Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Inovação e Criatividade

Infraestrutura tecnológica na Copa de 2014

Cezar Taurion

Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil

Megaeventos esportivos como a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas no Rio de Janeiro, em 2016, demandarão uma pesada infraestrutura de tecnologias de informação e comunicação (TIC). Em 2014, o maior evento midiático do planeta terá o desafio de transmitir a partir das cidades brasileiras som e imagem em alta definição para televisores, computadores e dispositivos móveis espalhados por todo o mundo. Como a evolução tecnológica é muito rápida, fica até dificil prever que tipo de aparelho ou tecnologia estará na moda em 2014 e 2016. O último Mundial, na África do Sul, bateu recordes de audiência de notícias na Web e apresentou novas formas de acompanhamento dos jogos. O Twitter foi uma das grandes sensações da Copa: durante os jogos, era comum ver as pessoas comentando e apontando links via Twitter. O termo #worldcup ocupou lugar cativo no ranking e os nomes das seleções chegavam, durante as partidas, no Top 10. Enquanto a média de mensagens por segundo no Twitter é de 750, na Copa chegou a 3283, quando do gol do Japão contra a Dinamarca.

 Uma rápida passagem pelos mundiais anteriores mostra como é difícil prever as novidades tecnológicas do próximo. Se voltarmos à Copa de 1950, apenas 200.000 pessoas viram o jogo final que o Brasil perdeu para o Uruguai. Não havia transmissão ao vivo pela TV e as únicas testemunhas visuais da “tragédia” eram as pessoas que estavam no estádio. Em 1970, a transmissão era em preto e branco. Já a Copa de 1994 foi á última sem a Web.

Em 1998, a conexão padrão era via modems de 56k e as pessoas conversavam pelo ICQ. O Hotmail era recente (1996) e o Google só existiria após a Copa (a sua data oficial de criação é setembro de 1998).
Em 2002, os blogs estavam no auge. O ICQ tinha sido substituído pelo MSN e o Skype só apareceria no ano seguinte. A Copa de 2002 viu a estréia do Wi-Fi nos estádios, o que permitiu que uma foto de um gol tirada em campo fosse para a Internet em menos de dois minutos. Em 2006, já tínhamos redes sociais como o Facebook e o Orkut (ambos criados em 2004) e o YouTube, recém lançado em 2005. Em 2006, também surge o Twitter, que só explodiria três anos depois. A Copa de 2006 inaugurou a convergência das mídias eletrônicas, como rádio, TV, Internet e um pouco de telefonia móvel. Foi também o primeiro totalmente gerado com imagens de alta definição.

Em 2010, a Internet não estava apenas em computadores, mas nos smartphones (iPhone, que apareceu em 2007) e iPad. O Facebook já alcançou 500 milhões de usuários (se fosse um país, seria o terceiro do mundo em população, perdendo apenas para China e Índia). Percebe-se como a transmissão ao vivo pela Internet é uma realidade quando países como EUA oferecem velocidade média de 7,5 Mbps e Coréia do Sul chega à casa dos 30 Mbps. A Copa de 2010 também foi a primeira onde a TV não mais pautava as notícias; essa função ficou com a Internet.

E em 2014? Podemos, com certeza, pensar em uma televisão de alta definição, interativa, com integração com as redes sociais. O Facebook deverá ter pelo menos um bilhão de usuários. Mas também será a vez da mobilidade. Já nas Olimpíadas de Londres, a ser realizada em 2012, a mobilidade será a tecnologia da vez - tanto que o evento está sendo chamado de “The Mobile Games”. Em 2014, as atuais redes 3G provavelmente já estarão ultrapassadas tecnologicamente e os turistas poderão chegar aqui com dispositivos 4G, com altíssima velocidade de transmissão.
 
 O fato é que esta pesada infraestrutura de TIC terá que suportar o tráfego de conteúdo multimídia em banda realmente larga e dar vazão à imensa base de usuários conectados via redes sociais, que estarão compartilhando informações, vídeos e mensagens. Para suportar todo este aparato tecnológico, uma massiva rede de computadores atuando no modelo de computação em nuvem deverá estar operando na retaguarda. Este modelo é mais adequado, pois existe um pico de demanda no período dos jogos, caindo dramaticamente após seu encerramento.

Os desafios são imensos. Um deles é o suporte ao crescimento das redes móveis de alta velocidade. Em 2014 e 2016 já veremos turistas  desembarcando por aqui com smartphones demandando velocidades que não temos hoje. O número de pessoas conectadas via dispositivos móveis será muito maior em 2014 que hoje. Segundo a Fifa, em 2006 a Copa teve uma audiência acumulada de 23,6 bilhões de pessoas. Em 2014, estima-se que além das TVs de alta definição e capacidade interativa, deverá haver em todo o mundo cerca de 2,25 bilhões de computadores e mais de seis bilhões de celulares. Alguns estudos apontam que o crescimento da banda larga no mundo será de 176% entre 2007 e 2012. A Internet é, portanto, um ponto crítico que deverá ser visto com toda atenção, para garantir que os serviços de mídia sejam entregues em todo o mundo com padrão internacional.

Temos um longo caminho a percorrer. Hoje, são cerca de onze milhões de assinantes banda larga no país, com uma densidade de apenas seis conexões velozes para cada grupo de 100 habitantes. Em países desenvolvidos, a média está acima dos 25 para cada 100 habitantes. Nossa banda larga é uma das piores do mundo, sendo cara, lenta e mal distribuída. Em um ranking de 42 países, ficamos em 38º lugar. Nas cidades-sede existem ainda gargalos como Manaus e Cuiabá. Manaus, por exemplo, não tem opções de rota alternativa, caso ocorra algum problema na rede.

Para atender aos mega-eventos, os investimentos em infraestrutura de comunicações deverão ser bem elevados. A demanda em cima da infraestrutura de voz, dados e imagem é muito grande. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, houve um pico de 220.000 chamadas simultâneas na abertura do evento. Para efeito de comparação, em São Paulo ocorrem hoje entre 60 e 80 mil chamadas simultâneas. Claro que haverá uma demanda imensa no período dos jogos, voltando à normalidade logo após. Os estádios precisarão de redes de fibra óticas para conexão com o centro de mídia (International Broadcast Center).

Mas, a infraestrutura a ser pensada e instalada vai além dos estádios. Como teremos uma Copa baseada em tecnologias de mobilidade (100% das pessoas deverão ter dispositivos móveis), várias questões devem ser resolvidas, como o custo do roaming, que deve ser transparente aos turistas (ou a um custo fixo durante os eventos) e o uso de celulares para prover diversos serviços, como compra de ingressos e passagens de transporte público. Os sistemas de apoio a transações eletrônicas bancárias e comerciais também deverão estar preparadas para um pico de uso no periodo dos jogos. As imensas oportunidades geradas pela combinação de tecnologias de mobilidade, GPS e mapeamento podem prover aos turistas e torcedores diversas e úteis funcionalidades, inclusive provendo mensagens de alertas e emergência em tempo real. 

As obras para a Copa e as Olimpíadas devem se transformar em um legado positivo para o país. Existem muitos casos de desperdício neste quesito, que devem ser evitados. Na Grécia, varias obras desnecessárias pós-jogos se tornaram elefantes brancos. No Rio de Janeiro, no Pan de 2007, tivemos muito desperdício pelo não aproveitamento das obras legadas. Por outro lado, em Barcelona, após os Jogos Olímpicos de 1992, a infraestrutura instalada foi usada para promover a criação de empresas multimídia, já que haveria folga para o tráfego de imagens e vídeos.

Para atender aos requisitos de uma Copa altamente tecnológica, a integração de novas tecnologias e sua integração com as infraestruturas atuais, em um cenário de grande abrangência geográfica (12 cidades sede espalhadas por um país continental chamado Brasil), este trabalho de identificação de novas tecnologias e sua aplicação deveria ser coordenado de forma centralizada. É importante garantir que os turistas tenham as mesmas experiências tecnológicas em todas as cidades-sede.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo