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Sustentabilidade como estratégia empresarial traz ex-ministro do meio ambiente ao Instituto

Harley Pinto
Revista IETEC

Com o tema ‘Sustentabilidade como Estratégia Empresarial’, o ex-ministro do Meio Ambiente José Carlos Carvalho deu início aos eventos em comemoração aos 25 anos do IETEC. O evento contou com a participação de personalidades de destaque do universo acadêmico, empresarial e político, como o ouvidor ambiental de Minas Gerais, Eduardo Tavares; o ex-deputado e ex-secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Ronaldo Vasconcelos; e Hiram Firmino, ex-presidente da Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente).
Inicialmente, em sua fala, o ex-ministro e ex-secretário de meio ambiente de Minas Gerais, fez uma distinção entre sustentabilidade e meio ambiente. “Muitas pessoas entendem que se trata do mesmo tema. Não! Sustentabilidade é algo mais amplo, que engloba questões relativas a meio ambiente, mas também aspectos de cunho social e econômico”, pontuou.
Fazendo uma comparação, José Carlos Carvalho analisou as mudanças de comportamento do mundo moderno. “As relações pessoais, interpessoais, modelos de consumo e regras de alimentação de uma família de quatro pessoas vivendo em uma casa de três quartos é totalmente diferente de uma família com 20 pessoas vivendo na mesma casa. É isso o que está ocorrendo no planeta nos últimos 50 anos. No pós-Guerra, éramos três bilhões de pessoas. Na virada do milênio, havíamos dobrado esse valor, passando dos seis bilhões. E, em apenas 12 anos, já somos mais de sete bilhões de seres humanos na mesma casa, com o mesmo número de cômodos. E dados da ONU concluem que seremos nove bilhões em 2050”, afirmou.
Os dados apresentados foram utilizados para a reflexão do profissional sobre a sustentabilidade do ponto de vista ambiental. “É necessário fazer algo visando uma melhor convivência dentro dessa casa chamada planeta. A disponibilidade de recursos naturais é a mesma, a água disponível é a mesma, as terras férteis disponíveis para produção são as mesmas. E um detalhe é essencial de ser colocado diante da cultura do brasileiro. Não tem jeito de fazer puxadinho no planeta. É impossível!”
Coincidentemente, relatou o ex-ministro, nos últimos 50 anos também se alteraram sensivelmente os métodos de produção e de consumo da civilização contemporânea. “Houve um aumento exponencial de consumo dos recursos da natureza, seja por um aumento do consumo per capita, seja pelo aumento absoluto de pessoas. E, lamentavelmente, a situação não é mais grave devido a um seríssimo problema social, já que, desses sete bilhões de pessoas, aproximadamente um bilhão e meio, ou seja, 20% do total, vive abaixo da linha da pobreza, excluídas do mercado de consumo. É esta equação demográfica que teremos que resolver neste século. Precisamos mudar nossos padrões de produção e consumo, urgentemente”, ratificou.
A humanidade consome 20% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de regenerar naturalmente. O dado, apresentado por Carvalho, serviu como base para sua análise a respeito da questão tecnológica. “Desenvolvemos uma capacidade de cultivar mais em menores porções de terra, além de termos criado tecnologias que geraram novas riquezas. Fico especialmente feliz por tratar desse tema – desenvolvimento sustentável – numa casa de educação, principalmente numa casa de educação tecnológica, porque a diferença entre o modelo de desenvolvimento que vem sendo debatido nos últimos anos e o modelo de desenvolvimento que se prega hoje passa, necessariamente, por inovação em tecnologia. E essa instituição tem se dedicado, nos últimos 25 anos, a esse esforço de capacitar e preparar pessoas para esse processo de transformação”, disse.

Desenvolvimento sustentável
Usar de maneira sustentável os recursos naturais deve ser entendido como uma estratégia da empresa. Para Carvalho, o modelo a ser adotado deve mesclar a atuação do mercado com a regulação do Estado “Sou daqueles que não acredita nem somente no mercado nem somente no Estado. Para mim, isso é um falso dilema. Eu acho que a melhor solução existe quando nós combinamos as melhores virtudes/vantagens do mercado com as melhores regras regulatórias do Estado. Esse é o parâmetro ideal. É neste contexto que julgo pertinente refazermos nossas relações de consumo, utilizando massivamente a sustentabilidade como estratégia empresarial”, analisou.
De acordo com ele, a grande questão que se coloca hoje diz respeito à degradação do meio ambiente. “É um debate que dominará o cenário internacional: o uso predatório dos recursos da natureza. Não podemos nos apropriar privadamente dos bens da natureza e socializar seus prejuízos. A proteção do meio ambiente deve ser entendida como parte do negócio”, pontuou.

Novo Renascimento
Para Carvalho, teremos que viver, neste século, um novo Renascimento, baseado na necessidade de refazer as relações com a Natureza. “O período a que chamamos Renascimento foi a afirmação da arte como resposta a um mundo sombrio. Por isso prego que precisamos de um novo Renascimento, principalmente na dimensão ética”, observou.
O problema do uso dos recursos naturais, para Carvalho, não é apenas ecológico. É, sobretudo, econômico. “Não por acaso, as duas palavras possuem a mesma raiz grega: ecos, ou seja, casa. Devemos saber organizar e usar a casa, fazendo o casamento da ecologia com a economia em matéria de sustentabilidade”. Para o engenheiro florestal, estamos avançando mais em modelos de produção, nas empresas, e menos em modelos de consumo. “Precisamos fazer um grande esforço em relação à mudança de padrão de consumo da população. O caminho que estamos trilhando nos leva para uma situação catastrófica. É necessário repensar, urgentemente, tais padrões, sob pena de não sobrevivermos. O planeta sobrevive a nós, mas o contrário não é verdadeiro. Precisamos adotar padrões de consumo conscientes e sustentáveis. Isso não significa que teremos que parar o desenvolvimento. Ao contrário. O que acho que precisamos inverter são os vetores nos quais o desenvolvimento opera. Vejam que nós saímos da crise de 2008 usando o mesmo veneno que produziu a crise: aumentando o consumo, sem mudar os padrões”, enfatizou.

Acesse a íntegra da palestra com o ex-ministro José Carlos Carvalho no canal do IETEC no You Tube: www.youtube.com/ietectv.


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