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:: Meio Ambiente

Desenvolvimento sustentável

Fernando Tibechrani Salgado

Diretor da Consultoria Atitude - Despertando a Ação Sustentável

Gazeta Mercantil

DS e responsabilidade social corporativa não são modismos de gestão

Desde que surgiram os temas de responsabilidade social corporativa (RSC) e Desenvolvimento Sustentável (DS) muitas interpretações descoladas da realidade foram feitas. DS foi confundido com pequenas soluções para pequenos agricultores, produtos vinculados ao meio ambiente ou ainda a sustentabilidade financeira do negócio. Com a RSC foi ainda pior: o termo social fez com que fosse confundida com filantropia, doações e assistencialismo. Nada contra filantropia e produtos sustentáveis de pequena escala, mas os conceitos de DS e RSC são muito mais do que isso.

Ambos são similares e têm como base as decisões estratégicas e operacionais das grandes empresas. Trata-se de como as empresas devem analisar seus negócios de maneira mais holística, sempre considerando os aspectos econômicos, ambientais, sociais e humanos na organização. Gosta-ria de frisar "na organização", pois estamos falando dos aspectos do próprio negócio – não de olhar para o outro, mas sim de analisar todos os "stakeholders" diretamente ligados à empresa: acionistas, clientes, fornecedores, comunidade, governo e meio ambiente.

Essa tendência fica clara quando temos hoje, nos Estados Unidos, US$ 1 de cada US$ 8 investido nos chamados SRIs (fundos que têm "screening" de investimento ambiental, social e/ou ético). É por isso que existem indicadores como o Dow Jones Sustainability Index e o FTSE4Good, que medem o desempenho de empresas com as melhores práticas de sustentabilidade – têm desempenho acima dos "índices-mãe", Dow Jones e FTSE.
Hoje, os fundos de pensão ingleses têm de reportar o nível de DS/RSC das empresas em que investem, mostrando tendência clara de que os fundos de pensão, que movem o mundo financeiro mundial, começarão em breve a cobrar das empresas uma atitude mais responsável.

Independentemente da pressão dos mercados, existem diversos cases no Brasil e no mundo que provam que o desempenho das empresas "sustentáveis" é melhor do que o das suas concorrentes. Desde casos que mostram um desempenho positivo devido a novas práticas, como a Native (empresa de açúcar orgânico paulista), a Interface (empresa de serviços de carpete nos Estados Unidos), a britânica The Body Shop e mesmo a Shell e a BP, pioneiras na sua recolocação como empresa de energia, até casos mais óbvios de empresas que desprezaram os conceitos incluídos em DS/RSC e pagaram ou vêm pagando caro por isso, como Cataguases, Enron, WorldComm, Union Carbide e outras empresas químicas dos EUA com passivo ambiental tão alto que só mantêm suas fábricas abertas por não ter como arcar com o custo do fechamento, ou mesmo empresas petrolíferas que tiveram grandes prejuízos devido a grandes acidentes ambientais.

A RSC e o DS não são moda ou ferramentas que vieram para substituir as melhores práticas de gestão, mas sim conceitos fundamentais a serem incorporados à estratégia das organizações que têm objetivo de longo prazo, perpetuando seu objetivo e ajudando a perpetuar o planeta.

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