Novos profissionais, para um novo mercado
- Harley Pinto
- Revista IETEC
Você sabe quais são as funções que um engenheiro de planejamento pode desempenhar? Ou o trabalho que um analista de negócios e da informação realiza? Esses são alguns exemplos de profissões criadas recentemente no Brasil a fim de suprir uma demanda crescente nas mais diversas áreas de atuação.
Se por um lado a taxa de desemprego atingiu baixa recorde em 2010 – 6,7%, ou seja, a melhor da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em 2002 – por outro a preocupação é quase generalizada pela falta de qualificação profissional que assombra o país.
Mesmo em profissões consolidadas, como as engenharias, o cenário não é dos melhores no que se refere ao número, e qualidade, dos profissionais disponíveis no mercado. Muitos especialistas alertam para o déficit de engenheiros que o Brasil pode enfrentar nos próximos anos.
Competitividade
De acordo com pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a produtividade dos trabalhadores da indústria no Brasil é cerca de quatro vezes menor que a produtividade média dos trabalhadores industriais de países considerados competitivos, como Estados Unidos, Suíça, Noruega, Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul, Japão, Holanda, Suécia e Alemanha. De acordo com o levantamento, um trabalhador da indústria brasileira em 2010 produziu o equivalente a US$26.236, enquanto trabalhadores desses países chegaram a produzir US$100.166/ano.
Apesar disso, o Brasil continua atraindo um volume expressivo de investimentos produtivos estrangeiros. O IED (Investimento Estrangeiro Direto) somou em outubro de 2011 US$5,6 bilhões, atingindo o valor recorde de US$56 bilhões no ano.
Escassez de talentos
Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), se a economia do país apresentar um crescimento médio de 3,5% ao ano, o estoque de profissionais não será suficiente para atender a demanda por engenheiros já em 2015. Em abril desse ano, o Ministério da Educação (MEC) iniciou um mapeamento do mercado brasileiro, com o objetivo de identificar as carências por profissionais, seja por região ou área de conhecimento. A primeira parte do projeto, voltada às engenharias, encontra-se em fase final de tabulação.
Para o presidente do IETEC, Ronaldo Gusmão, a principal carência do setor reside na falta de qualificação dos profissionais. “A formação do multiespecialista é premente, deve ser sistêmica e constante. Para dar sustentabilidade há esse crescimento da economia, primeiro temos que trazer para o mercado de trabalho os engenheiros formados há mais tempo, oferecendo a esses uma atualização adequada; formar tecnólogos, e, principalmente, multiespecialistas com muita educação, treinamento, leitura e profundo censo de oportunidade e atitude para aplicar seus conhecimentos no cotidiano das empresas”, analisa.
Segundo a FIESP, até 2009 o número de engenheiros formados no Brasil era equivalente a 7% do total de formandos do país, o que equivale a 2,9 engenheiros para cada 10 mil habitantes. Na China, 36% dos formandos são engenheiros, uma média de 14,4 para cada grupo de 10 mil habitantes. “Com o país em pleno crescimento parece que este problema tende a aumentar. Segundo pesquisa realizada no ano de 2010 com mais de 35 mil empregadores em 36 países, pela consultoria internacional de recursos humanos Manpower, mostra que a escassez de mão-de-obra qualificada no Brasil só não é maior do que a no Japão”, afirma José Ignácio Villela Júnior, coordenador-técnico da área de Gestão e Tecnologia Industrial e diretor de produtos do IETEC.
Outro movimento originado dessa lacuna é a crescente ‘importação de talentos’. A edição de 2011 da Pesquisa de Mobilidade de Mão de Obra do Manpower Group aponta que 14% dos empregadores brasileiros buscam além das fronteiras do país profissionais para lidar com a escassez de talentos. Os profissionais mais demandados são, obviamente, engenheiros, seguidos de executivos sêniores, gerentes, professores e técnicos, principalmente vindos dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Portugal e Espanha.
Para as empresas que recrutam tais profissionais, os maiores obstáculos encontrados se referem a custos (26%), conhecimento sobre os processos de recrutamento (9%), barreiras da língua (9%) e processo de relocação (9%). 36% dos empregadores estão preocupados com o impacto sobre o mercado de trabalho interno dos talentos deixando o Brasil para trabalhar em outro país. Além disso, 82% dos empregadores do Brasil acreditam que o governo e as empresas deveriam agir mais para diminuir a migração de talentos e atrair essas pessoas de volta para o país.
ENGENHEIRO DE PLANEJAMENTO
Não resta dúvida de que um correto planejamento faz toda a diferença quando da implantação de um projeto. O profissional preparado permite, alem de uma melhor organização das demandas, uma economia em diversos pontos durante o andamento da iniciativa. Os potenciais de um trabalho bem organizado, num comparativo com a ausência de tal metodologia, são perceptíveis e totalmente mensuráveis. “Os mais diversos setores da economia já perceberam a necessidade de um gerente para o correto andamento de seus projetos. Especializar-se em planejamento faz com que o profissional se torne ainda mais apto a preencher essas vagas”, afirma João Carlos Araújo da Silva Neto, professor da pós-graduação.
ANALISTA DE NEGÓCIOS E DA INFORMAÇÃO
A coordenadora do curso MBA em Administração de Projetos com ênfase em Análises de Negócios da Informação, Alexandra Hütner, explica que o profissional de análise de negócios, embora possua sua origem na área de TI, há muito deixou de ser uma mera interface do setor com o restante da empresa. “Ele é cada dia mais estratégico, possuindo uma visão ampla do negócio da empresa, dos seus processos e métodos de trabalho”, enfatiza.
GESTOR DE PROJETOS NA CONSTRUÇÃO E MONTAGEM
O aquecimento do mercado imobiliário vivido pelo Brasil nos últimos anos se reflete em diversos campos da economia e fez nascer uma demanda até então reprimida: a necessidade de um profissional que saiba gerenciar os processos de construção e montagem, de forma integrada e orientada para os objetivos empresariais.
Para o coordenador do curso, Ítalo Coutinho, a demanda por esse tipo de profissional é grande, já que o mesmo atua em um campo carente de qualificação, que é o planejamento, execução e/ou controle de obras e projetos de construção e montagem.
ENGENHEIRO DE LOGÍSTICA
O engenheiro de logística desenha processos de logística, tecnologia, e/ou infra-estrutura para dar suporte ao gerenciamento de produtos eficiente e rentável, a partir de sua concepção na prancheta de desenho até a produção, distribuição e ciclo de vida útil. Desenvolve recomendações a respeito de assuntos como, por exemplo, o controle de tempo de atividades, local de operações e os fatores ambientais e humanos que afetam o desempenho da logística.
ENGENHEIRO DE SOFTWARE
Para o professor Fernando Zaidan, coordenador do curso, poucos campos na área de tecnologia da informação precisa tanto de investimentos como a engenharia de software. A demanda por mão de obra preparada é enorme, pois utiliza do conhecimento intensivo e envolve muitas pessoas trabalhando em diferentes fases ou atividades. E complementa que “O engenheiro de software, além de lidar com um conjunto de métodos, métricas, técnicas e ferramentas, para analisar, gerenciar e dar manutenção no desenvolvimento de sistemas, é um profissional que acompanha o progresso tecnológico, entendendo-o profundamente, com as inovações de grau de consistência variável que o mercado sempre apresenta, adicionando a competência gerencial de cuidar do crítico processo estratégico que é o desenvolvimento de software”.
ENGENHEIRO DE CUSTOS E ORÇAMENTO
Ramo da engenharia voltado à questões que envolvem os custos de uma obra ou serviço, o engenheiro de custos e orçamentos trabalha, entre outras questões, aspectos minuciosos da elaboração de orçamentos.
Atuando desde a concepção do empreendimento, verifica sua viabilidade técnico-econômica, realizando análises, diagnósticos, prognósticos, enfim, a necessária síntese quanto ao que há de ser o projeto.
ENGENHEIRO DE SUPRIMENTOS
O profissional da área aprimora os processos ligados a suprimentos nas empresas, a partir de abordagens sistêmicas e integradas, usando técnicas que visam o mapeamento e melhoria dos processos. O profissional atua direta ou indiretamente nos processos da área de suprimentos (Planejamento e Controle de Estoques, Compras, Recebimento e Armazenagem, Melhoria de Processos), comprometidos com o aumento da produtividade, lucratividade e competitividade de suas empresas.