Etel Carmona Viana - Empresária do setor moveleiro em São Paulo
Virgilio Viana - Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas
As coisas não são exatamente comoparecem ser. Felizmente. A Amazônia, ao contrário do que muita gente pensa, não é um mar verde só com cobras, jacarés, insetos e macacos. A floresta é toda habitada por milhares de comunidades de ribeirinhos, extrativistas, indígenas e, mais recentemente, colonos e fazendeiros. A maior parte da população é urbana.
O triste é que não percebemos o óbvio: só conseguiremos manter a floresta em pé fazendo com que a produção de madeira e de produtos florestais não-madeireiros seja feita de forma ecologicamente saudável, gerando riquezas para as pessoas que vivem lá. A floresta pode e deve dar mais renda em pé do que transformada em cinzas para pastos e plantações. Felizmente, o Brasil tem uma competência empresarial e tecnológica que alimenta nossa esperança de sucesso.
Precisamos direcionar esta competência para negócios sustentáveis na Amazônia, tanto para a área urbana quanto para a rural. Temos a maior floresta do mundo e estamos colocando fogo nela como se fosse um lixo sem valor, repetindo a história da mata atlântica. Chegou a hora de percebermos o óbvio. Não vamos salvar a Amazônia apenas com mais polícia, fiscalização, parques e reservas – ainda que isto seja fundamental e extremamente importante. Nem, tampouco, culpando os estrangeiros que estariam querendo invadir a Região Norte.
O vilão da história somos nós mesmos. É nossa incapacidade de mobilizar o talento nacional para transformar esse patrimônio em riqueza utilizada de forma coerente. Precisamos apoiar negócios sustentáveis com políticas públicas sensatas e eficientes. Passou da hora de tratarmos o manejo florestal como algo benéfico, que deve contar com licenças ambientais mais simplificadas do que o desmatamento para agricultura e pecuária. Os resultados do Programa Zona Franca Verde, implantado nos últimos anos no Estado do Amazonas, mostram que isso é possível.
Precisamos capitalizar o interesse do mundo na Amazônia. Devemos substituir a xenofobia pela inteligência. Vamos cobrar abertura de mercado em todo o mundo para os produtos da Amazônia. Se o mundo quer conservar esse "patrimônio da humanidade", não precisamos de esmolas. Precisamos sim de financiamento diferenciado para ampliar os investimentos capazes de gerar riqueza, combater a pobreza e conservar a floresta.