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Ex-ministros do meio ambiente visitam novas instalações do IETEC

Harley Pinto
Revista IETEC

No dia 25 de abril, o IETEC recebeu a visita de dois dos mais importantes ministros do meio ambiente: José Carlos Carvalho (2002) e Marina Silva (2003/2008).


Para o presidente do IETEC, Ronaldo Gusmão, foi uma oportunidade para que analisasse a relevância da educação como um ponto de convergência e base para um processo de sustentabilidade pleno. “A sustentabilidade, principalmente nos seus aspectos de responsabilidade social e de meio ambiente, deve fazer parte de toda discussão que realize, em qualquer aspecto do processo produtivo.
Quando dois dos mais importantes ex-ministros do meio ambiente se encontram e demonstram sua preocupação com o tema, é algo para se pensar. E mais do que isso, para se colocar em prática”, analisa. Vale lembrar que José Carlos Carvalho participou de todas as edições da Ecolatina (Conferência Latino-americana sobre Sustentabilidade) e Marina Silva esteve na última, em 2007, participando de um painel sobre Mudanças Climáticas.
De acordo com Carvalho, a educação exerce um papel chave na promoção da sustentabilidade, uma vez que “ela se fundamenta em geração de novos conhecimentos, inovação tecnológica e investimento em pesquisa. Como sabemos, sem educação não há ciência, e sem ciência não há tecnologia”, analisa. Para eles, os cursos de pós-graduação no Brasil podem colaborar para a formação de recursos humanos alinhados a uma visão de desenvolvimento sustentabilidade do planeta, na medida em que “qualquer iniciativa voltada ao desenvolvimento, e ao desenvolvimento sustentável em particular, passa pela qualificação profissional e a capacitação de recursos humanos. Desta forma, profissionais com conhecimento de ponta com cursos de pós-graduação terão papel fundamental na transição do atual modelo econômico para uma economia verde, incorporando novos paradigmas relacionados ao sistemas de produção e a novos produtos, além de profundas transformações relativas ao consumo”, afirma.


José Carlos Carvalho
Quais foram os projetos mais importantes na área de educação ambiental a senhora realizou no Ministério do Meio Ambiente?
Na minha gestão como Secretário-Executivo do Ministro Sarney Filho e depois como titular da pasta, tivemos a oportunidade de aprovar a Lei que institui a Política Nacional de Educação Ambiental e sua regulamentação, editando um marco legal importantíssimo para estimular a educação ambiental no nosso país.

Na sociedade atual, a inovação é fundamental para a produção e o consumo sustentável. Na sua visão, qual é o estágio atual do Brasil nesse processo?
Se nenhuma dúvida, a inovação, em todas as suas dimensões, mas, sobretudo no campo tecnológico, ambiental e gerencial, é decisiva para se estabelecer novos padrões de produção e consumo, objetivando uma economia de baixo carbono, além de sistemas produtivos poupadores de recursos naturais, uma drástica redução na geração de resíduos e a prática de um consumo consciente.

Qual é o papel da universalização do ensino para a criação de um país mais próspero?
Sem a oferta de educação universalizada, que assegure o acesso irrestrito das crianças e jovens à escola, principalmente ao ensino fundamental, toda prosperidade será falsa. É a escola e o ensino de boa qualidade  que darão aos filhos da pobreza as oportunidades iguais de se tornarem cidadãos e profissionais preparados para tornar o país mais justo, igualitário e próspero.


Marina Silva
Qual é o papel da educação visando a sustentabilidade?
Não se tem sustentabilidade sem uma cultura de sustentabilidade estabelecida na visão de mundo de uma sociedade. A Educação, enquanto transmissão de conhecimentos e formação de pensamento, é o meio mais eficaz para que a sustentabilidade - que considero uma maneira de ser e não só de fazer as coisas - venha a orientar as escolhas individuais e coletivas e o desenvolvimento de um país.

Como os cursos de pós-graduação no Brasil podem colaborar para a formação de recursos humanos alinhados a uma visão de sustentabilidade do planeta?
A mudança de paradigmas nas áreas de conhecimento e nos valores que dão suporte às atividades acadêmicas são processos que demandam grande esforço epistemológico, algo que os estudos de pós-graduação têm mais aptidão para fazer do que a graduação. Certamente que esses cursos, com uma orientação sustentabilista, podem ser uma grande alavanca para a construção do desenvolvimento sustentável, ajudando a sociedade a encontrar respostas por meio da ciência para as graves e urgentes questões que o mundo enfrenta: a proteção da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais, a restauração de ecossistemas degradados, a adaptação ao cenário de mudanças climáticas e, por fim, a descoberta de novas tecnologias, novos processos, produtos e materiais que possam nos ajudar a satisfazer as necessidades humanas sem continuar comprometendo a saúde do planeta.

Na sociedade atual, a inovação é fundamental para a produção e o consumo sustentável. Na sua visão, qual é o estágio atual do Brasil nesse processo? 
O Brasil tem feito progressos relevantes, porem insuficientes, na área de TI, em pesquisas para agricultura sustentável, em tecnologias energéticas inovadoras, na inovação em tecnologias sociais e já tem uma base tecnológica e pesquisas muito avançadas na área de monitoramento e conservação de florestas e recursos hídricos. Falta-nos visão e vontade política para decidir investir mais massivamente na agenda de pesquisa científicas estratégicas para um país como o Brasil, que detem 22% das espécies vivas do mundo, 11% da água doce do planeta, 350 milhões de hectares de terras agrícolas, uma diversidade incrível de biomas e a maior floresta tropical do mundo. Somos uma potência ambiental, detentores de recursos naturais que estão cada vez mais escassos no planeta e temos insistido em uma trajetória que se esgotou como oportunidade de desenvolvimento nos séculos passado, ao privilegiar uma economia baseada em energias fósseis, em agricultura extensiva e degradadora, em transportes de cargas rodoviário, em mobilidade urbana focada no automóvel, em mineração que desrespeita a segurança ambiental e os direitos sociais. 

Qual é o papel da universalização do ensino para a criação de um país mais próspero?
Não se pode formar um Brasil economicamente próspero, socialmente justo, ambientalmente sustentável, politicamente democrático e eticamente orientado sem que o brasileiro seja tudo isso em suas convicções pessoais e com oportunidades para sê-lo. As grandes ferramentas para isso são cidadania e qualificação do trabalho, às quais se chega através de um sistema educacional que tenha um lugar social relevante dentre as políticas públicas, valorização dos agentes de educação, equipamentos tecnológicos disponíveis e projetos pedagógicos atualizados. Evidentemente a realização disso se inicia na decisão política de criar uma visão compartilhada de país e na decisão ética de todos se comprometerem a dar sua contribuição para isso. Obviamento que, no caso do governo e dos políticos, a destinação dos recursos financeiros necessários no orçamento público e a criação das novas políticas públicas necessárias só existiram se esses valores forem difundidos e fortes o suficiente na sociedade para que todas as decisões passem pelo crivo ético da sustentabilidade.
O bom é que esse movimento está em curso no mundo todo. Existe uma borda se descolando desse centro estagnado de dinheiro pelo dinheiro e poder pelo poder. Esses "desertores do velho sistema" estão criando uma nova superfície onde essas utopias poderão prosperar.

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