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:: Gestão e Tecnologia Industrial

Logística: Uma Visão Geral e a Importância do Controle de Estoques

Zózimo Elias Eler

Gerente Financeiro da Denso Máquinas Rotantes do Brasil Ltda
Ex-aluno da pós-graduação em Gestão de Custos do Ietec

RESUMO

No cenário econômico atual, marcado pela globalização e pela alta competitividade em que vivemos, toda área de uma determinada organização tem a sua importância, pois não pode haver nenhum desperdício ou perda financeira. Há, porém uma área que, devido ao seu amplo campo de atuação, tanto interno quanto externo à organização, destaca-se por sua relevância. Esta área ou departamento é a Logística, que será o foco deste artigo, tendo em vista sua vasta área de abrangência, desde o momento da busca de um determinado componente para a produção até a entrega do produto final acabado, passando pelo controle físico destes insumos ou produtos acabados.

Palavras-Chaves: Logística, Estoque, Controle, Organização.
   
REFERÊNCIAS   

1- INTRODUÇÃO:

Vivemos em um ambiente de grande competição, com a globalização obrigando as organizações a serem cada vez mais ágeis nas tomadas de decisões em seu ramo de atuação.

Esta agilidade só será possível se a organização possuir um sistema interligado de informações interdependentes de seus diversos departamentos, para que o resultado final almejado seja alcançado.

Dentre as diversas áreas da organização, a Logística merece um tratamento diferenciado, considerando a posição estratégica da mesma, e seu amplo relacionamento com demais setores. Faria e Costa (2005), destacam que “é de extrema importância mensurar os fatores logísticos de sucesso que estão vinculados ao plano estratégico da organização, pois o desempenho econômico-financeiro da Logística que está além do nível de custo afeta positivamente o negócio”.

2 – LOGÍSTICA


2.1 – Conceito de Logística

Considerando a importância da Logística em toda organização, torna-se imprescindível conceituá-la.

Ronald H. Ballou (2006) tem a seguinte definição: “Uma definição dicionarizada do termo Logística é a que diz: o ramo da ciência militar que lida com a obtenção, manutenção e transporte de material, pessoal e instalações”.

A origem da palavra vem do grego “LOGISTIKOS, do qual o latim “LOGÍSTICUS” é derivado, ambos significando cálculo e raciocínio no sentido matemático.

Em uma visão mais ampla, temos o seguinte conceito sobre Logística, segundo o Council of Logistic Management (Conselho de Gestão de Logística)

O processo de planejamento, implantação e controle do fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e informações relativas desde o ponto de origem até o consumidor final, com o propósito de atender as exigências dos clientes.(CLM, 1991).

Através destas definições e enfoques, podemos entender porque hoje a Logística é tratada como um assunto estratégico para as empresas, que procuram diminuir o tempo entre compra de insumos, produção de bens e/ou serviços e sua entrega no destino final, de acordo com o desejo do cliente, levando-se em conta menor custo e maior qualidade.

A importância da Logística independe do tamanho da organização, seja uma micro, média ou grande empresa.

Abaixo os seguintes pontos centrais da Logística, segundo Hélio Meirim:

-    Visão integrada e sistêmica de todos os processos da Empresa. A ausência deste conceito faz com que cada área / departamento da empresa pense e trabalhe de forma isolada. Isto gera conflitos internos por poder e faz com que os maiores concorrentes de uma empresa estejam dentro desta mesma organização;

-    Fazer com que as “coisas” (materiais e informações) se movimentem o mais rápido possível, conseguindo assim otimizar os investimentos em ativos (estoques);

-    Enxergar toda a cadeia de suprimentos como parte importante do seu processo. Seus fornecedores, colaboradores, comunidade e clientes são como elos de uma corrente e estão intimamente interligados. Por isso, devemos sempre avaliar se suas necessidades e expectativas estão sendo plenamente atendidas;

-    O planejamento (Estratégico, Tático e Operacional) e a constante Avaliação de Desempenho, por meio de indicadores, são ferramentas gerenciais essenciais para o desenvolvimento de um bom sistema logístico;

-    O uso de sistemas de informação (ERP, WMS, TMS ...) que forneçam suporte as decisões que precisam ser cada vez mais velozes e em um ambiente de incertezas e competição muito grande;

-    O aumento da colaboração entre Fornecedor e Consumidor através do compartilhamento de informações relevantes para o nível de serviço desejado.


A evolução da Logística pode ser considerada conforme a seguir:

a)    Até 1950: Foco da maior parte das empresas era o marketing e as funções logísticas estavam dispersas entre os diversos departamentos desta organização. Os custos com logística não eram claramente evidenciados;

b)    De 1950 a 1960: Começam a aparecer cargos específicos para controlar fluxo de materiais e transportes. Nesta década começam a surgir noções de Custos Logísticos

c)    Entre 1960 e 1970: Custos com transportes ganham destaque nas empresas e começam a serem avaliados;

d)    De 1970 a 1980: Surge a necessidade de integração das diversas áreas das empresas, visando redução de custos; busca de otimização de tempo e espaço, com objetivo de satisfazer o cliente;

e)    A partir de 1980: A Logística assume sua importância, principalmente em função da integração com os parceiros externos da organização. Nasce o conceito de Gestão da Cadeia de Suprimentos, cuja sigla SCM, é originada do Supply Chain Management.

2.2 – Principais Atividades da Logística / Custos Logísticos

Cada organização precisa conhecer o seu custo de Logística. Para que isto ocorra, precisamos conhecer e entender o que compõem Custos Logísiticos. Segundo Instituto dos Contadores Gerenciais – IMA , custos logísticos são:

Os custos de planejar, implementar e controlar todo o inventário de entrada, em processo e de saída, desde o ponto de origem até o ponto de consumo (IMA -1992).

Copacino (1997) afirma que o conceito de custo total é baseado no inter-relacionamento dos custos de abastecimento, produção e distribuição, cujo objetivo é a minimização dos custos com transportes, armazenagem e movimentação de materiais/produtos, embalagem, manutenção de inventário, tecnologia de informações e tributos.

Com base nestes conceitos, devemos considerar que o custeio logístico deve ser reflexo do fluxo real de materiais, desde o momento de sua aquisição, considerando sua entrada na planta fabril, seu processamento em produto acabado e terminando na entrega final ao cliente.

Dentre as principais atividades, o transporte da mercadoria/produto destaca-se; porém, em determinadas organizações, as atividades da Logística compreendem: Estratégia de compra, transporte, armazenagem, gerenciamento de materiais, serviços aos clientes, ordens de processamento, planejamento de produção, processamento de pedidos.

2.3 – Controle de Materiais

Toda organização precisa de um sistema de informações confiável. Estas informações que estão registradas em sistemas ou livros apropriados, são inseridas nos mecanismos de controle, visando manter a veracidade dos registros e base para uma tomada de decisão respaldada em dados corretos.

A principal  fonte de informações para registro de materiais em uma organização é o Departamento de Logística, que é a área responsável pelo levantamento das necessidades de cada insumo necessário à produção, até a entrega final do produto acabado. Esta necessidade é baseada no consumo mínimo necessário à produção de cada peça ou produto, tendo em vista um levantamento prévio já feito, normalmente alimentado pela engenharia.

A importância do estoque é mensurada conforme citação de Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke:

Os estoques representam um dos ativos mais importantes do capital circulante e da posição financeira da maioria das companhias industriais e comerciais. Sua correta determinação no início e no fim do período contábil é essencial para uma apuração adequada do lucro líquido do exercício. Os estoques estão intimamente ligados às principais áreas de operação dessas companhias e envolvem problemas de administração, controle, contabilização e principalmente de avaliação.(Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. Ed. Atlas, 2000, p.101).

Para dimensionar ainda mais a importância de um bom controle de estoque, Ross et al (2000) fez a seguinte afirmação: “Numa empresa industrial típica, os estoques podem muito bem superar o nível de 15% dos ativos”.

A Logística, como departamento ou setor de uma organização, está vinculado, normalmente, à Direção Industrial; porém, ao considerarmos a importância da Administração de Estoque, temos que também colocá-la sob orientação da Controladoria.

Considerando este valor representativo e, segundo Poueri (2007, p.191), dentre as funções do Controller, está a análise de processos, onde este irá “coordenar a revisão e avaliação, periodicamente, dos principais processos da empresa, buscando manter o custo-benefício e a eficiência”.

A Logística interna da organização deve obedecer aos procedimentos previamente implantados, visando melhorar a cada dia o controle interno. “Dentre estes controles internos, a Acuracidade de Estoque é um indicador de qualidade e confiabilidade da informação existente nos sistemas de controle, contábeis ou não, em relação à existência física dos itens controlados”. Cezar Sucupira e Cristina Pedreira (2008).

A Acuracidade de Estoque é calculada conforme fórmula abaixo:

Outro indicador utilizado para verificar a confiabilidade no controle de estoque é o índice de divergência, que é calculado conforme fórmula abaixo:

3– EXEMPLOS

3.1  Exemplo de Logística aplicada na guerra

Alexandre foi o primeiro a empregar uma equipe especialmente treinada de engenheiros e contramestres, além da cavalaria e infantaria. Esses primitivos engenheiros desempenharam um papel importante para o sucesso de Alexandre o Grande, pois tinham a missão de estudar como reduzir a resistência das cidades que seriam atacadas. Os contramestres, por sua vez, operacionalizavam o melhor sistema logístico existente naquela época. Eles seguiam à frente dos exércitos com a missão de comprar todos os suprimentos necessários e de montar armazéns avançados no trajeto. Aqueles que cooperavam eram poupados e posteriormente recompensados; aqueles que resistiam, eram assassinados. O exército de Alexandre o Grande consumia diariamente cerca de 100 toneladas de alimentos e 300.000 litros de água.

  O exército de 35.000 homens de Alexandre o Grande não podia carregar mais do que 10 dias de suprimentos, mas mesmo assim, suas tropas marcharam milhares de quilômetros, a uma média de 32 quilômetros por dia.  Seu exército percorreu 6.400 quilômetros, na marcha do Egito à Pérsia e Índia, a marcha mais longa da história. Outros exércitos se deslocavam a uma média de 16 ou 17 quilômetros por dia, pois dependiam do carro de boi, que fazia o transporte dos alimentos. Um carro de boi se deslocava a aproximadamente 3,5 quilômetros por hora, durante 5 horas até que os animais se esgotassem. Cavalos moviam-se a 6 ou 7 quilômetros por hora, durante 8 horas por dia. Eram necessários 5 cavalos para transportar a mesma carga que um carro de boi.

3.2  Exemplo de Logística aplicada em uma Empresa

Na empresa Xerox, os gerentes de marketing, fabricação e desenvolvimento passaram a serem avaliados pelo valor total da cadeia de suprimentos, como uma percentagem das receitas e satisfação dos clientes. Com esta mudança, a Companhia obteve uma redução nos estoques em $700 milhões e redução do custo logístico em $100 milhões. Em entrevista à revista Fortune, Paul Allaire, diretor presidente, comentou que, com esta mudança e criação de um grupo de coordenação, cuja visão abrange toda a cadeia, houve um corte de custos de estoques em $ 200 milhões por ano.

4 – CONCLUSÃO:

Considerando a importância da Logística na atualidade e sua grande importância em termos de impacto de resultado nas organizações, acreditamos que são poucas as empresas que estão dando foque necessário a esta área.

Acreditamos ainda que, apesar de todo investimento em sistemas, estrutura e condições de trabalho, o principal elo de confiabilidade será o usuário, que deverá, através de mudança cultural, adaptar-se e executar toda a sua rotina física com as rotinas exigidas no procedimento. Caso esta questão cultural seja resolvida, boa parte das divergências nos inventários será minimizada.

REFERÊNCIAS

IUDICIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000. 508 p.

MÁRIO, Poueri do Carmo; CARDOSO, Ricardo Lopes; BUSANELLI, André Carlos. Contabilidade Gerencial: Mensuração, Monitoramento e Incentivos. São Paulo: Atlas, 2007. 429 p.

ROSS, Stephen ; WESTERFIELD, Randolph; JORDAN, Bradfor. Princípios de Administração Financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. 523 p.

FARIA, Ana Cristina, COSTA, Maria de Fátima Gameiro. Gestão de Custos logísticos. São Paulo: Atlas, 2005. 431 p.

CRISTOPHER, Martin. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002. 236 p.

 

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