Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

Construção

Ecoeficiência para desenvolvimento de construções sustentáveis

Vinícius Barbosa de Assis | Ana Paula Colombini

Diretor de Meio Ambiente do Solar da Lagoa Eica | Engenheira Civil, ambos ex-alunos da pós-graduação em Engenharia Ambiental Integrada

 

RESUMO

Por causa do crescente desenvolvimento urbano e consequentemente aumento numérico substancial das edificações e demais obras de engenharia, a consciência quanto à finitude dos recursos ambientais e de sua degradação têm despertado preocupações consideráveis. A questão ambiental somada à gestão empresarial é vista hoje como necessidade para a sobrevivência dentro de um mercado competitivo, cujos consumidores tendem gradativamente a escolher produtos de mesma eficácia que os tradicionais, porém com responsabilidade para com o planeta e seus ecossistemas. Dessa forma, propõe-se critérios de planejamento de empreendimentos voltados para a construção sustentável com base na ecoeficiência, promovendo a conscientização dos gestores para um resultado positivo sob o ponto de vista econômico, ambiental, social e tecnológico.

PALAVRAS CHAVE: Bioarquitetura, Construções Sustentáveis, Ecoprodutos, Ecoeficiência.

INTRODUÇÃO


A habitação com qualidade é uma necessidade que deve ser satisfeita sem comprometimento dos ecossistemas existentes, levando as empresas a assumirem uma postura ética com relação às origens dos materiais empregados, a forma de sua utilização e o seu reaproveitamento ou reciclagem. Desse modo reduz-se a proporção de resíduos gerados, melhorando a qualidade de vida dos usuários, sem comprometer o meio ambiente no qual o empreendimento estiver inserido.

Atualmente há um crescente interesse na redução de impactos ambientais associados ao setor da construção civil, seja na extração de matéria prima, na fase de beneficiamento e fabricação de componentes para a construção, no uso de materiais reaproveitados e reciclados e até mesmo, na demolição da mesma.

A construção sustentável propõe a interdisciplinaridade crescente de três macro temas que compõe o chamado “triple botton line”, ou seja, os aspectos ambientais, sociais e econômicos de um determinado empreendimento. A utilização dessa nova visão de sustentabilidade permite ao gestor tornar-se um comandante dos processos, melhorando de forma significativa a qualidade de seus empreendimentos, tanto ao nível social e econômico quanto ambiental.

Uma estrutura ambientalmente sustentável é aquela que se preocupa com todos os processos contidos no erguimento da obra e também no seu entorno. Preocupando-se com a qualidade de vida tanto dentro quanto no exterior, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, levando também em consideração os aspectos sociais. A construção sustentável eficiente esta correlacionada à sinergia do todo.

Atualmente o modelo mais utilizado para as construções sustentáveis é o da ecoficiência, onde além de permitir uma real adequação das atividades humanas e do meio ambiente, seja ele interno ou no entorno do empreendimento, tornou-se uma ferramenta estratégica para a competitividade no meio empreendedor. O cuidado ambiental, assim como a sua adequação à legislação vigente se tornou uma preocupação crescente e que proporcionará um caminho mais seguro para se obter um padrão de desenvolvimento de métodos e técnicas de produção mais limpa.

A ecoeficiência é alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos, que satisfaçam as necessidades humanas por meio de uma boa qualidade de vida, promovendo ao mesmo tempo a redução progressiva dos impactos ambientais e do consumo de recursos de forma inteligente, eficaz e duradoura. A sinergia dos aspectos econômicos, sociais e ambientais permeia a sustentabilidade em todas as formas de sua aplicação, seja na esfera governamental, na sociedade civil ou na seara empresarial.

OBJETIVO

Este trabalho tem o objetivo de contribuir para a melhoria na  qualidade de vida por meio da sustentabilidade ambiental, apresentando propostas que visem a integração da construção civil no ambiente ao qual ela esta inserida, por meio dos princípios da ecoeficiência nas obras de engenharia.

METODOLOGIA

Utilizou-se para a confecção deste estudo, diversas pesquisas em periódicos científicos, na busca por modelos eficientes de ecoeficiência e de construções ambientalmente sustentáveis.

Os trabalhos encontrados foram avaliados quanto à sua eficiência ambiental e seu custo/benefício. Aqueles que apresentaram os melhores modelos foram incorporados a este estudo como proposta para a utilização em diferentes tipos de obras de engenharia sustentáveis.

A metodologia adotada para a definição da ecoeficiência como ferramenta destinada ao desenvolvimento de construções sustentáveis consiste num híbrido das informações teóricas resultantes do levantamento bibliográfico e da consulta e análise da eficiência e economia na utilização de ecoprodutos e ecomateriais.

Técnicas ecológicas que visem a adequação dos projetos ás novidades tecnológicas que, em sua maioria, trazem além de soluções ambientais, também retorno financeiro, foram temas desse estudo. Todas se basearam nos conceitos da ecoeficiência para a construção ou implementação de empreendimentos já executados.

RESULTADOS

A caracterização da sustentabilidade de uma construção vem do processo na qual ela foi projetada, executada e na somatória das técnicas utilizadas em relação ao seu local de instalação e ao entorno do mesmo. Desse modo podem-se comparar projetos e afirmar o grau de sustentabilidade de cada construção. Por ser sistêmica, a construção para ser sustentável deve ser elaborada em um contexto onde, o entorno é tão importante quanto o que ocorre nas dependências internas.

Quando um empreendimento respeita as normas ambientais, usa materiais adequados, mas não trabalha as necessidades sócio-ambientais das áreas do seu entorno, ele não estará sendo completamente sustentável. Não existe nenhuma obrigatoriedade ao cumprimento de todos os requisitos técnicos para se determinar uma construção sustentável. Na verdade, as diretrizes são uma forma de nortear aqueles que pretendem construir baseados em uma forma ambientalmente mais responsável.

As construções ecoeficientes empregam as técnicas da arquitetura bioecológica (ou bioarquitetura) e são, antes de tudo, intervenções conscientes e planejadas. Buscam satisfazer as necessidades humanas, ajustando-as às condições naturais locais, empregando de forma sustentável os recursos, gerenciado a sua procedência, seu uso, o destino dos resíduos gerados, sua reciclagem, e finalmente, buscando sempre preservá-los para as gerações futuras.

Como embasamento da proposição de soluções para os problemas que a própria construção criará, deve-se buscar desde o primeiro momento – na fase de planejamento – analisar o contexto global do local onde se pretende inserir o novo empreendimento. Considerando-se as condições naturais (vegetação, relevo, condições climáticas), a disponibilidade de recursos materiais e humanos e as técnicas que melhor se ajustam a cada caso. Desta forma têm-se empreendimentos que são realizados com impactos ambientais mitigados, com menor consumo energético e hidráulico, mais confortáveis e saudáveis para seus moradores e usuários, ou seja, são construções viáveis ambientalmente, economicamente e socialmente.

Em linhas gerais, pode-se dizer que as construções sustentáveis devem basear-se em:

•    Redução do impacto da obra e da operação das edificações, contemplando para isso o total planejamento, o uso racional dos recursos, o uso de técnicas e materiais menos degradantes e com maior durabilidade;

•    Contemplação das necessidades dos moradores e usuários, adequando-as às condições do meio ambiente local, promovendo a saúde e bem estar do ser humano;

•    Envolvimento da sociedade, com o emprego de materiais, técnicas e mão de obra locais;

•    Utilização das construções sustentáveis como instrumento de educação ambiental e melhoria da consciência ambiental dos envolvidos;

•    Os aspectos contemplados nas construções sustentáveis são:

•    Planejamento da obra;

•    Consideração das necessidades dos moradores e/ou usuários;

•    Análise e consideração das condições locais, abordando aspectos naturais, como vegetação, relevo e condição climática (chuva, sol e vento);

•    Análise e consideração das condições socioeconômicas locais;

•    Contemplação da boa relação com a comunidade do entorno da obra;

•    Utilização de mão de obra e materiais locais;

•    Treinamento e conscientização dos operários, demonstrando-lhes sua responsabilidade na minimização dos impactos da obra;

•    Aplicação de gestão de resíduos sólidos na obra, baseada nos princípios dos 3 R’s (redução, reutilização e reciclagem);

•    Uso racional dos recursos e materiais;

•    Emprego de técnicas e materiais que possibilitem a redução do consumo energético (como aquecedores solares) e hidráulico (como descargas e torneiras mais eficientes).

•    Uso de Madeira certificada, por contemplarem aspectos ambientais desde seu plantio até o fornecimento ao consumidor;

•    Priorização do uso de materiais não tóxicos, não nocivos ao ser humano e à natureza;

•    Utilização de ecoprodutos, materiais com baixo impacto ambiental - ecomateriais;

•    Emprego de técnicas capazes de manter a boa qualidade do ar e o conforto térmico-acústico dos ambientes;

•    Captação e utilização da água da chuva;

•    Tratamento individual de esgoto;

•    Tratamento e reuso da água;

•    Escolha minuciosa de todos os materiais a serem utilizados;

•    Reutilização de portas, janelas, pisos e outros materiais provenientes de demolições;

•    Utilização de técnicas construtivas com o uso de materiais como tijolos em solo cimento, adobe e bambu;

•    Uso de energias renováveis para produção de energia elétrica, como solar fotovoltaica e eólica;

•    Uso de telhado jardim, por serem ótimos isolantes térmicos.

•    Possuem benefícios econômicos, com o retorno de US$ 15,00 em 20 anos para cada US$ 1,00 investido na construção de edifícios sustentáveis, melhoria na qualidade de vida, saúde e produção dos moradores e usuários e a preservação ambiental.

ARQUITETURA BIOECOLÓGICA

Uma arquitetura bioecológica é aquela sustentável e deve, fundamentalmente, levar em conta o espaço na qual será implantada. Os aspectos naturais são de extrema importância para se projetar com estes fins. Se respeitadas, as condições geográficas, meteorológicas, topográficas, aliadas às questões sociais, econômicas e culturais do lugar é que definirão o quão sustentável a construção será. Assim, algumas soluções aplicadas a uma construção no campo podem não ser sustentáveis em outra na cidade e vice versa.

Uma construção sustentável deve respeitar e aproveitar o que cada tipo de clima oferece no local ao qual está inserida.

TÉCNICAS ECOLÓGICAS

As construções sustentáveis não devem ser pensadas como modelos prontos, mas como um novo sistema para se repensar as construções em um contexto mais amplo, interdisciplinar, sistêmico, que protejam o meio ambiente, intervindo de forma ecológica, deixando às futuras gerações os mesmos recursos que dispomos hoje e, por vezes, recuperando o que já foi perdido.

Uma construção sustentável prevê algumas diretrizes para o empreendimento se tornar auto-suficiente. Quanto mais ele se provier de sua própria energia, sua água e do correto tratamento de seus resíduos, estará contribuindo para um contexto de menos desperdício e maior racionalidade. Assim algumas técnicas aliadas a novas tecnologias podem ajudar a preencher os requisitos de uma arquitetura mais sustentável.

Como já dito, a construção civil é uma das atividades que mais impacta o meio ambiente. Seja pela produção, extração e/ou transporte das matérias-primas, a energia gasta e os resíduos que se perdem pelo meio do processo são altamente desproporcionais ao consumo real do material

O desperdício na construção civil colabora com o aumento dos entulhos e lixões, muitas vezes localizados em espaços onde os ecossistemas são mais frágeis.

Um empreendimento sustentável deve atender a um planejamento rigoroso sobre o manejo do que entra e sai durante a seu planejamento, construção e, principalmente, no cotidiano de seu funcionamento.

Além disso, os materiais que entram e os resíduos que saem devem ser acompanhados desde o fornecedor dos mesmos, até o destino final após a sua entrega ao receptor.

Prioriza-se a certificação no momento da aquisição do material da sua origem e legalidade, evitando a obtenção de produtos oriundos de fornecedores irresponsáveis ambientalmente. De igual importância é a verificação do lugar de destino dos resíduos, quando é necessário estar ciente das formas de reaproveitamento, reciclagem e descarte como também a sustentabilidade dos seus locais de destino.

Atualmente empresas de demolição já recebem incentivos do governo federal para atenderem e comercializar entulhos de demolições. A maioria dos materiais presentes nestas obras podem e devem ser reaproveitados.

Felizmente, vários setores da construção civil já estão se organizando e constatando o valor da reciclagem. Produzir, por meio de materiais que podem ser reciclados, em muitos casos, é mais barato do que comprar a matéria prima.

É importante a certeza da quantidade necessária de material para a sua realização da obra proposta. Se for muito, reduza. Se for pouco, reutilize. Se sobrar, recicle.

EXEMPLOS DE PROTÓTIPOS DE CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS OU ECOLOGICAMENTE CORRETAS
 

Obviamente como foi dito antes, os esquemas apresentados são somente algumas das inúmeras possibilidades de como uma casa pode ser. A forma, as técnicas e materiais podem e devem ser combinados da melhor maneira que convier. Mais uma vez, uma construção sustentável não tem receita pronta, apenas diretrizes a serem levadas em consideração na hora de projetar.

CONCLUSÕES

Dentre os campos do desenvolvimento da economia, o setor da construção civil é considerado o maior gerador de impacto ambiental e um dos mais conservadores para a implantação de novas tecnologias, tanto no Brasil como no mundo. Esse fato é comprovado pelas diversas dificuldades encontradas para a aceitação de novas propostas, métodos e materiais, mesmo aqueles que produzam lucro igual ou superior aos obtidos pelas metodologias tradicionais.

A atual pesquisa permite concluir que a construção sustentável é uma prática viável, tanto economicamente como ambientalmente. Para tal é necessário adequar a realidade financeira do futuro empreendimento às propostas de sustentabilidade, ou seja, é fundamental que durante o inicio dos projetos de engenharia, se faça um estudo da viabilidade econômica da obra.

Por meio da análise dos resultados obtidos nota-se a importância e benefícios das construções sustentáveis. As diversas utilizações da arquitetura bioecológica incrementam e embasam a necessidade de conscientização destinada à análise de modelos para uma construção melhor ao curto, médio e longo prazo.

Os maiores custos neste modelo de construção são financeiros, sendo a maioria relacionados às tecnologias sustentáveis que aplicam os conceitos da ecoeficiência. A determinação de fornecedores certificados ecologicamente, o uso e descarte responsável dos materiais, a conservação da água, da energia, dos itens de construção e de acabamento e o treinamento da mão-de-obra para atuar nesta tecnologia necessitam de um planejamento muito bem feito antes do inicio da obra, para que se obtenha o melhor custo-benefício em cada etapa do processo.

Este estudo aponta para a inexistência de um modelo único de construção sustentável. Cada empreendimento possui características próprias onde é preciso avaliar uma série de interfaces como o objetivo do projeto, o seu local de implantação, o solo, o clima, a umidade relativa do ar, o deslocamento do sol, materiais disponíveis na região e o ecossistema no qual estará inserido.

A construção sustentável não é um modelo para solucionar problemas pontuais. Ela é um novo conceito baseado na ecoeficiencia, com o objetivo de apresentar soluções práticas, econômicas e com responsabilidade social e ambiental, tanto para o empreendimento, como para o seu entorno. Trata-se de um enfoque integrado da própria atividade, de uma abordagem sistêmica e dinâmica em busca de um novo paradigma: o de intervir no meio ambiente, preservando-o e gerando harmonia com o entorno.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES Carlos Eduardo Teobaldo; QUELHAS Osvaldo L. G. A Ecoeficiência e o Ecodesign na Indústria da Construção Civil. Uma Abordagem à Prática do Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Resíduos com uma Visão de Negócios.

AGNER Thompson Copperfield Von. Eco-Eficiência Baseada nos Princípios da Produção Mais Limpa

FURTADO João S. Administração da Eco-Eficiência em Empresas no Brasil: Perspectivas e Necessidades

FLORIM Leila C.; QUELHAS Osvaldo Luiz G. Contribuição para a Construção Sustentável: Características de um Projeto Habitacional Ecoeficiente

JR Eloy Fassi. Casagrande Princípios e Parâmetros para a Construção Sustentável

NETO José da Costa Marques. Gestão dos Resíduos de Construção e Demolição no Brasil. 2005.

RESOLUÇÃO CONAMA nº 307, de 5 de julho de 2002

SCHERER Martha Pacheco; POLEDNA Silvia R. Caballero. Marketing Verde: Um Instrumento de Competitividade ou de Sobrevivência?

http://www.ambiencia.org/site/

http://www.anabbrasil.org/index.asp

http://ambiente.hsw.uol.com.br
 

 

Saiba mais sobre o curso de pós-graduação em Engenharia Ambiental Integrada, clicando aqui.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo