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Gestão e Tecnologia Industrial

A Importância da Gestão de Estoques

Érica Carvalhais de Azevedo, Graduada em Administração de empresas /  Gerente de Compras da Condor Equipamentos Industriais Ltda

Júlio Cezar de Souza, Graduado em Administração de empresas / Supervisor de Suprimentos da Sotreq S/A

Ex-alunos da pós-graduação em Gestão da Logística

Introdução

Atualmente, muito se fala sobre custos logísticos, gerenciamento da cadeia de suprimentos, bem como gestão de estoques.

Muitas empresas buscam manter estoques mínimos para tentarem obter vantagem competitiva no mercado. Com os baixos valores agregados aos estoques, elas conseguem ter a oportunidade de investir o capital ao invés de deixá-lo ocioso em forma de estoques. Mas, será que essa é a melhor solução? Outros pontos devem ser analisados, como por exemplo, a variação da demanda. Se a empresa não possui o estoque para atendimento imediato ao seu cliente, ela gera a oportunidade para que o mesmo busque seus concorrentes, correndo riscos de perdê-los. Ou então, se ela não cumpre os prazos, seja por falta de matéria-prima devido à um atraso do fornecedor, a empresa terá sua imagem denegrida junto ao mercado e, para conseguir restabelecê-la acarretará em grandes custos. Daí a necessidade de se estudar uma melhor forma para manter um estoque de segurança.

Estes dois pontos devem ser ponderados (manter ou não manter estoques). Esse artigo tem como objetivo demonstrar algumas vantagens e custos para manutenção dos estoques, além de descrever brevemente suas funções, tipos e como fazer um planejamento adequado.

Palavras-Chave: Gestão de estoques, Custos dos Estoques e Classificação ABC

Definição e Tipos de Estoques

Pode-se considerar estoque tendo matérias-primas, produtos semi-acabados, componentes para montagem, sobressalentes, produtos acabados, materiais administrativos e suprimentos variados, que podem ser para utilização posterior, permitindo o atendimento regular das necessidades dos usuários para continuidade das atividades da empresa considerando que este estoque foi gerando pela impossibilidade de prever-se a demanda exata, ou então como uma reserva para ser utilizada em tempo oportuno.

Porém, os estoques representam boa parte dos ativos da empresa, em alguns casos podendo representar aproximadamente 46% dos ativos totais. Então pode-se considerar que “os estoques são recursos ociosos que possuem valor econômico, os quais representam um investimento destinado a incrementar as atividades de produção e servir aos clientes” (VIANA, 2000, p.144).

Alguns autores classificam os tipos de estoques conforme quadro abaixo:



Importância e os Custos de Manutenção dos Estoques

A maioria das empresas tem como objetivo o atendimento aos seus clientes na hora certa e com a quantidade certa.

Para obter uma vantagem competitiva duradoura é necessário a rapidez e presteza na distribuição das mercadorias. Nesse sentido, a maioria dos estoques gera algumas vantagens e são importantes para: melhorar o serviço do cliente – dando suporte à área de marketing, que ao criar demanda precisa de material disponível para concretizar vendas; economia de escala – os custos são tipicamente menores quando o produto é fabricado continuamente e em quantidade constantes; proteção de mudanças de preços em tempo de inflação alta – um alto volume de compras minimiza o impacto do aumento de preços pelos fornecedores; proteção contra incertezas na demanda e no tempo de entrega – considera o problema que advém dos sistemas logísticos quando, tanto o comportamento da demanda dos clientes, quanto o tempo de entrega dos fornecedores não são perfeitamente conhecidos, ou seja, para atender os clientes são necessários estoques de segurança e; proteção contra contingências – proteger a empresa contra greves, incêndios, inundações,
instabilidade política e outras variáveis exógenas que podem criar problemas. O risco diminuiria com a manutenção de estoques.

Ideal, seria a inexistência de estoques, a medida que fosse possível atender ao usuário no momento em que ocorressem as demandas. As primeiras causas que exigem estoques permanentes para atendimento imediato do consumo interno e das vendas são as necessidades de continuidade operacional, incerteza da demanda futura ou sua variação ao longo do período de planejamento e, disponibilidade imediata do material nos fornecedores e cumprimento dos prazos de entrega.

Outras razões para existência dos estoques, segundo Viana (2000), são a impossibilidade de se ter os materiais em mãos, na ocasião em que as demandas ocorrem; o benefício obtido em função das variações dos custos unitários (esta razão torna-se altamente significativa em economias inflacionárias, quando a manutenção de elevados estoques de materiais estratégicos poderá, até determinado limite, beneficiar os detentores), a redução da freqüência dos contatos com o mercado externo, que muitas vezes é prejudicial à atuação formal do órgão comprador e a segurança contra os riscos de produção do mercado fornecedor.

“O custo de manutenção de estoque é o custo incorrido para manter o estoque disponível”.(BOWERSOX; CLOSS, 2001, p. 232)

Pozo (2002), considera os três custos abaixo como os mais importantes na formação dos estoques:

1- Custo do pedido: A cada pedido ou requisição emitida, incorrem custos fixos (salário do pessoal envolvido no processo) e variáveis (recursos necessários para concluir o pedido) referentes a esse processo. Esse custo está diretamente determinado com base no volume destes pedidos e requisições.

2- Custo de manutenção de estoque: Incluem custos de armazenamento como altos volumes, demasiados controles, enormes espaços físicos, sistema de armazenamento e movimentação de pessoal alocado, equipamentos e sistemas de informação específicos; custos associados aos impostos e seguros de incêndio e roubo de material alocado; custos sujeitos a perdas, roubos e obsolescência; custo ao capital imobilizado em materiais e bens.

3- Custo por falta de estoque: Esse custo ocorre quando as empresas buscam reduzir ao máximo seus estoques, podendo acarretar no não-cumprimento do prazo de entrega, proporcionando uma multa por atraso ou cancelamento do pedido do cliente. Além disso, a imagem da empresa se desgasta e isso acarreta um custo elevado e difícil de medir.

Fundamentos da Gestão de Estoques e Classificação ABC

O controle de estoque deve ser um procedimento rotineiro, a fim de cumprir uma política de estoques abrangendo as quantidades disponíveis em um local e o acompanhamento de suas variações ao longo do tempo.

Viana (2000) afirma que a gestão dos estoques é um conjunto de atividades que visa atender as necessidades da empresa, com o máximo de eficiência e ao menor custo, através do maior giro possível para o capital investido em materiais, tendo como objetivo fundamental a busca do equilíbrio entre estoques e consumo.

A classificação ABC tem como fundamento principal a diferenciação dos produtos em categorias, onde determinados produtos necessitam de maior (ou menor) controle devido à seu impacto quanto ao preço, demanda (para produção e venda), facilidade de reposição ou competitividade.

Classe A: São os principais itens em estoque de alta prioridade, foco de atenção do gestor de materiais, pois são materiais com maior valor devido à sua importância econômica. Estima-se que 20% dos itens em estoque correspondem a 80% do valor em estoque.

Classe B: Compreendem os itens que ainda são considerados economicamente preciosos, logo após os itens de categoria A, e que recebem cuidados medianos. Estima-se que 30% dos itens em estoque correspondem a 15% do valor em estoque.

Classe C: Não deixam de ser importantes também, pois sua falta pode inviabilizar a continuidade do processo, no entanto o critério estabelece que seu impacto econômico não é dramático, o que possibilita menos esforços. Estima-se que 50% dos itens em estoque correspondem a 5% do valor em estoque.

Termos freqüentes relacionados a estoques

Política de estoques: “normas sobre o que comprar ou produzir, quando atirar e quais as quantidades”. (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.228)

Estoque médio (EM): “quantidade máxima de materiais, componentes, estoque em processo e produtos acabados normalmente mantida em estoque”. (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.229)

Estoque em trânsito: ”estoque que se encontra em viagem ou aguardando transporte já sobre veículos”. (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.229)

Estoque real (ER): “quantidade de material existente em estoque no almoxarifado da empresa” (VIANA, 2000, p.151).

Estoque virtual (EV): estoque real acrescido das quantidades de encomendas em andamento.

Estoque de cobertura (EC): relação entre estoques e consumo, indicando por quanto tempo o estoque suportará o consumo sem que haja reposição.

Planejamento de Estoque (Estoque de segurança, determinação do ponto de ressuprimento e lote de compra)

Segundo Viana (2000) o estoque de segurança é “a quantidade minimizada possível capaz de suportar um tempo de ressuprimento superior ao programado ou um consumo desproporcional” (VIANA, 2000, p.150).

Os estoques de segurança “diminuem os riscos do não atendimento das solicitações dos clientes internos e externos”.(MARTINS; ALT, 2000, p.201)

Sua quantidade é calculada em função do nível de atendimento fixado pela empresa, em função da importância operacional e do valor do material, além dos desvios entre os consumos estimados e os realizados e o prazo médio de reposição. Seu cálculo é feito conforme fórmula abaixo:

                           ES = K x TR x CMM

ES – Estoque de segurança.         K – Fator de segurança.
TR – Tempo de ressuprimento.        CMM – Consumo médio mensal.

Fonte: Martins e Alt (2000)

O ponto de ressuprimento determina “quando devem ser iniciadas as atividades de ressuprimento” (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.235), podendo ser estipulado em unidades que ou em dias de suprimento.

Os autores afirmam que essa explicação “concentra-se na determinação de pontos de ressuprimento sob condições de certeza de demanda e de ciclo de atividades” (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.235).

A fórmula básica para o cálculo do ponto de ressuprimento é:

    PR = D x T

D – demanda diária média.
T – duração média do ciclo de atividades.

    FONTE: Martins e Alt (2000)

Para os casos em que o estoque de segurança é necessário, em vista de condições de incertezas a fórmula passa a ser:

PR = D x T + ES, onde ES é estoque de segurança.

A quantidade a ser comprada (QC) é definida quando é atingido o nível de reposição e a partir da quantidade prevista para o consumo durante o intervalo de cobertura.

Viana (2000) considera a fórmula abaixo como a fórmula clássica da quantidade a comprar, mas afirma que nem sempre atende, pois existem quatro situações distintas:

    QC = EM – EV

    Pedido inicial: “primeira aquisição para materiais recém incluídos no estoque” (VIANA, 2000, p.157):

QC = CMM x TR x 2ES

    Saldo em estoque for ao nível de reposição:

QC = NR x IC . CM – EV

NR – nível de reposição.

IC – intervalo de cobertura.

EV – estoque virtual.

    Saldo em estoque for abaixo do nível de reposição:

* Fórmula anterior acrescida da quantidade que ultrapassar o nível de ressuprimento.

    LEC – Lote econômico de compra.

O lote econômico de compra é a “quantidade do pedido de ressuprimento que minimiza a soma dos custos de manutenção de estoques e de emissão e colocação de pedidos”.(BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.236).

A fórmula utilizada para o calculo do LEC é:
  
       2 x CA x CC
 LEC = CPA x PV
 
CA – Consumo anual em quantidades

CC – Custo unitário do pedido de compra

CPA – Custo do material armazenado

PV – preço unitário do material.

“Os problemas mais freqüentes são relativos aos ajustes necessários para tirar vantagem de situações específicas de compra e de consolidação das cargas”. (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p.237)

Os autores afirmam que os três ajustes mais comuns são: descontos de taxas de frete por quantidade transportada, descontos por quantidade na compra e ajustes especiais.

REFERÊNCIAS

BALLOU, Ronald H., Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001.

MARTINS, Petrônio Garcia; ALT, Paulo Renato Campos. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo: Saraiva, 2000.

POZO, Hamilton, Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais: uma abordagem logística. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

VIANA, João José, Administração de Materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2000.

http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=11&canallocal=41&canalsub2=132&id=180

 

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