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Especialistas ouvidos pela revista IETEC confirmam: foco está no aumento da produtividade

Harley Pinto
Revista IETEC

Recentemente o presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Sr. Olavo Machado, em artigo publicado pelo jornal Estado de Minas, declarou que “o grande desafio que o nosso País enfrenta hoje é a conquista da competitividade de sua economia e de suas empresas”. Ainda segundo ele, “de fato, nos últimos anos avançamos em questões importantes - como a estabilização da economia, o desemprego e a queda dos juros, mas hoje o desafio é a conquista da competitividade, dentro e fora das fábricas, o que só alcançaremos com fortes investimentos em inovação, educação e infraestrutura”.

De acordo com o coordenador de cursos da área de Gestão e Tecnologia Industrial do IETEC, José Ignácio Villela Jr., “as empresas precisam compreender que o incremento de sua competitividade só será conseguido através do tão falado aumento de produtividade e que o grande responsável por isto é a própria empresa, ainda que o governo tenha uma parcela de contribuição para se vencer este desafio”, diz.
A produtividade no contexto colocado por Villela nada mais é do que o uso racional dos recursos produtivos para se atingir um objetivo específico, por exemplo, se a empresa opta por competir no mercado com produtos e/ou serviços diferenciados, ela não poderá mobilizar seus recursos para simplesmente pensar em elevados volumes de produção em detrimento de prazos de entrega e estoques elevados. Ela terá que mobilizar seus recursos para produzir aquilo que na visão do cliente diferencia o produto dela dos demais disponíveis no mercado. 
Pode parecer algo óbvio, mas na prática não é o que ocorre. Vemos empresas nacionais reclamando da concorrência com produtos similares chineses. Porém, poucas são aquelas que procuram se diferenciar deles em termos de entrega, por exemplo. Ou mesmo assegurando um padrão superior de qualidade, um serviço de assistência técnica (quando for o caso) de excelência, em oferecer ao mercado flexibilidade em termos de entrega e especificações dos produtos, além de uma série de outras formas de diferenciação. Todavia o que se vê são as empresas procurarem reduzir seus custos, dizendo que estão tornando-se mais produtivas, de forma impensada e assim acabam destruindo de vez sua possibilidade de entregar valor aos seus clientes. “Como exemplo simples podemos citar empresas que demitem profissionais que ganham salários mais elevados e que contratam outros com salário mais baixo. Via de regra, nestes casos a consequência acaba sendo a queda de qualidade da tarefa executada, o que muitas vezes chega até ao produto, seja ele um bem ou um serviço”, analisa Villela Jr.

Competitividade e Produtividade
Em linhas gerais pode-se afirmar que a competitividade de uma empresa deve ser avaliada sob cinco enfoques: custos, velocidade, flexibilidade, qualidade e confiabilidade, sendo que dependendo de seu posicionamento estratégico no mercado alguns deles podem ser critérios diferenciadores da empresa (e/ou seus produtos) no mercado, outros podem ser critérios qualificadores para que a empresa venha a obter vantagens competitivas e outros podem ser colocados em segundo plano, ou seja, não são nem qualificadores e nem diferenciadores. 
Precisamos compreender que a produtividade não é um fim, mas um meio para se alcançar algo que a empresa tenha definido como estratégico. Não se pode ter como objetivo somente melhorar a produtividade, mas sim melhorar a produtividade visando um propósito determinado. Assim, a medição da produtividade ficará relacionada a um objetivo estratégico do negócio. Villela explica que “se entendermos a produtividade como sendo a eliminação contínua e consistente de desperdícios e que se aceitarmos o fato de que desperdício é tudo aquilo que não agrega valor ao cliente poderemos fazer esta relação”. Como exemplo ele cita o fato de que se uma empresa opta por competir em custos no mercado, a visão dela de produtividade passará por produzir elevados lotes de produção, pois assim os custos unitários tenderão a reduzir. Em uma empresa com este posicionamento, a medição de produtividade seria o volume de produção por unidade de tempo, já em outra empresa onde a estratégia é oferecer ao mercado produtos diferenciados com valor agregado mais elevado a medição de produtividade passaria pelo atendimento aos clientes em termos de prazo e qualidade. Neste último caso, ainda que o custo seja um elemento importante, ele não é o ‘mais’ importante, sendo o atendimento ao cliente, dento da proposta de valor da empresa, a referência de produtividade.
Um bom exemplo de empresa empenhada no ganho de produtividade é a Gesilva, empresa prestadora de serviços em telecomunicações no ramo de TV por assinatura, que está implantando um projeto de ganhos de produtividade através da identificação de serviços improdutivos ou que, por algum motivo, não são executados. Essa demanda foi gerada pela análise de que o indicador de desempenho mais considerável  da empresa – o lucro organizacional – não estava sendo alcançado. De acordo com sua diretora administrativa, Geane Viana, “escolhemos a restrição que tem causado maior impacto para a empresa. Buscamos, então, a causa, para solucionar a questão”, conta Viana, que acaba de concluir o curso de Gestão de Custos no IETEC.
Ainda de acordo com o artigo do presidente da FIEMG, a conquista da competitividade, dentro e fora das fábricas só será alcançada com fortes investimentos em inovação, educação e infraestrutura, podendo mos salientar dois grandes desafios para as empresas, que são: a qualificação/educação profissional e a inovação, seja ela radical ou incremental.

Qualificação Profissional
Uma pesquisa internacional sobre os pontos cruciais para melhorar a competitividade da indústria não deixa dúvidas do quanto o Brasil está defasado. Numa amostra de 11 países desenvolvidos e emergentes entre os mais industrializados do mundo, a preocupação com a produtividade do trabalho, o que somente é conseguida através da Qualificação Profissional, é consensual, sem distinção entre estágios de desenvolvimento, ocupando o topo da lista de prioridades comuns, com 74% de indicações.
Entre todas as medidas comparativas, a mais chocante, tratando-se de Brasil, é a da escassez de mão-de-obra treinada e bem formada. No Brasil, tal deficiência foi apontada por 68% dos executivos. A taxa mais próxima é a do México, com 44%, seguido da China (36%), EUA (26%) e Alemanha (22%).
A questão do impacto da qualificação profissional pode ser melhor entendida quando ligamos a produtividade à questão dos desperdícios, pois com uma mão-de-obra mal qualificada a probabilidade de problemas de qualidade é maior, a lentidão para se executar as tarefas é maior, o consumo de recursos tende a ser superior e assim por diante. No final das contas, a consequência desse processo é o aumento de custos e a não-entrega da proposta de valor da empresa a seus clientes.
Para Delton Braga, gestor industrial de uma multinacional no ramo de autopeças, com mais de 16 anos de experiência, o capital humano é essencial para as empresas e é o grande diferencial para competitividade. “Considero que o fator determinante do destino de toda a sociedade é a educação, e a busca por conhecimento e inovação será o principal propulsor de crescimento econômico das empresas. Investir em qualificação é uma questão de sobrevivência da indústria, não só quando se ingressa, mas sim ao longo de toda a sua carreira profissional”, analisa.

Inovação
Se aceitarmos como verdadeira a definição sucinta de que inovação é a exploração com sucesso de novas idéias, podemos fácil e rapidamente compreender a correlação entre a Competitividade, a Produtividade e a Inovação, ou seja, pode-se compreender que para atender aos critérios que diferenciam uma empresa no mercado deve-se constantemente buscar novas abordagens, novos meios de se fazer as “coisas” e de se entregar os produtos, isto ao mesmo tempo em que deve-se buscar novas idéias para se produzir e entregar estes produtos eliminando os desperdícios, ou seja, eliminando tudo aquilo que não agrega valor aos clientes.
Este processo de exploração de um modo diferente de se fazer algo pode vir de idéias totalmente novas e revolucionárias, ou seja, pode vir de inovações radicais, ou pode vir de idéias que são pequenas variantes da forma atual de trabalho ou nos próprio produtos, ou seja, pode vir de inovações incrementais. Independentemente de onde elas venham, o importante é buscar competir sendo “o melhor possível” naquilo que se promete entregar ao cliente.

Produtividade para pequenas e médias empresas
Normalmente, quando se discute produtividade, pensa-se somente em grandes corporações e seus balancetes milionários. No entanto, assegura Villela, as pequenas e médias empresas podem usufruir ainda mais de técnicas e métodos que permitam ganhos de produtividade, sendo que “para isso, elas devem definir a priori a forma como desejam competir no mercado e, a partir desta proposta de entrega de valor ao cliente, devem atuar na eliminação de desperdícios, ou seja, de tudo aquilo que não agrega valor aos clientes”, explica Villela Jr. Como exemplo ele cita o fato de que se para os clientes o fato da empresa ter produtos em estoque não faz diferença, então para que tê-los? Neste caso a empresa poderia direcionar os recursos envolvidos com a manutenção dos estoques para ter um elevado padrão de qualidade, por exemplo, se isto for um diferencial para o cliente.
Um bom exemplo é a Luxor Lavanderia de Luxo, empresa com 53 funcionários e uma unidade fabril. Para seu diretor-executivo, Felipe de Castro e Oliveira, o mercado está cada dia mais competitivo e agressivo. “Para continuarmos crescendo de forma sustentável, temos dado cada dia mais valor aos nossos processos internos. Dessa forma, conseguimos melhorar a qualidade dos serviços, ao mesmo tempo em que reduzimos custos de insumos e de mão-de-obra. Temos conseguido, assim, um aumento considerável de nossa produtividade”, garante.

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