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Gestão

Postura empresarial ecologicamente correta

Luís J. Ayllón

Vice-presidente para a América Latina da Interface Flooring Systems

Jornal Estado de São Paulo

As empresas não podem mais lançar ou manter um produto no mercado considerando apenas os custos econômicos: em nome da sobrevivência do Planeta e da raça humana, devem ser igualmente considerados os custos sociais e ambientais, desde o começo até o fim da vida útil dele.

Para definir o conjunto de regras e questões que envolvem o presente e o futuro de um produto e sua relação com o meio ambiente, os norte-americanos criaram um neologismo, praticamente um palavrão: sustainability. Ou sustentabilidade, em português.

Hoje, ao lançar ou ao manter um produto em linha, é preciso pensar em quanto tempo ele será útil e, principalmente, no que irá acontecer com ele quando não mais for útil. Para isso, não basta levar em conta apenas os custos econômicos e os lucros eventuais. E tudo começa com três simples perguntas: como esta coisa veio a existir? Quanto tempo isso será útil? O que irá acontecer com isso quando não for mais útil? Ao considerar estas três questões, pense sobre elas em termos de três custos: econômicos, sociais e ambientais.

Quando você se pergunta: "Como esta coisa veio a existir", o que você está realmente se perguntando é quais foram os custos sociais e ambientais, além dos econômicos, para fazer este produto virar realidade. Um produto não é "sustentável" só porque é reciclável, pois, quando você pensa sobre o contexto das três questões e dos três custos, você começa a ver que reciclagem é apenas uma pequena parte do todo. Sustentabilidade é o custo real ou verdadeiro, aí incluídos os três custos.

Então, se você deseja fazer a mais responsável escolha de produto para um escritório, por exemplo, você realmente tem de considerar todos os custos atribuídos ao produto desde o começo até o fim da sua vida útil.

Ou seja: sustentabilidade significa fazer escolhas pensadas, tendo o conhecimento para agir de um jeito que não arrisque o futuro de nosso Planeta e seus habitantes. O que nos leva a uma pequena e simples definição: sustentabilidade significa viver, trabalhar e fazer negócios de um modo que garanta um futuro onde a vida seja possível. Significa pensar na herança que estamos deixando para os filhos dos filhos dos nossos filhos.

A sustentabilidade é uma montanha muito alta, onde seu cume é representado pelo não-uso de recursos não renováveis do meio ambiente nos processos industriais. O ponto mais alto da montanha é onde estamos procurando chegar, para podermos operar de um jeito em que nada seja retirado da Terra sem que seja natural e rapidamente renovado - e sem prejudicar a biosfera do Planeta.

Um exemplo prático desse modo de encarar o futuro é produzir um carpete elaborado com amido de milho ou de arroz, que seja portanto 100% biodegradável e tenha a mesma vida útil de um produto similar feito com náilon ou polipropileno, matérias-primas que levam mais de um século para se degradar após o seu uso, gerando um grave problema ecológico.

Em termos ambientais estritos, nenhuma outra montanha é mais importante para a raça humana e nenhuma tem mais urgência de ser escalada não apenas por nós, mas por todo o sistema industrial, pois um setor produtivo que retira materiais raros, alimentos, combustíveis fósseis e polui o ar e a água de uma Terra finita está trabalhando de maneira pouco inteligente, com desperdício e com graves conseqüências para o futuro próximo.

É preciso que nos perguntemos também o que irá acontecer com os negócios quando a natureza finita tiver sido destruída pelos sistemas cumulativos de abuso ao meio ambiente, pois, antes mesmo que a raça humana, o que está em risco é a própria indústria por exercer práticas inconscientes, que devem com urgência ser repensadas, redesenhadas e reinventadas em busca da sustentabilidade.

Podemos falar disso tranqüilamente, pois nossa empresa também não é sustentável, apesar de nossas atitudes ecológicas estarem sendo reconhecidas por diversas companhias e instituições, como o jornal inglês Financial Times que, por dois anos consecutivos, nos colocou entre as 20 empresas do mundo que melhor administram recursos naturais, na honrosa companhia do Greenpeace e da Patagônia.

Neste momento, nenhuma companhia é sustentável na Terra, ou seja, nenhuma empresa é capaz de atender a todas as suas necessidades sem comprometer as gerações futuras, mas é vital que cada indústria individualmente, e o sistema industrial como um todo, comece a trilhar o caminho que leva à sustentabilidade.

Temos plena consciência de que atingi-la é como subir uma montanha mais alta que o Everest. Mas já começamos a escalada, pois o que está em jogo é que tipo de Planeta estaremos deixando para as futuras gerações.

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