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Falta de mão de obra impacta setor de TI

Guyanne Araújo
Jornal Diário do Comércio

Déficit no país deve chegar a 48 mil profissionais. Segundo a Softex, caso o quadro permaneça o mesmo, segmento poderá ter perda de R$ 115 bilhões, até 2020.


A falta de mão de obra qualificada no setor de Tecnologia da Informação (TI) tem gerado preocupação em entidades que representam a classe. Em situações díspares, a falta de mão de obra pode impactar o crescimento do setor em breve. Pesquisas demonstram que a escassez gera más perspectivas caso o quadro permaneça o mesmo. De acordo com a Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), a repercussão do impacto da escassez de mão de obra em TI poderá ocasionar inclusive em uma perda de receita de R$ 115 bilhões até 2020 no segmento, em todo o país.
A situação atinge praticamente todos os grandes centros metropolitanos que concentram grandes empresas, com um cenário agravado em São Paulo. De acordo com alguns especialistas, a capital mineira também carece de mão de obra qualificada, com impactos no setor. A evasão dos estudantes dos cursos da área é apontada como um dos fatores que responsáveis por esse panorama.
"Os locais de maior dificuldade são aqueles onde se concentra a maior parte das empresas desenvolvedoras de softwares de TI, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Nesses grandes centros, temos problemas maiores. Os municípios que mais sofrem em Minas são Belo Horizonte e seu entorno, onde existe presença importante de empresas especializadas, como Nova Lima, Contagem e Betim", comenta a gerente do Observatório Softex, Virgínia Duarte.
A gerente calcula que atualmente o déficit de profissionais é de, aproximadamente, 48 mil profissionais em todo o Brasil. "Como a indústria de Minas corresponde a 6% da participação na receita do setor no país, calculamos um déficit no Estado estimado em 3 mil profissionais."
A preocupação com assunto levou o Observatório Softex a lançar, no final do ano passado, o caderno temático "Mercado de Trabalho e Formação de Mão de Obra em TI". O estudo contempla quatro dimensões da situação vivenciada pelo setor. O primeiro capítulo analisa o aspecto quantitativo da questão e o impacto da escassez de mão de obra em TI. Caso o quadro permaneça o mesmo, o setor poderá ter uma perda de R$ 115 bilhões, até 2020. Já o segundo, foca a falta de mão de obra localizada. Já o terceiro capítulo aborda a qualidade da formação e o quarto discorre sobre a perspectiva de atratividade do mercado de trabalho.
Outro estudo da Softex, lançado em julho de 2012, "Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva (2º volume)", registra em estimativa que, até o final 2012, a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI (IBSS) contará com cerca de 73 mil empresas, com uma receita líquida de R$ 71,6 bilhões e 600 mil pessoas ocupadas. De acordo com estimativas, caso o quadro permaneça o mesmo, entre crescimento de receita, produtividade e contratação, haverá um déficit de 280 mil profissionais assalariados exercendo ocupações mais diretamente relacionadas com software e serviços de TI, em 2020.
"A situação é preocupante e tem que ser resolvida de uma forma ou de outra.  fundamental para o setor e requer um plano mais bem organizado, a curto, médio e longo prazos", avalia a gerente. Para ela, o mercado já tem sentido os efeitos dessa falta da mão de obra. "A falta de profissionais é sentida de formas diferentes pelo empresário, dependendo do segmento e modelo de negócios. Mas, de um modo geral, é um ponto que merece destaque, pois é o grande desafio para o crescimento do setor", acrescenta.

Projeções
De acordo com o estudo "O mercado de profissionais de TI no Brasil", realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), com projeções para 2014, entre os oito estados analisados - São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul - a demanda chegará a 78 mil profissionais, entretanto apenas 33 mil concluirão seus cursos.
"A situação é extremamente positiva, se olharmos pelo viés de que o setor está se expandindo; já pela ótica das companhias, a falta de mão de obra é um gargalo a ser superado. Não ter mão de obra qualificada implica em perda de contratos, são situações díspares", diz o diretor de educação e recursos humanos da Brasscom, Sérgio Sgobbi.
O estudo ainda aponta que Minas é um dos três, junto com Bahia e Pernambuco, que poderão ter profissionais em quantidade adequada. Entretanto, Sgobbi alerta que os dados foram apurados no triênio 2007-2009 e que podem já ter sido superados devido às empresas que foram abertas no último ano no Estado.
"Em Minas Gerais, até 2010, quando fizemos o levantamento, o mercado de TI tinha uma oferta de mão de obra suficiente para aquele momento e as projeções indicavam que em 2014 também teria. De 2010 até 2012, no entanto, houve um grande aumento no número de empresas que se estabeleceram ao Estado e o cenário da época, de oferta maior que a demanda, já não é o mesmo. Sgobbi observa, ainda, que quando a pesquisa for replicada, talvez os dados já mostrem o impacto.
 

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