínua nos processos e introduzir inovações, fazendo isto através da identificação de pontos de melhoria, de redução/eliminação de desperdícios, de adequação do trabalho/processo ao nível de qualificação dos colaboradores que nele trabalha.
Pode parecer que a proposta acima seja uma volta à proposta de Taylor que, a grosso modo, propunha pelo menos duas classes de trabalhadores: uma que pensava/planejava e outra que executava. Ao contrário. Proponho a dedicação das pessoas às atividades para as quais elas estejam melhor preparadas naquele momento, gerando assim melhores resultados financeiros, possibilitando que no médio e longo prazos as empresas invistam na melhoria da qualificação de todos os colaboradores. Sem resultados financeiros consistentes as empresas não farão tais investimentos e continuarão reclamando da qualificação dos profissionais.
Enfim, é vital que o profissional, bem como as empresas, percebam a necessidade e a oportunidade de crescimento que o investimento em qualificação traz aos profissionais, às empresas e ao país. Também é fundamental que os responsáveis pelas políticas e programas de qualificação profissional adotem modelos modernos, unindo teoria e prática em prol da melhoria nos processos, da inovação, do melhor atendimento às necessidades dos clientes a um baixo custo e nível elevado de qualidade.
 
 

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